segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

As dificuldades das minorias

Nenhum dos leitores pode imaginar a confusão que se gera na cabeça de uma criança quando esta é criada no seio de uma família com ideais alimentares opostos.
Quando um dos membros parentais é, hippie, yoga lover e macrobiótico e o outro é…bem…hippie, yoga lover e carnívoro (bastante!), um negro destino está traçado!
Ora, a pobre criancinha nasce na paz! Ouve mantras como canção de embalar, come papas de aveia e millet, recebe massagens energéticas (cheias de prana a fluir… só luzinhas azuis e laranjas weeeeeeeee) para alinhar os chakras e cresce feliz e sorridente (pelo menos q.b). Os anos passam e a criancinha tem de enfrentar a selva. (Vestir a tanga é sem dúvida a primeira dificuldade, usar as lianas também não é lá muito fácil, é necessário possuir força e destreza!)
A criancinha descobre a carne, acontecimento apenas comparável ao homem do paleolítico que descobre o fogo, e a sede de Caaaaaaaaarrrrrrrrrrrrne começa! Durante muitos anos a criancinha acompanha o membro parental carnívoro na sua afirmação de espécie superior devoradora de Animaizinhos comendo todos os tipos de carnes, cozinhadas das mais diversas maneiras, com diferentes teores em gordura e proteína, dando preferência, claro, ás imponentes costeletas de bovino grelhadas, daquelas que ocupam todo o prato e parte da área envolvente!
Um dia a criancinha acorda adolescente e segura de que ser vegetariana é o Caminho da Luz! Claro que esta tarefa não é fácil, a sociedade ainda não está totalmente preparada para isso e com pouca vontade de contornar as dificuldades e os malabarismos económicos (e sociais) a que isso levaria na altura, a adolescente resolve apenas restringir o consumo de grandes Animaizinhos mamíferos.
Um dia, já a adolescente é uma estudante universitária e frequenta a cantina da sua prestigiada e estimada Universidade, quando se depara com uma quarta-feira em que não há hipótese vegetariana, apenas existe carne disponível, carne essa de um grande animal mamífero. Todos os leitores sabem, com certeza, que os estudantes necessitam de se alimentar convenientemente para que os seus neurónios funcionem apropriadamente para conseguir ler 800 páginas num dia e debita-las ipsis verbis no dia seguinte conquistando a almejada nota de 10 valores.
A estudante resolve então ir até ao balcão e pedir a sua refeição:
-Boa tarde, queria, por favor, um bitoque sem a carne!
-Qué?
-Era um bitoque sem carne por favor.
-Não sei o que é isso! Ó Maria olha esta esquisitinha! Diz que quer um bitoque sem carne seja lá o que isso for!
Maria aproxima-se de colher de pau em riste e diz:
-Ah! Eu também não sei o que isso é!
-Olhe, é fácil, é fazer um bitoque normal, apenas não lhe pondo a carne…
-Explique-se lá que já lhe disse que não temos isso, não sabemos o que é!
- Era um prato com arroz, batatas fritas, ovo e salada por favor!
-Ahhhhhhhhhh! Por que é que não disse logo? Está aqui a empatar o negócio…vá andando vá andando!
A estudante respira de alívio e algum tempo depois chega o seu tão desejado inexistente bitoque sem carne. Mas………..
A estudante chega á caixa e a empregada questiona:
-Ai Jesus! O que tens aqui no prato? Eu não sei facturar isto! Tão estranho! Oh Maria anda cá!
Não lhe expliquei que era um bitoque sem carne, esperei que a Maria viesse e lhe explicasse que aquele prato era arroz, batatas fritas, ovo e salada…

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Algumas casas de banho dos centros comerciais cheiram a peruca de velha!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Insanidade Familiar - estudo de caso - I

Vivo em casa com gente insana.

Ainda hoje, ao observar o comportamento dos familiares do meu agregado familiar, tal Jane Goodall, me pergunto como conseguiram os meus pais gerar a pessoa normal que sou, ainda para mais inteligente, responsável, sensata, atenciosa, criativa e bonita acima da média.
Após pesquisa intensiva em livros e nos mais recentes artigos científicos de geneticistas conceituados mundialmente, concluí que a Insanidade é uma característica hereditária, provavelmente ligada ao cromossoma X, e a probabilidade de eu ter nascido perfeita foi de 25%. Reparem:


Como podem constatar, o meu pai, apesar de não-insano, tem o seu quê de loucura e o meu irmão realmente teve muito azar com os gâmetas que lhe deram origem.

Estes factos têm implicações no meu dia-a-dia, e se para muitos é motivo de risota, para mim não tem piada nenhuma.

A minha avó, por exemplo, é cleptomaniaca, mas só rouba papel higiénico. Com tanta coisa que podia roubar, bem que podia trazer algo mais valioso, mas a Cleptomania é mesmo assim. Enfim, como as coisas estão hoje se uma pessoa consegue poupar no papel higiénico ainda poupa alguma coisa e é aí que me afecta. Porque se a Cleptomania, sendo uma doença psiquiátrica, pode justificar o furto de papel higiénico, a partir do momento em que este se torna valioso, a minha avó passa a ser considerada criminosa. Outra prespectiva deste problema prende-se com o facto de a minha mãe (com o seu gen-ins) além de não estar sensibilizada para esta indiscrição da minha avó, sofre da conhecida patologia que se dá pelo nome de Irresistência a Promoções de Supermercado, ainda por cima complicada por Desconhecimeto Crónico dos Bens em Falta no Lar, o que resulta na compra semanal de "packs" familiares de papel higiénico ("para poupar dinheiro", são palavras da própria). E o balanço semanal de papel higiénico em minha casa é:


Ora, ao fim de um mês não há espaço para armazenar o excedente de papel higiénico devido ao carácter desproporcional da relação [número de rabos a limpar/quantidade de papel higiénico].

A minha mãe atinge outro patamar de implicação negativa no meu quotidiano. A título de exemplo, no sábado passado exigiu que removesse o gelo acumulado durante 5 anos no congelador, porque já estava incomodada com o facto de as gavetas não fecharem bem. Como sábado é dia de ir ao supermercado e havia uma quantidade impressionante de salada russa congelada (como lhe apetece muitas vezes salada russa, mas ninguém a faz, quando a vê no supermercado tem de a adquirir) desligar o frigorífico para que o gelo derretesse estava fora de questão. Assim, para que eu executasse a ingrata tarefa de remover o gelo deu-me uma colher de pau ("porque o picador de gelo risca-me o congelador todo!", explicou-me ela). Excusado será dizer que estive horas com as minhas delicadas mãos no gelo, de joelhos na tijoleira, com neve, gerada por mim, a entrar pelas mangas da camisola. A minha mãe, ao ver dois alguidares de gelo bem cheios decide ajudar-me. Infelizmente, era um dia de exacerbação do gen-ins e ela deitou os dois alguidares na sanita, admirando-se ao constatar que o gelo não progrediu pelo sistema de canalização. E isto afecta-me! - depois de uma tarde a tirar o gelo do congelador precisava de ir a casa de banho e não pude porque não conseguia sentar-me na sanita.


Episódios destes fazem parte do meu dia-a-dia, mas por factores genéticos relacionados com a ausência do gen-ins, simplesmente não me consigo habituar a eles.

Não me vou pronunciar relativamente aos casos de Insanidade do meu irmão (portador dos genes gen-ins e gen-Q-craze) porque ele é maior e mais forte que eu.

Manter-vos-hei a par de manifestações típicas de Insanidade Familiar que vou presenciando. Por favor divulguem-nas, pois infelizmente esta é uma doença pouco conhecida fora da comunidade científica e há certamente muitas pessoas normais que sofrem com familiares vítimas desta devastadora patologia do foro genético.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Road Trips & Road Strips

Tenho uma amiga que adora viajar!
Adora paisagens, novos destinos e diferentes culturas!
No outro dia lançou-me um desafio:
"Olha lá, nós quando fossemos assalariadas podiamos ir, as duas, fazer uma Road Strip! O que achas?"
Depois de deixar cair o queixo e franzir a testa, pensei por breves segundos e respondi:
-Tudo bem, MAS conduzo eu! As outras tarefas ficam por tua conta...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Um pneumomediastino pode causar um pneumotórax mas um pneumotórax não pode causar um pneumomediastino.
Na Hepatite Infecciosa Canina a maioria dos cães morre ou recupera.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Uma gadanheira simples é uma gadanheira que simplesmente gadanha.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Hermafroditas e Eremitas

-Aiii CReeeeeeeeeedo!!! Tu viste aquela senhora que nos atenteu? Nem percebi se era um Homem ou uma Mulher! Jasuss!! Parecia uma daquelas pessoas que, infelizmente, nasce com os dois sexos... um...andrógeno!
-Andrógeno?
-Ai! Não! Um...um...um Eremita!

Ética e Etiqueta

"E um docinho, não há?"
"Eu tenho ali iogurtes de tarte de bolacha e morango."
"O quê? Olha, comer um iogurte a seguir à refeição não é ético!"
"Ético? Mas qual é a falta de ética existente na acção de comer um iogurte? Alguém se sente invadido ou incomodado com isso? Vais contra a liberdade de algum individuo?"
"Ética é isso? Humm não sabia!!!"
"Ah! Estou a ver...Estás a confundir com a outra ética... A Ética da Paula Bobon[a]!"

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Os ovários são orgãos que (de momento) não me fazem falta nenhuma!


Há vários dias por mês que preferia ter nascido sobre a forma de um indivíduo do sexo masculino.
Não estou só a falar daqueles dias que deixam as mulheres piegas e nervosas, mas também esses entram na conta dos dias em que penso que afinal a próstata é capaz de ser um órgão que me faz uma certa falta.
Um dia destes, para não variar, uma vez que é a mesma cantiga todos os meses, acordei com dores no útero, daquelas dores que levam as mulheres a ter vontade de atirar a cabeça contra a parede em busca de Qb de analgesia. Tive a perfeita noção que era uma urgência tomar dois ibuprofenos 300 (no mínimo)... No mesmo momento pensei também: Ora que treta, estes comprimidos são AINES (pensamentos de uma aspirante a Médica Veterinária...frequentemente somos visitados pela esperteza e pela hipocondria). O melhor era sem dúvida comer... Levanto-me (com a sensação de ter 5kg em cada rim) e arrasto-me até ao frigorífico. Decido comer um daqueles maravilhosos iogurtes com duas camadas (frutos do bosque/iogurte açucarado). Acabava ainda de "lamber" a última colher...PimBA goela a baixo com os dois comprimidos mágicos, supressores de dores cruéis (que nos foram transmitidas geneticamente pela infelicidade de nascermos com a ausência do cromossoma y). Resultado fantástico, trinta segundos depois e durante uma hora convivi com espasmos gástricos e iniciei a obra criativa de pintalgar a sanita de dez em dez minutos com uma mistura rosa choque...Tudo isto aliado ao facto de serem quase 14h horas e eu ter MuiTAAAAA fome e não poder comer! Ahhh Odeio ser mulher :( Grrrrrr
Ora num estado moribundo destes facilmente se pensa no que ganharia se…. Se naquele momento fugaz da criação, da fertilização, o óvulo da minha mãe tivesse deixado entrar um Sr. espermatozóide Y em vez de um Sr. X espermatozóide.
Digo isto porque quero acreditar piamente que o óvulo, enquanto célula mãe, mais volumosa e com todas as reservas necessárias ao início da vida, tem a capacidade de decidir o tipo de monstrinho que vai originar (uma criancinha a maior parte das vezes pode transformar-se numa criatura do demo...).
Ora se o óvulo da minha mãe escolheu deixar entrar um espermatozóide X no seio da sua intimidade, deduzo que já aqui se expressavam os genes da miopia que carrego! Só podia ser míope a minha célula mãe! Só há vantagens em ser MACHO e logo me vai criar uma FÉMEA!
Se eu fosse Macho e mais uma vez com ajuda da genética em outros campos...poderia ser Fuzileiro, Piloto, Mecânico (ai gostava tanto...até já pensei em pedir para aprender aí numa oficina qualquer, mas claro que isso seria uma situação no mínimo bizarraaaaaaaa), Policia, Médico sem Fronteiras, Detective Particular, Cientista, (sim já sei que as mulheres também ah e tal), Mestre de Artes Marciais ou algo do género.
Sendo mulher... Ui...Nem vamos entrar por aqui que já avisto pilhas de roupa e tachos por lavar.

sábado, 31 de janeiro de 2009

As pessoas são como as batatas fritas e os Americanos são complicados.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O [nosso] blog dava um programa de rádio!


Para celebrar o nosso centésimo (!!!) post, convidamos os nossos leitores a ouvir o programa "O meu blog dava um programa de rádio".

Este programa vai para o ar na melhor rádio (pelo menos durante os minutos em que o nosso blog for para o ar ehehehe!) do País: A Rádio Comercial!

Podem ligar-se via rádio à frequência 97.4 ou ouvir na internet em http://radiocomercial.clix.pt/ no dia 31 (sábado) às 21h ou no dia 1 (domingo) às 9h.

Saudações bloguísticas

As autoras

sábado, 24 de janeiro de 2009

O facto de... não implica que...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Monumentos Londrinos

A Lalá anda tão eufórica com a nossa ida a Londres que no nosso encontro de 6ªfeira no bar do costume confessou:
-Estou ansiosa por tirar fotos ao pé do Big Brother!
-Hein?
-Ai que disparate. Aquele relógio! O...O...O Big Bang!
-Hein?
-Ai Rapariga! Ás vezes parece que sou disléxica! O Big Bell!
-Desculpa!?
-Epah! Já me enganei três vezes mas tu entendeste... eu estou a falar do Big Sam!!!
E ainda estavamos nós a falar português...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Assunto delicado

Como boa samaritana que (por vezes) sou, acompanho, fielmente, os meus estimados amigos nas suas pioneiras incursões por zonas de supermercados nunca antes por eles exploradas.
Tenho amigos que desconheciam a existência de peixe fresco (e eu estive lá na primeira vez que trocaram os croquetes e as pizzas pela bela da posta de salmão), outros desconheciam os produtos "anti-bolor" para limpar a zona do duche e eu partilhei com eles a minha sabedoria, alguns desconheciam a existência do tomate "cherry" (tão prático e apetitoso!) e eu estive lá quando exclamaram "Que fixe!"...
Ohhh! Posso relembrar tantas outras descobertas realizadas por inocentes temerários nesses corredores das grandes superfícies comerciais...
Num tempo não muito longínquo estava eu num centro comercial com um amigo e decidi explorar essas maravilhosas e nutritivas massas "tortelloni", uma vez que são possiveis os mais diversos recheios. Eis que o estimado amigo em questão me distrai e me chama com um ar compremetido.
De olhar maroto e face corada segreda: "Vem até aquela secção preciso da tua opinião!"
Solicita, eu fui (imaginando que quisesse uma opinião sobre os diversos tipos e graus de eficiência das diferentes esfregonas em exposição).
Quando chego ao corredor que ele almejava estudar (posso dizer que um dos mais concorridos do supermercado, a julgar pela quantidade de carrinhos estacionados em segunda fila) reparo que estávamos no corredor dos métodos contraceptivos e acessórios de diversão ah e tal...
Já lançada para discutir com ele os melhores artigos de acordo com as suas preferências, vejo-o vermelhaço e a dar meia volta: "Demasiado movimento, demasiado movimento...voltamos mais tarde!". Obrigada meu caro amigo, tarde demais, já estou sozinha a olhar atentamente para a dita secção! (Há lá coisa pior que ter a fama e não ter o proveito?).
Dei meia volta e repouso o olhar nos condicionadores capilares (sei que é uma coisa tipicamente feminina então deve disfarçar).
Minutos depois o amigo (o meu) puxa-me o braço e lá vamos direitinhos aos expositores, mas não sei porque precisou ele da minha companhia se foi directo aos objectos que queria comprar: uma caixa de preservativos (sensitive something) e uma embalagem de ************. E já está, não entendi o problema dele, foi rápido e indolor e assim prosseguimos as compras semanais.
Intermináveis minutos depois (e ainda dizem que as mulheres é que demoram horas no supermercado) rumamos finalmente á caixa (com o carrinho relativamente vazio e a metade dele muito mais cheia que a minha). Cuidadoso o meu amigo diz:
- Vai tu á frente, assim não precisas de ter vergonha por causa dos meus artigos... como dizer? humm... "especiais".
- Tanto me faz, vê lá, como preferires.
- Vai lá, vai lá!
Pago com o uma nota de dez euros os meus poucos artigos (sobretudo géneros alimentícios) e ainda recebo troco. Já estou a olhar para o multibanco e a pensar que provavelmente já não tenho saldo para levantar dinheiro quando ele diz á senhora da caixa:
"Não entendo, veja lá que ainda antes de aqui vir eu fiz uma compra e veja, tenho saldo, veja o meu extracto bancário!!!"
E lá vai ele ao multibanco tentar levantar dinheiro...ainda visitou três máquinas, mas devido a problemas de comunicação as tentativas não foram bem sucedidas....
E SIM! SIM ! QUEM PAGOU OS ARTIGOS ESPECIAIS DA CRIATURA??? Eu ! EU! "Deixa lá amorzinho (!!!!!!) eu pago!" E com Visa!
AGGGAHHAHAHHAHAH !Pior que não ter o proveito foi ter a fama e ainda arcar com a despesa! E com direito a discriminação de artigos no talão do crédito!!! Não se faz!
Pelo menos o tal amigo saiu precavido e satisfeito da história...


sábado, 17 de janeiro de 2009

Os homens gostam de mulheres com great body ou great personality. O busílis é atingir um destes estatutos e não ficar para Titi.
A pen dada não se olha os gigas!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Planeta com luz própria


As lojas dos chineses são aquela galáxia infindável de objectos úteis e (semi)preciosos. Sempre que entro numa, ultimamente, lembro-me de um excelso amigo meu que não entende a proximidade dos Estados Unidos em relação à China. Para ele, e desde tenra idade, devido aos métodos pouco explicitos da sua professora da escolaridade básica, a Terra é plana. Ele lembra-se claramente dos mapas em papel A4. Não há dúvidas, os Estados Unidos estão desenhados na zona da margem esquerda da folha e a China descansa sobre a margem direita da mesma folha. Para voar de um país ao outro são precisas demasiadas horas a julgar pelo facto de ser necessário percorrer todo um Mapa Mundo.
Desta forma, cada vez que entro numa loja de artigos chineses penso que efectivamente devia comprar-lhe um Globo Mundo para ver se ele abandona a medieval ideia do Mapa Mundo.
Pensei em dar-lhe um bem grande, bonito, podia até ser daqueles com luz incorporada que fazem companhia às crianças na hora de adormecer. Mas alguém me advertiu : "Não podes comprar um desses com candeeiro incorporado...Não vá ele pensar que a Terra é um planeta com LUZ PRÓPRIA!"
Pergunta: Desenhe um método de controlo de pragas.

Resposta:

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Como anestesiar um gato agressivo

Não há dia em que o comum veterinário de clínica de animais de companhia não se depare com gatos agressivos. As pequenas pestes não gostam de colaborar e a tradicional cacetada na nuca não funciona como indução anestésica (os sacaninhas são fugidios). Então, como anestesiar o demo?

Aqui vão os passos a seguir na indução da anestesia de uma mascote assassina:
  1. Abrir o caixote do lixo
  2. Atirar o gato para dentro do caixote do lixo e fechar a tampa
  3. Atirar rapidamente um pano embebido em éter para dentro do caixote do lixo (apenas entreabrir a tampa)
  4. Esperar que o caixote deixe de saltar
  5. Retirar o gato
  6. Levar o gato a um veterinário agradecido

É um processo aprendido em aulas de Anestesiologia e é totalmente científico.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

What do you say to a man with two black eyes?

Nothing he'd already been told twice.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Comer um Ferrero Rocher


Comer um Ferrero Rocher é uma arte que nem todos sabem apreciar. Para desfrutar verdadeiramente este singular bombom uma pessoa deve estar no conforto e intimidade do seu lar, pois comê-lo em público é considerado na sociedade ocidental um acto pouco fino, ou como muitos dizem hoje em dia, "um nojo". Excepto em Itália, onde já nascem a saber comer um Ferrero Rocher.

É que comer um Ferrero Rocher, apreciando-o como um perito, implica comer o bombom às camadas.

Assim, primeiro trinca-se a cobertura de chocolate e avelã aos bocadinhos, com o cuidado de não partir a delicada bolacha wafer que está por baixo. Nesta etapa caem muitas milgalhas de chocolate-avelã e é para isso que serve o papel castanho; não é um adorno inútil e imagem de marca deste famoso pecadilho da Ferrero.

Chega a vez de desfazer a concha crocante de wafer. O wafer pouco doce faz um "reset" às papilas gustativas, preparando-as para receber, em todo o seu esplendor, o chocolate, aquele nutella cremoso e mole que se cola nos dedos à medida que vamos desfazendo o wafer. É nesta fase que o indicador e o polegar ficam cheios de chocolate meio chupado e as comissuras labiais estão saborosamente castanhas. É precisamente neste momento que uma pessoa entre em delírio com o bombom e coincide com a fase menos aceite socialmente da degustação do chocolate.

E finalmente, depois de saborear o creme de chocolate vem o clímax - desfazer a avelã inteira e torrada nos dentes molares; e temos novamente a combinação divina de chocolate (residual na boca mas ainda com uma forte presença) e avelã, mas com uma nova e supreendente textura. Depois do êxtase, deixa-se repousar a boca durante uns momentos, enquanto se pensa no prazer que foi comer o Ferrero Rocher. Nestes instantes, a sala, esquecida por completo, torna-se de novo real e apercebemo-nos, então, que temos na mão o papel castanho com migalhas de chocolate e avelã. Com o indicador apanham-se delicadamente as migalhas e saboreiam-se as mesmas saudosisticamente.

Sugiro que experimentem comer um Ferrero Rocher como ele deve ser comido, como ele foi feito para ser comido, ao som do 2º andamento da 7ª sinfonia de Beethoven. Ponham a música a correr e iniciem o ritual, descascando lentamente o bombom, saboreando-o por etapas, sentados no conforto do sofá da sala de estar. Nunca mais quererão colocar um Ferrero Rocher inteiro na boca.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O chá é diurético e o café é laxante.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A vida só vale a pena se nos expusermos ocasionalmente a situções de perigo que a tornem emocionante.

Há quem faça bungee jumping. Há que atravesse a passadeira muito devagarinho quando está vermelho para os peões.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Esclarecimento

Muitos amigos meus não ligados à música me perguntam:

"Qual é diferença entre escrever dó # e b? Soa igual!"

Escrever um dó # em vez de um b é mesma coisa que escrever "Essa de Queirós, ora eça!"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pergunta: Faça o fluxograma do surimi.

Resposta: O que é o surimi?...

Sonhos

Desde pequena que me dizem:
"Nunca desistas dos sonhos!"
Depois de anos a perseguir alguns (que se escapam pois são atletas de alta competição), encontrei uma explicação (bastante natalícia por sinal): nunca me disseram a frase até ao fim, e eu, qual sonhadora interpretei mal. O que realmente me queriam dizer era:
"Nunca desistas de um sonho, se não houver numa pastelaria, vai a outra!"
DECRETO-LEI Nº 276/2001

CAPÍTULO III
Normas para o alojamento de reprodução, criação, manutenção e venda de animais de companhia

Artigo 31º

b) Não é admitida a manutenção de peixes vermelhos em aquários de forma esférica.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sistemas Binários


Hoje, decidi telefonar a um amigo para partilhar uma deliciosa descoberta...
Um outro amigo meu, que é Astrofisico, falou-me das estrelas binárias.
Segundo ele, de uma forma muito simples e para que uma criança de três anos possa entender, Estrelas Binárias são duas estrelas que orbitam uma em torno da outra, sendo uma sempre maior e que à vista desarmada podem ser vistas como uma só...
Comentava com o meu amigo ao telefone que este sistema tem algo de romântico, afinal estão ali as duas, a orbitar, como uma só... quando ele me diz:
"Ah pois é, muito romântico, mesmo.. afinal orbitam uma CONTRA a outra!"
Não há esperança...ligada ao amor, hoje em dia, vem sempre a violência doméstica!

Realmente a próstata é um orgão que não me faz falta nenhuma! - Parte II


Eu sou uma pessoa muito querida e adorada na minha rua! Tão adorada, mas tão adorada, que exerço em dias não previamente estipulados, consultas de terapia aos transeuntes, vizinhos e afins. (Uma terapia qualquer, é irrelevante qual!)
As consultas são dadas gratuitamente, sem acordo prévio com a minha pessoa e julgo que se iniciam espontaneamente devido ao meu olhar calmo e maternal…
Ainda a semana passada o arrumador mais competente da minha rua (não é ironia, ele é mesmo bom no que faz e é muito correcto e educado) iniciou o seguinte diálogo com a minha pessoa:
-Olá vizinha, ‘tá boa?
-Bem muito obrigada e você?
(ERRO! Se não queremos ouvir, não devemos perguntar…)
-Sabe, dia 18 de Novembro fiz anos…sabe, olhe 2 semanas no hospital! Ia-me morrendo!
-Ah sim? Então?
-Olhe, nesse dia vizinha comi tanto marisco e bebi tanta cerveja que me atacou aqui!
(coloca a mão sobre o “flanco direito” na zona da última costela)
-Ah estou a ver…atacou-lhe o Fíg….
-Como se chama este órgão pah! Aqui.Ai…atacou-me a próstata!
-Ui! (A minha cara maternal transfigurou-se e deu lugar a um esgar…um esgar de dor e contenção…não me podia rir ...afinal ele quase morreu!)
-Sabe vizinha, tenho que ter cuidado, porque eu já não tenho pai nem mãe.
Blá, blá, blá blá…mas eu só conseguia pensar na próstata… será que a pobrezinha ficou afectada porque os arrumadores não têm o hábito de ingerir marisco?
O Monsanto tem o seu encanto!

domingo, 14 de dezembro de 2008

domingo, 7 de dezembro de 2008

O poder do vermelho

Na sexta-feira fui ao Colombo em busca das prendas de Natal e aproveitei para ir ao supermercado porque precisava comprar leite e acetona.

E claro, coisas estranhas aconteceram, provavelmente porque vestia um casaco vermelho e as pessoas pensaram automaticamente: "Ora, aí vai uma menina com espírito natalício! Que bonito, tão querida." Nunca põem a hipótese de ser um casaco bloody.

Adiante. Passei pela secção de roupa de casa, a caminho do corredor dos produtos de higiene, e um senhor que tirava toalhas brancas de uma caixa grande e as atirava para o chão, ao mesmo tempo que gritava com a mulher ao telemóvel, dirige-se a mim:

- Oh menina, menina! Olhe aqui! - empunhava uma toalha verde na mão desta vez. - Olhe, menina, isto é verde-alface?

- Aaa... sim, acho que sim...

- Olha, melher, 'tá aqui uma menina que diz que é. ... Eu sei lá! ... Ela diz que é! ...

Se não for verde-alface acontece-me alguma coisa no futuro? Vêm atrás de mim? É que a senhora do outro lado do telefone parece perigosa.

- Olhe menina, obrigadinho hein? É que eu não sei o que é verde alface! ... O quê? ... Oh melher, eu já tenho uma, queres mais ou não? ...

Prossegui o meu caminho a pensar que as cores por vezes são subjectivas e lembrei-me das aulas de Patologia Geral, em que observava umas bolinhas ao microscópio e tinham várias cores e eu achava aquilo bonito. Tinha uma qualquer base científica por trás e o difícil mesmo era acertar na cor que o professor achava que era. Se eu classificava a bolinha como azul ele considerava incompleto porque era azul turquesa, mas se é para ir a esse nível, então permitam-me que discorde, porque aquilo era azul celeste.

Na secção da acetona procurava a mais baratucha e enquanto olhava para as várias acetonas à minha disposição com um ar entendido e concentrado, um senhor aproxima-se por trás e diz:

- Menina, desculpe, mas a menina... eu...

Era um senhor nos seus 40 anos e tinha um pacote de pensos higiénicos na mão. De todas as pessoas no supermercado, tinha de vir ter comigo, porque eu tenho um casaco vermelho.

- É que... a menina desculpe, mas pronto, a menina tem o período, não é?... é que não percebo nada disto...

Não sei como não me desmanchei a rir na cara dele. Fiz um esforço estóico, se calhar até estóico demais porque acho que consegui estar a falar com o senhor com a mesma cara, mas exactamente a mesma cara, com que avaliava as acetonas.

- Bom, eu... - comecei.

- É que é para a minha filha! - respondeu ele apressadamente, antes que eu pensasse que fosse ele próprio o utilizador - E ela, ela sai de casa com aqueles O.b.'s mas ela disse que em casa não usa isso e mandou-me comprar uns pensos e eu não percebo nada disto!... É que nunca comprei uns na vida...

Olhei com mais atenção para o pacote. Não conhecia a marca mas percebi que eram daqueles muito grossos, daqueles que nem se dobram na embalagem, tão grossos que são. Dizia à frente, em letras grossas, "noite tranquila".

- Olhe, estes realmente são dos que se usam para dormir, mas...

Fiquei indecisa... será que é apropriado ir com o senhor até à secção dos pensos higiénicos e dar-lhe uma palestra sobre as variedades, marcas e relação qualidade/preço dos ditos?

- É que há outras marcas, uns mais finos...

- São para dormir? Ora é isso mesmo! Olhe menina, muito obrigado, muito obrigado mesmo!

E foi-se embora feliz da vida, aliviado, sorridente. Missão cumprida.

Foi nesse momento que comecei a considerar seriamente envergar por carreira de apoio ao cliente em supermercados. Com certeza teria uma carreira de sucesso! Chegaria um nível tal que todos teriam respeito e admiração sem limites pela minha pessoa! Especialmente se a farda fosse vermelha.

sábado, 29 de novembro de 2008

Cada caso é um caso, e vale o que vale.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Se existir obstrução completa, há obstrução total.

domingo, 23 de novembro de 2008

Sonho de uma noite de invasão

Ontem, já a noite ia avançada, estava na cozinha a cortar cenouras para dar aos meus animaizinhos de estimação. Animaizinhos mesmo. Porque são miniaturas de gente, com mau feitio e apetite devorador.


De repente, ouvi vidro a partir-se nas escadas de emergência, nas traseiras do prédio. Ladrões! Bandidos! Drogados! Jovens delinquentes! Esquadrão de elite!

Armei-me com o rolo da massa na mão esquerda e a faca de trinchar na direita e espreitei pela janela da marquise.

Era o objecto do meu amor platónico, que tinha acabado de partir o vidro da porta que permite uma comunicação pouco segura entre a sua cozinha e as escadas de serviço. Estava com um ar admirado e confuso e colocou a cabeça pelo buraco recentemente criado, só para ter a certeza que estava mesmo partido.

É tão desajeitado. Temos tantas coisas em comum.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Manual de instruções

Quando pretenderem realmente cortar os pulsos verifiquem se:
- O objecto a ser utilizado é marcadamente cortante e eficaz!
- Os cortes são realizados em diversas direcções distintas!
- A profundidade do corte é suficiente para atingir veias, vasos e nervos.
- Realizam a vossa tarefa dentro da banheira para não manchar os tapetes de arraiolos nem a tijoleira.
Muito obrigada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Flores e Amores



Socorro!
Ofereceram-me uma flor! Não sei se é uma flor, se é uma planta, se é um arbusto ou se estes três são tudo a mesma coisa! Não sei!
A questão é…é que tenho sérias dificuldades em lidar com uma gigantesca panóplia de temas que normalmente fazem as delicias de qualquer mente feminina:
-Decoração
-Jardinagem
-Trabalhos Manuais
-Moda
-Culinária
-Etc…
Mas agora estou sobre pressão! Com os 24 anos biológicos chegou “uma plantinha” adorável, bela, fresca e… o pior de tudo: viva!
Já procurei todo tipo de informação: duas regras semanais e sol qb devem ser cuidados suficientes para mantê-la viva…Com um pouco de conversa e algumas palavras doces quem sabe até a faço feliz.
Esqueci-me de dizer que a plantinha é um Ciclame… li numa página web (enquanto procurava informações de como não a deixar morrer) que representa o ciúme…
Agora, perguntam os leitores, porquê tanta preocupação com o novo hóspede da minha humilde casa?
Está provado cientificamente (mas pouco!!!) que o individuo que é capaz de cuidar de uma planta está totalmente preparado para ter uma relação amorosa :) !

Tears and Rocks




Tomorrow there were no footsteps in my backyard,
Yesterday for sure they will be gone.
As I lay my body on the rocks,
Tears caressed my green dark eyes.

As the clocks start to take their places
As the hours have been set
The rocks replaced my heart
The tears were locked inside.

There are no bitter sweet mornings,
Just the usual unfinished nights
When rocks meet tears
Where tears melt rocks.

Yesterday I will be between bars
Tomorrow I was just euphoric
Today there are just tears and rocks,
Fingerprints [you] silently left on me.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Votação


Convoco todos os leitores deste magnífico blog a participar numa votação on-line.

Por favor classifiquem o rabo central da fotografia acima numa escala de 1 a 10.

Os votos convertem-se em dinheiro que reverterá a favor dos Amigos dos Amadores de Música.

Num futuro próximo, o respectivo dono do rabo será leiloado. O/a maior licitador/a poderá levar este belo espécimen de Homo sapiens consigo para casa pelo período não superior a 36 horas.

Obrigada

Semana Europeia Veterinária


Esta semana é genial!

Ele é dia de " we are so happy that you were born!", ele é dia Mundial do Diabetes, ele é dia de S.Martinho... e o melhor de tudo : Semana Europeia Veterinária.

Estou realmente feliz!

sábado, 8 de novembro de 2008

Existe sempre uma razão lógica

Uma das disciplinas base do curso de Medicina Veterinária é a Bioquímica. É uma cadeira tão fundamental que o regente da mesma considera-a mais importante que a Anatomia, razão pela qual dedicámos 3 (três) semestres do currículo académico, das nossas vidas e as nossas férias de Verão à Bioquímica.

É graças à Bioquímica que hoje sei pormenorizadamente (enfim, hoje se calhar já não pormenorizadamente) o processo de Fotossíntese, tema 12 do 3º Semestre, fulcral para o conhecimento geral do Médico Veterinário.


E a Fotossíntese é estudada porquê? Porque existem gatos com olhos verdes, ricos em clorofila. E não menosprezemos a importância crescente dos novos animais de companhia, como as iguanas, verdadeiros animais fotossitéticos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Divagações de bairro

Eu vivo no Bairro das Colónias. Coincidentemente, ou ironicamente, é um bairro onde vivem essencialmente pessoas oriundas da China, Índia, Brasil, alguns países Africanos e, claro, não podiam faltar, velhotes. É um bairro cheio de vida, de movimento e não é preciso ir longe para conseguir qualquer coisa de que se precise:

  • molas da roupa: loja do chinês
  • cera de depilação: drogaria indiana
  • manicure: cabeleireiro brasileiro
  • internet: loja especializada do chinês (mas atenção, o teclado e o Windows estão em chinês)
  • óleo para fritar as batatas: mercearia africana

Quando passeio pelo meu bairro ouço imensas línguas diferentes. Na verdade raramente ouço português, excepto alguma velhota testemunha de Jeová que não me larga o braço enquanto eu não aceitar um livro sobre sexualidade adolescente. Sinto-me tão cosmopolita nas minhas incursões à frutaria (também gerida por chineses).


Mas mais perto de mim, há os vizinhos do meu prédio: tal como em toda a parte há os vizinhos que gostamos e os que odiamos.
Por exemplo, os meus vizinhos de baixo são uns velhotes amorosos por quem eu tenho especial carinho pois pensam sempre em mim e dão-me mensalmente um enveolpe grande cheio de piri-piri. São atenciosos e dão-me meias nos anos e Ferreo Rocher no Natal. Depois há o meu vizinho da frente, o tal gadelhudo que para minha infelicidade é gay. Vive com outros estudantes do ensino superior e juntos gostam de fritar batatas às sextas-feiras.

Mas nem todos são nossos amigos. Existe um conjunto de pessoas que varia mensalmente no R/C esquerdo - é algo mafioso. Há a vizinha do 1º direito que boicota as tentativas de modernização do prédio, faz queixas injustificadas à polícia e à Junta de Freguesia e nem sequer paga condomínio.
Mas o pior é ele... o meu delinquente vizinho de cima, com o tal amigo mal-cheiroso. Esse teenager degenerado aparentemente é o Homem da casa porque vive com a mãe e a avó. É o tipo de miúdo que grita com a avó quando o almoço não está feito e que ouve música (de muito má qualidade) aos altos berros. E claro, como um adolescente normal passa horas no messanger; ainda não descobriu, coitado, que dá para tirar o som de recepção de mensagem instantânea. E isto dura até as 2h30 da manhã, hora pela qual, provavelmente por problemas logísticos, se põe a arrastar os móveis antes de ir dormir. Isto não me incomodaria muito, não fora o facto de o meu quarto ser exactamente por baixo do dele. Talvez seja por isso que me surgem tantos pensamentos às 2h47.

Ontem esqueci-me, mais uma vez, das chaves em casa. Pus-me imediatamente a mandar mensagens à minha mãe e ao meu irmão "A que horas chegas a casa??". Só chegavam às 20h... o que significa que estava dependente de... sim... exacto... da minha avó.

A minha avó gosta muito de conversar. Provavelmente porque o seu leque de histórias é bastante reduzido e como as quer contar e nós já as ouvimos vezes sem conta desde há 20 anos para cá, tem de encontrar novos ouvintes. Isto para dizer que é óbvio que fiquei à espera dela durante 2h porque, vim a perceber depois, ela conversou com toda a gente com quem se cruzou a caminho de casa.

Enquanto esperava, sentei-me nas escadas a ler. A porta dos vizinhos da frente abre-se e sai de lá o meu vizinho gadelhudo. Ao menos uma bela visão para alegrar a minha tarde, pensei.

- Boa tarde! - disse ele. Uma pequena dúvida... será que é para mim? Atrás de mim está a parede... Sim! É para mim! (ler o sim com entoação do anúncio do Herbal Essences)
- Olá!

Ele passou por mim e começou a descer as escadas. Cheirava a côco. De repente, pára e olha para mim com ar de dúvida. Aproveito para meter conversa, claro.
- Esqueci-me das chaves!...
- Ah... - murmurou pensativamente. Recomeçou a descer as escadas; ao mesmo tempo continuou - Pois, eles estão fartos de me dizer...

Quem?... A minha mãe? O meu irmão? Não sabia de tais socializações...

- Tenho mesmo de fazer a cópia da chave, mas ainda não fiz.

A chave? Da minha casa? Por mim tudo bem... Mas devia ser uma piadeca, então ri-me. Afinal não era, porque ele ficou com cara de parvo a olhar para mim e eu recomecei a leitura, com o nariz bem enfiado no livro, demasiado perto das páginas para conseguir ler realmente o quer que seja.

Entretanto o jovem terrorista entra no prédio e grita qualquer coisa à avó como "Olha, vou ao Minipreço!". O amigo stincky ficou à porta enquanto o puto subia as escadas. Quase a chegar ao 2º andar, onde eu estava a sentar, grita para o amigo: C@brões de merd@! Não dizem boa tarde, os filhos da put@!

De repente apercebe-se da minha presença, olha para o chão e diz baixinho "Boa tarde". Ele, normalmente não me fala (o nosso ódio é mútuo) mas desta vez não podia não cumprimentar. Respondi um triunfante "Olá" com o sorriso mais genuíno que alguma vez lhe lancei. Estava a deliciar-me com esta cena. O delinquente chega a casa e depara-se com a porta fechada (realmente, quem diria...). Em vez de usar a campaínha começa a esmurrar e pontapear a porta. A própria porta, que otário...

E por tanto o balanço final do dia foi:

Gadelhudo: +1 (eu vou considerar um avanço na nossa relação platónica o facto de termos trocado palavras)
Vizinho delinquente: - 19485

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Bife na pedra

Mandaram-me um e-mail com esta imagem:


Tinha o seguinte comentário: "Belo naco".

De facto. Mas não vejo gadelha nenhuma. Espero que esteja caída e esvoaçante atrás da pedra porque bife sem acompanhamento é como um cão sem pulgas.

Este espécimen e sua gadelha, sim, poderia chamar-me sardinha.

Ou qualquer outra coisa que ele quisesse.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Atracção específica

Às terças-feiras à tarde vou de carro para a faculdade. No carro do meu irmão, claro, que eu não possuo tal comodidade.

Certa terça-feira, ia eu a sair de casa quando reparo que faltam os documentos do carro! Furiosa, telefono ao meu irmão:

- Onde raio estão os papéis do carro?
- Uuuuuhps... esqueci-me e trouxe-os comigo... Olha, passa por aqui antes de ires para a faculdade!

Bom, não tive escolha, e passei pelo IST de carro, com uma guia provisória e sem documentos... Como se não bastasse, o ponto de encontro que o meu irmão escolheu era um local que estava em obras. Parei em cima de uma passagem de peões amarela, atrás das obras. Liguei os 4 piscas e esperei pelo meu irmão.

Ao olhar para a esquerda vejo um polícia mesmo ao pé de mim. Eu olho para ele, ele olha para mim (através de óculos escuros), eu fico quieta, ele continua a ronda.

Estupefacta por ele não me dizer nada, fico no mesmo sítio. Ele passa várias vezes por mim e não diz nada. Não sei bem o que fazer, por isso não faço nada.

O meu irmão surge calma e lentamente, com os documentos na mão, bem visíveis a 5 metros de distância. Quase a chegar ao carro ainda os abana para eu ver que estavam ali...

Refilo qualquer coisa com o meu irmão, mas ele não percebe qual é o meu problema e deixa-me a falar sozinha... Olho outra vez para o polícia, que olha para mim. Não tem um ar especialmente carrancudo. Eu tenho a certeza que estou a cometer umas quantas infrações. Como ele não diz nada, inicio a marcha o mais rapidamente possível para sair dali, passando um amarelo tinto.

Conclusão a que cheguei: sou uma gaja podre de boa, cheia de charme e com "great personality". Claro que estas qualidades apenas são detectadas e apreciadas por certos tipos de homem, nomeadamente blacks, indianos, velhos (mais de 75 anos), sem-abrigo e bêbados. E, aparentemente, certos polícias.

Dou já de seguida mais alguns exemplos:

  1. Ia eu, inocentemente, pela rua abaixo, quando um bêbado pára a sua caminhada ziguezagueante e me diz, olhos nos olhos, bafo ácido na sensível mucosa nasal: - Ésh a menina maish bonita que eu já vi...!
  2. Passei por um sem-abrigo na Baixa e ele olhou para mim, fez um esgar amarelo e cantou: -Oh linda, linda sardinha...!
Odeio as minhas ferormonas.

sábado, 1 de novembro de 2008

Dieta - Follow up I

Em resposta ao nosso activo comentador Thaeos (ver comentário aqui), quase mais activo que as próprias autoras, ou pelo menos com comentários maiores que os posts publicados, sentimo-nos coagidas a partilhar com os leitores a evolução da 2047ª dieta.

Ou não.

Talvez mais tarde.

As autoras

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cadbury Dairy Milk Chocolate


Não há melhor amigo para uma mulher do que o chocolate! Carentes, Apaixonadas, Frustradas, Gulosas, Festeiras, Irritadas, Nervosas, Ansiosas, Desesperadas...
Todas as mulheres um dia acabam por procurar este fiel poço de teobromina com fins vários: diurese, relaxamento,vasodilatação...
Ora eu sou uma mulher como as outras e como tal, um destes dias cedi à tentação e comprei um Cadbury Dairy Milk Chocolate... sorriso, papilas gustativas saltitantes e weeeeeeeeeeeeeeee: Serotonina!!!
Abro cuidadosamente a embalagem (que na minha opinião tem uma cor muito apelativa!) e os meus olhos descansaram num pequeno detalhe: "Chocolate familiar blá blá blá".
Familiar?? OHHH! NÃO!!! São 6 quadradinhos pequenos, não chegam a ser 50 gr... cabem todos na minha mãozinha, e tenho que o dividir?? Tenho que o partilhar???
Tudo bem que já não tenho avós, mas restam os meus progenitores, a minha tia, os meus padrinhos , os meus tios todos, os meus inúmeros primos :S ! Não, não, não!
Vou esconder, omitir, mentir, o Chocolate é meu e a mim ninguém mo tira! Ou então...passo a ser uma mulher Agressiva e não há Teobromina que me valha! Ora ora familiar!! Só pode ser a gozar...Quem escreveu esta palavra ERRADA na embalagem era seguramente uma pessoa solitária!

Momento de intimidade

Certo dia, ia eu a caminho de casa, sem pressas, pelo passeio. À minha frente passeava um casal de namorados: o rapaz tinha a mão enfiada no bolso de trás dos jeans da namorada e esta tinha, por sua vez, a mão enfiada no bolso de trás dos jeans do namorado.

A dada altura, ela olha para ele e exclama:
- Oh! Senti o teu rabo tremer!
- Pudera! Dei um peido!

A culpa é do Veterinário :)

"Depois de ter analisado cerca de sete dezenas de amostras, a Deco/Proteste chegou à conclusão que a grande parte da carne de frango à venda no mercado nacional não tem qualidade."

Moda e Realeza



Muitas vezes hesito escrever sobre o Jet7 desta nossa Grande República (Hino!Bandeira! Expressão trágica e melancólica recordando as vítimas dos Descobrimentos!), mas num outro qualquer dia vi uma das melhores entrevistas da Sra Dona Lili Caneças - esse ícone da "Realeza" (Hello!?! Duh! Realize!!)Portuguesa.
Não posso precisar as palavras que foram proferidas na dita entrevista uma vez que fiquei um bocado incrédula com o que ouvia, mas tentarei descrever a situação BiZarRa!
A Lili empunhava o microfone de uma estação televisiva privada e entrevistava a "outra" da Moda (penso que era a Ana Salazar, mas isso é irrelevante). A conversa tinha como tema as tendências da estação, a beleza dos cabides (as manequins) e as cores mais "fashion" para este Inverno. Eis que Lili decide agarrar o tema (o das tendências da estação) e explorá-lo como ninguém!!
-Minha querida sabes que a tua irmã tem muito orgulho de ti! (Orgulho será uma nova tonalidade de rosa choque?)
-Ah bem...
-Aliás ela está aqui ao lado e não me deixa mentir! E ela tem orgulho de ti porque o teu pai era um dos melhores pintores do nosso país (a tal Grande República).
Não sei se percebi, a Lili entrevista uma estilista e ficamos a saber que a irmã da entrevistada tem orgulho da famosa por ela ter o mesmo pai, que por sua vez era pintor? Estou confusa :(
Mas quando achei que a conversa não podia piorar a Lili prossegue:
-Aiiiii o teu pai, era uma excelente pessoa, pintava cavalos como ninguém!! É que eu vivo ali do outro lado da rua, "neste" maravilhoso Cascais. Uma das memórias mais marcantes da minha vida foi quando o teu pai me levou a lanchar ao "Muchacho" (quando o Muchacho ainda era um barracão) e nós brincávamos as duas juntas e...e...e...e..e...
Pelo menos ficámos a saber que a Ana e a Lili são amigas de infância...
Mas, mas... eu assim não sei o que vestir este Inverno! Oh não!
Entretanto entra nas 4 linhas da emissão um "betinho", nada na moda,(segundo a Lili nascido no Castelo da Penha de "something", que hoje é um hotel)que faz declarações importantissimas:
-Acho que a moda deve continuar apesar da fome, das guerras e da crise. A moda é uma terapia, a moda é uma cura.
A cena televisiva acaba com um tipo de meia idade (ou idade completa não sei muito bem) a mostrar a sua camisola que já tem buracos e um tempo de vida equivalente a dez anos, no entanto ele diz que é fantástica porque foi comprada em Londres e quem a desenhou foi um fulanito tal italiano...
Meus caros leitores, se se cruzarem comigo e eu não estiver vestida segundo as tendências da moda...contactem a Lili e façam as vossas reclamações.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Ai!!! Vem aí!



Começaram a colocar as iluminações de Natal.
Tradução: A taxa de suicidio vai aumentar exponencialmente.

domingo, 26 de outubro de 2008

Bambis, Dumbos e Simbas

Tenho um amigo que durante anos viveu feliz!
Tudo corria bem no seu mundinho imaginário, e os "animaizinhos" estavam correctamente arrumados na sua mente, quase melhor, diria, que na Arca de Noé.
Numa conversa informal expressava os seus gostos pessoais: "Gosto de cães, não gosto de gatos, os elefantes são assim, os veados são engraçados, os bambis são amorosos, os..."
"Qué?"
Os Bambis? Mas, mas... O Bambi é um veado!!!
"Não!! Existem os veados e os bambis!! Ora que história!!"
Claro... existem os Bambis e os veados, os Simbas e os leões e os Dumbas e os elefantes!! Ignorância minha perdão!

Barbie

Há dias em que a menina acorda milagrosamente bem disposta :) , mas tão bem disposta que tem vontade de gritar “Bommmmmmmmmmmmmm dia meu POVO!!!”.
O pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia e é por isso que a menina salta para a mesa e erradamente, MUITO erradamente liga a televisão! Nooooooooo…A Mattel lançou um novo brinquedo (até aqui não há problema até porque estamos na fantástica e brilhante (aquilo são bidões de Volts) época do ano em que o Pai Natal anda a saltitar pelas ruas). Ora o brinquedo (diria de tortura) é a maravilhosa Barbie Veterinária / Chefe de cozinha (atenção: qualquer semelhança com a co-autora deste blog não pode ser pura coincidência – é uma conspiração!).
Procuro desesperadamente informação na Internet e encontro algo sobre a flor do mal: “Barbie é a melhor médica que um bichinho poderia ter. Carinhosa e prática, ela examina os cachorrinhos e gatinhos com todo o cuidado. Com estetoscópio, chapas de raio-x e acessórios iguais aos de uma veterinária de verdade, essa boneca não deixa nenhum animalzinho sem atendimento. Com essa doutora, todos os bichinhos passam bem.”
Eles dizem “animalzinho” e pior introduzem o termo “bichinho”!!! Já é duro abraçar de forma ignorante a carreira de Veterinária..mas agora ter que estar a altura da Barbieee?? Oh!! Jamais aguentaremos tal pressão!!! Buaaahhhh…

domingo, 19 de outubro de 2008

Unhacas

A minha avó tem, desde que me lembro, garras em vez de unhas. Nunca me incomodou até ao dia em que ela cravou as ditas no meu braço quando tentou entrar numa escada rolante da estação de metro da Baixa-Chiado. Depois aproveitou a deixa para passar o resto do passeio com elas enfiadas na minha musculatura pouco tonificada. Tinha um ar extasiado e comecei a desconfiar se a minha avó não seria um vampiro mutante que pode deslocar-se durante o dia e que obtém o sangue das vítimas através dos dedos. Um Blade feminino de 87 anos.



No outro dia partiu a unha do dedo médio. Apanhei-a a tentar aparar a unha com a tesoura da cozinha.

- Avó, há uma tesoura própria pra as unhas na casa de banho. Anda comigo que eu mostro-te onde está.
- Obrigada filhinha.
- Já agora aproveitas e cortas as outras também! - disse eu esperançada...
- Ah, não é preciso.
- É, é... (por favor...)
- Não, não.
- É sim senhor! Isso está enorme! Corta lá isso!

Já desesperava, só de pensar no passeio do dia seguinte.

- Olha lá, mas que dia é hoje? - pergunta a minha avó, como se se tratasse de uma questão essencial para o tema de conversa. A verdade é que se revelou ser uma pergunta de extrema importância...
- É dia 26. - respondeu o meu irmão que entretanto se juntou a nós na casa de banho, local onde ocorrem muitas reuniões familiares não premeditadas.
- Não, não. Que dia é hoje? Em que dia estamos?
O meu irmão olhou para mim com uma cara simultaneamente inexpressiva e com mensagens subliminares fraternais, com uma lente de contacto no dedo.
- É sexta-feira - respondi.
- Ora pois! Sexta-feira não é dia de cortar as unhas.

E abandonou a casa de banho para ir ver televisão.

Agora pergunto: face a esta resposta e a esta lógica, que responderiam vocês? É que nenhum de nós conseguiu argumentar.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

domingo, 12 de outubro de 2008

Dieta

Amanhã, as vossas bloguistas vão iniciar um processo de DIETA, que desta vez vai resultar a sério.

Temos neste momento 9 minutos para enfardar todas as gulodices da dispensa!

Ao ataaaaaaaaque!

Curriculum Vitae

Hoje, numa de "é desta que arranjo um emprego, o meu primeiro emprego!", decidi fazer o meu Curriculum Vitae, modelo europeu, claro.

Não sei se foi por não estar inspirada ou se realmente ainda não fiz nada de útil na vida, mas quando acabei de o fazer (em 20 minutos - tempo record, até para alguém com o 9º Ano de escolaridade), constatei que consistia em duas páginas com muitos espaços entre as linhas...

Se eu fosse boss de uma espelunca qualquer e me viesse parar este curriculo às mãos, mandava-o imediatamente para casa de banho, para aqueles dias em que falta o papel higiénico.

sábado, 11 de outubro de 2008

A good hair day

Um dia, quando estava a chegar a casa, estava um dos meus vizinhos da frente, um rapaz da minha idade, a tentar rodar a chave no canhão da porta de entrada. Não é mau jeito dele, aquilo está mesmo estragado (eu culpo o meu barulhento vizinho de cima, o que tem um amigo malcheiroso).

Finalmente consegue abrir a porta e entra no prédio; eu vou seguir os seus passos quando ouço: "Espera!".

Virei-me para a minha direita e vi-o... o mais belo rapaz a correr na minha direcção, longos cabelos ondulados a esvoaçar, sorriso divino e olhos negros e brilhantes... Corria para mim e sorria, tão contente, para mim... Pensei na diferença enorme que faz estar num dia em que o cabelo está realmente bonito, o poder que isso tem sobre os homens, a auto-confiaça que dá a uma mulher! Estendeu a mão...

Estava a escassos passos de mim, pelo que tudo isto demorou uns 3 segundos, mas para mim pareceu muito mais porque via tudo em câmara lenta.

"Espera por mim!" disse ele. Oh meu querido, eu esperei por ti toda a minha vida!

Estava já preparada para lhe pegar na mão mas de repente ela já estava preenchida por outra mão que não era a minha! Tudo começou a decorrer em velocidade normal e o gadalhudo mais bonito que já vi deu uma beijoca repenicada ao meu vizinho da frente e entraram os dois no prédio.

Uma bigorna invisível caiu-me em cima da cabeça, espalmando a minha auto-estima, e a porta fechou-se na minha cara.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Inspiração

Caros leitores,

existe uma questão, quase existencial, que vos preocupa. Uma questão ligada às vossas autoras bloguistas favoritas e elas estão conscientes do vosso dilema.

Bem sei que se perguntam a vocês próprios "onde, mas oh!, onde, vão buscar a inspiração?".

Meus caros, simpatizamos com a vossa agitação intelectual e como tal, aqui vai a resposta, diligente e na hora, para que não sofram mais e também para que se inspirem a construir blogs tão bons ou melhores que este:


Trata-se tão simplesmente de um cachimbo de água e um copinho de licor de maçã. Que tem isto de especial? Ora aqui vai o segredo, estimados leitores, e não precisam de ler qualquer livro: na água do cachimbo acrescentem umas gotinhas de limão e uma quantidade simpática de licor de maçã.

O tabaco deverá ser frutado; se tiver sabor a maçã, este será enaltecido pelo licor, mas poderão também utilizar tabaco com aroma a banana, malancia, menta, pêssego,... que depois terá um cheirinho a maçã, muito agradável. Ou então misturem um pouco de cada tabaco e obterão tutti-frutti.

Pondo tudo de forma muito simples: fumamos álcool.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Desabafo indignado

Acho extremamente injusto estar a chegar à faculdade às 10h e os alunos do ISCSP já terem terminado as aulas e como tal entrarem no autocarro em que acabo de chegar para irem para casa, enquanto eu ainda tenho palpações rectais para fazer até às 13h30, hora pela qual, apesar das bufas com molho que rebentam na minha cara e a caca mole que escorre pelo fato macaco e entra nas minhas galochas, só penso na fome que tenho e em como a aula nunca mais acaba para eu poder ir almoçar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Geriatric Hatred - Round 2 - Fight!

Hoje foi um dia normalíssimo da minha vida, ou seja, andei de autocarro. Mais precisamente no 758. Era uma hora do dia com poucas pessoas no 758 Cais do Sodré e sentei-me num lugar vazio. Era um lugar qualquer, no meio de outros tantos lugares vazios. Não era reservado a grávidas, senhoras com crianças ao colo, idosos ou deficientes. Era um lugar normalíssimo, num dia normalíssimo.

No Largo do Rato entraram várias pessoas no autocarro. Como é óbvio não me pus a observar cada pessoa que entrava, aliás estava perdida nos meus pensamentos. Mas senti... um olhar... fixo em mim... um olhar carregado de... ódio geriátrico...

Já familiarizada com este tipo de olhar (ler Um dia para me sentir bem comigo mesma) decidi enfrentá-lo com coragem heróica e dirigi um olhar cheio de autoconfiança e poder que dizia "O que é que foi?".

Era um típico velho lisboeta: 1,70m, quase careca mas ainda com uns insistentes e miseráveis cabelos (que deveriam ser brancos mas estão amarelados), nariz hipertrofiado e vermelho, vários dentes perdidos em combate, as orelhas... não vou falar delas. Camisa de riscas verticais cujos botões superiores estão desabotoados exibindo um tufo de pêlos, também amarelados, e de higiene duvidosa. Os botões inferiores mal encaixam na sua casa e fazem um esforço estóico por conter a barriga ascítica que se situa por cima de umas calças velhas e sujas. Nas mãos e às costas, vários sacos de plástico de volume considerável, certamente cheios de objectos completamente inúteis, roupa ou produtos alimentares.

O que se passa com os idosos? Não entendo este ódio dirigido. Queria o meu lugar? Detesto quando eles têm lugares preferidos...

Quando os nossos olhares se trocaram não houve uma medida de forças demorada. O senhor soltou um som peculiar, intrigante até. Uma mistura de grunhido de varrasco com um bufar de gato de rua. Tive medo, e desviei o olhar.

Sou uma cobarde...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Numa aula sobre gestação em éguas, o professor disse:
- Quando não sabemos quem é o pai, temos situações complicadas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

WCs internacionais - Parte I


São raras as casas de banho da Tunísia que não possuam uma misteriosa mangueira ao lado da sanita. Esta mangueira causou um enorme desassossego entre o meu grupo de amigos e companheiros de viagem, tendo mesmo gerado uma discussão acesa acerca da função do dito objecto.

O que parecia mais óbvio, para mim e para a minha amiga e colega de quarto Maria, era que a mangueira tivesse como função a higiene íntima da mulher mas como os rapazes acusavam a presença da estranha mangueira nos seus lavabos acabámos por concluir que fosse para lavar o rabiosque após o envio de um fax menos limpo. Depois pôs-se a hipótese do famoso clíster.
Como os autoclismos deste país, que serviu de cenário a famosos filmes como "O Paciente Inglês" e "A Guerra das Estrelas", são muito pouco potentes colocou-se a hipótese de ser um método auxiliar ao mecanismo do autoclismo.
Assim, andámos uns quantos dias com a questão nas nossas cabeças. Não que isto fosse crucial e que estivessemos sempre a pensar nisto, devo esclarecer! Antes porque, como é óbvio, uma pessoa vai várias vezes à casa de banho e, no nosso caso, que andámos de cidade em cidade, deparámo-nos com várias marcas e modalidades de mangueiras-mistério.

À medida que aprendiamos mais sobre o país, a sua cultura e a religião predominante, começámos a acreditar que a função da mangueira era tão-somente lavar os pés. E assim ficámos, convencidos que tinhamos desvendado problema da mangueira.

Para ter a certeza, perguntámos ao motorista do nosso 4x4, mas ele só falava árabe e francês e o nosso francês não foi o sufuciente para expor a questão. Ou então ele não quis responder.

No penúltimo dia da nossa viagem visitámos a bela cidade de Sidi Bou Said. Fomos numa carrinha cheia de outros turistas protugueses e fomos acompanhados por uma guia que falava espanhol. Aproveitámos logo para colocar a questão em palavras portunholas:
- Qué es el tubo que se encuentra en los lavabos?
- Cómo? El flexible?...
- Si...
- Es para... lavar el culo!...

O mistério foi resolvido, finalmente, e com um "Aaaaah!..." geral na carrinha - os outros portugueses também tinham a mesma dúvida...

O guia mudou rápida e estratégicamente de assunto:
- En Tunis los taxis son amarillos!...

Nota da autora: esquecemo-nos de tirar uma fotografia ao dito "flexible" pelo que adicionei uma fotografia que encontrei na Internet - nunca estive nesta casa de banho nem numa parecida.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Uma pessoa que diz um teni e uma calça é uma pessoa singular.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Histórias de sempre e histórias de agora

Jantar de família, sem homens. Três gerações. Eu. Mãe. Avó.

Eu contava uma escandalosa cena do dia-a-dia: um Lulu da Pomerânea (bem tosquiado por acaso - e ainda bem, permitam-me dizer) por quem passo todos os dias olha para mim com um ar tipo parvo. Deve ser por nos cruzarmos sempre no momento em que ele está a fazer um cocozito mole na árvore do costume (e daí a importância da boa tosquia). Nos momentos finais do nosso encontro diário, quando passo mesmo ao lado dele tenho de conter, com força sobre-humana, a vontade de lhe dar um pontapé.

E com esta deixa, a minha avozinha de 84 anos, que adoro, não perde tempo e começa a contar uma história que nunca tem final e que já ouvimos pelo menos 31455 vezes:
- Ai eu tinha tantos cães em casa do meu pai, oh Marianinha... Olha, era: o Piloto,... a Malhada,...
- A Jóia...
- A Jóia, e... era outra que não me lembra...
- Ruca.
- Nãaao...
- Médis?
- Não. Ai a Jóia... foi a primeira palavra que eu disse, foi dar nome à cadela... Jóia!...
- Whirlpool?
- Ãh?... Pu?
- Hehe...
- Ai a Jóiínha... Os filhos dela nasceram ao mesmo tempo que a minha mãe me deu luz a mim!...
- Muesli!
- Não...

Entretanto a minha mãe (que lê este blog - adoro-te mãezinha) engasga-se com a maçã e termina a conversa. Com pena minha e da minha avó: eu estou a ter o momento picardo do dia e ela, mais um vez, fica sem se lembar do nome do outro cão.

Sempre tive curiosidade em saber como chamavam à cadela antes da minha avó nascer e começar a falar... Um dia hei de perguntar; um dia que não tenha nada para fazer durante 4 horas e já esteja farta do repertório pouco vasto de histórias da minha avozinha linda.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Tv - Uma Verdadeira Enciclopédia


Diz que é quase o final de 5 longos anos a utilizar a expressão: "Eu hoje já disse que odeio isto?"...
Na tentativa de levar uma restia de sanidade mental até ao dia da libertação final vou, juntamente com amigas/amigos da tortura, correndo as bibliotecas e cantos afins dessa cidade: Universidade de Letras é sem duvida a preferida (a minha progenitora acha que se deve a uma pequena frustação por não frequentar a mesma, quem sabe...).Os dias vão passando nessa nobre biblioteca entre as sonecas, o sol das pirâmides, as visitas inesperadas de amigos, o radarizar de situações, o geladinho da época e as gargalhadas do desespero...(conseguisse eu manter a concentração por mais de 10 minutos!!!).
Já frequentamos o Aqua Roma, O Alvaláxia, O IST, O Tagus Park, Monsanto, O Ben and Jerry do Chiado, O Orgânico... e tudo e tudo e tudo... Recentemente descobrimos a biblioteca da FMUL (cof cof) e é boazita...pelo menos eu gosto bastante daquela máquina do café...é jeitosa...dá trocos, colher..não sabe a esturro...
Depois do choque inicial que foi não poder respirar (sem ser punido pelos estudantes autócnes), ainda por ali passei umas noites! O grande problema é que é impossivel estudar Veterinária sem fazer uma de duas coisas: desatar num pranto incoersível ou rir até sentir necessidade de usar Tenna Lady!
Para quem não acredita deixo uma mostra poética (parte integrante da bibliografia de Inspecção Sanitária II):
"O meio hidrico, é, simultaneamente, por assim dizer, a estrada, o caminho secundário, o meio de comunicação, o infantário, o pátio de recreio, a escola, o quarto, o leito, a mesa, a instalação sanitária, a enfermaria e a sepultura do peixe." (Será que sai em exame?)
Ora os futuros médicos deste país são muito muito sérios e cada vez que na minha mesa se esboçava um sorriso pré-gargalhada havia uma tensão agressiva no ar.... os seus olhos reviravam, ouvia-se um chiuuu e euzinha completamente inibida pois claro. A culpa não é deles, aliás invejo qualquer ser que consegue desligar o radar e concentrar-se por mais de 15 min ignorando estimulos exteriores...
Numa das conversas cientificas que tive com a minha companheira de mesa o tema foi o seguinte:
"Nitroglicerina? Ela não sabia o que era...diz que são uns adesivos!"
"Não sabe? É um vasodilatador, ora! Aquilo dá em todos os filmes!!! Eu vi no "Somethings gotta give" que não se pode inclusivamente usar com Viagra!"...
"Pois..."
Mais uns minutos de estudo (não) intensivo e de volta à conversa:
"Sabes o que é a Doença de Crohn?"
"Sei pois... É uma doença inflamatória do intestino que blá blá blá...vi no Tyra Show!
"Pahhhhhh ahahahha ahahah, será que não aprendemos nada nos livros? nas sebentas?"
Um olhar matador chegou da mesa do lado em nossa direcção - os senhores doutores queriam estudar e... na minha opinião, certamente não têm tempo para ver esses shows televisivos didácticos! Mas ... acho que teriam mais tempo para sair se largassem o Internal Medicine e vissem Tv - essa grande Enciclopédia!
Para celebrar o 50º Pensamento, nada mais apropriado que um Verdadeiro Pensamento das 2h47:

Dá Deus nozes a quem não tem dentes;
Mas também há quem tenha dentes e não tenha nozes.
O pior é quando não se tem dentes nem nozes.
Feliz de quem tem nozes e dentes.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

No 7º ano tive uma professora de Português que trocava os "L" pelos "G". Todos os dias gritava várias vezes:
- Caguem-se! Caguem-se todos!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Em tom de desabafo

FMV: feira das vaidades, teatro mal encenado... "Lembranças à mamã!" "Gravata ao papá!"
FARTA: O melhor ano? Erasmus muito muito longe!
Explode FMV!!!!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Piadinha veterinária

Estava eu a lavar as instalações reais do meu porquinho-da-índia (PI) na banheira, quando sua realeza decide fazer um cocozito no chão da casa de banho.
Entretanto, o meu irmão, que precisava de fazer um xixi antes de ir para uma festa de arromba, entrou na casa de banho e comentou:
- Esse porco já fez um cocó no chão.
- Uma pelota dura. - corrigi eu.
- Olha, eu é que vou fazer uma pelota mole! - brincou ele, na sua ignorância.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Boleia

Soltaram no passado dia 18 de Junho a máquina mais mortífera jamais concebida pelo Homem, neste caso um certo homem e uma certa mulher a quem carinhosamente chamo "pais". Pois é, aconteceu - passei no exame de condução e estou legalmente autorizada a conduzir um automóvel na via pública, para grande desgosto dos peões.

Depois de passar o exame, é natural que se olhe para trás com carinho, recordando as aulas mais marcantes. Se bem que existem algumas aulas que não queremos recordar e se o fazemos, certamente não será com carinho. A pior aula de condução que tive, a 10ª, foi quando tentei descer a Rua do Conde de Redondo em hora de ponta. Pára-arranca numa rua de inclinação acentuada é complicado para uma pessoa inexperiente que só andou nas belas e seguras planícies de Chelas. Não só ia batendo várias vezes no carro da frente como fiquei parada no meio de um cruzamento com toda a gente a apitar impacientemente... Devo aqui salientar que foi o instrutor que mandou avançar... Como banda sonora tinha a pior música de todos os tempos: "Trapped in the closet" de R. Kelly... Bom, não sei se era esta música, mas são todas iguais; o que interessa é o tipo de ambiente que se gerava no carro.

Mais ou menos a meio da infidável rua já me tinha habituado à ideia do pára-arranca; na verdade estava a tornar-se aborrecido, especialmente considerando que já tinha passado metade da aula e eu ainda não tinha usado a 3ª. Para animar as coisas, o Sr. Correia, o instrutor, teve um ataque de catarro e teve de abrir a janela para cuspir uma substância semi-sólida. Ao virar a cabeça para não ser testemunha ocular deste acto asqueroso fixei o olhar no retrovisor lateral do carro da frente onde um senhor tirava um macaco do nariz (e esse dito macaco devia estar na traqueia porque o dedo estava totalmente enfiado na narina). Depois atirou o macaco pela janela com um golpe de polegar e acertou, com uma precisão treinada, no vidro da janela do carro ao lado.

- Hoje cortei o cabelo! - disse o Sr. Correia, sorrindo e mostrando os quatro dentes que lhe restavam. Acho que era suposto eu ter reparado no novo corte, mas é difícil quando uma pessoa já é quase careca.
-Já me estava a fazer comichão nas orelhas - continuou.
Se tirasse os pêlos dos ouvidos que brotam como bolas de algodão teria muito mais efeito, mas isto é a minha opinião, que decidi não partilhar com ele.

Passados 20 minutos estávamos num bairro social da Bela Vista e à porta da próxima aluna do Sr. Correia. A moça não teve qualquer problema em pedir emprestado o telemóvel do Sr Correia:
- Oh Sr. Correia, empreste-me aí o tlemeóvel, se faz favor.
- O telemóvel? Para quê?
- É que a minha filha esta a tentar ligar-me mas não tem saldo e eu também não.
- Está bem... toma lá...
Entretanto passámos pela casa de mais duas alunas e o carro ficou cheio. Não estava particularmente atenta à conversa da moça nº1 mas de repente ela começou ao berros:
- Eu mato-te! Olha que vou aí e parto-te a cara toda! O quê? O QUÊ? Ahhhhhh, vais ficar sem dentes! Seu filho da mãe! Racho-te ao meio! Ahhhhh, 'tás lixado! Eu vou matar-te!
Pois claro que no meio desta gritaria e algazarra no bandco de trás, a minha concentração dispersou-se e ia chocando com o carro da frente. A moça nº1 não estava à espera de uma travagem bruta e saiu disparada para a frente (acho que não tinha cinto de segurança). Teria batido com a cabeça na minha cadeira se a moça nº2 não tivesse reflexos rápidos e tivesse puxado a moça nº1 pelo rabo de cavalo, impedindo que ela se magoasse.
- F***-**!!!
Silêncio absoluto no carro. Afinal quem ia morrer era eu e não o interlocutor da moça nº1.
- Ai desculpe, Sr Correia! Saiu-me! - disse a moça nº1 rindo.
Algo bipolar a moça nº1... Ao menos a travagem pôs fim à conversa desconcertante que estava a por toda a gente inconfortável.
A moça nº3 saiu numa rua qualquer para ir buscar o filho à escola. O banco de trás ficou mais espaçado e a moça nº2 chegou-se pronta e aliviadamente para o lado da janela.
- Olha lá, gostas de karaoke? - perguntou a moça nº1 à moça nº2, com um tom um pouco bruto.
A moça nº2 não respondeu... o seu olhar mostrava pânico... qual era resposta certa?
- É que eu gosto. E muito! Por isso vê lá!
- Ah, sim, gosto.
- Ya, é bué de fixe!
Acho que toda a gente sentiu alívio quando a conversa acabou por ali.

- Queres ir para casa ou para a escola, Mariana? Eu já estou um pouco atrasado - disse o Sr. Correia.
Ora, não seja por isso! Eu acelero o passo!
- Quero ir para casa.
E em 7 minutos cheguei a casa com comentários preocupados:
- Mais devagar, filha! Controla a máquina, Mariana! Depressa e bem não há quem, é ou não é?
- É uma grande verdade - respondi, mas nesse momento não me interessava o bem, só me interessava o depressa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A sede mata, logo há que matar a sede.