Depois de chegar uma hora atrasada ao exame oral de Clínica e Patologia das Doenças Infecciosas I e depois de o professor me perguntar a subida e descida do Estatuto Sanitário das explorações europeias relativamente à Brucelose (ao que respondi "Desisto, professor" - já bem basta estar potencialmente infectada com a bicheza por comer queijo fresco, não precisam de me fazer perguntas destas), decidi ir para casa.
Apanhei invariavelmente o 723 Desterro ainda a pensar porque raio me calhou a bola nº 3; fui a última pessoa a tirar a bola da urna (claro, tinha chegado atrasada porque não encontrava a sala de exame...) e a cada bola que os meus colegas tiravam eu rezava para que fosse a bola da Brucelose... alguém tinha de ficar com a prova da Brucelose! Quando chegou a minha vez restavam três bolas e calhou-me a nº 3. Obviamente.
No Marquês de Pombal a quase totalidade dos jovens saiu do autocarro para apanhar outro transporte da mesma categoria ou o metro, para depois apanhar outro autocarro e quiçá o comboio.
Restei eu como representante da juventude lisboeta no 723 Desterro; não havia pessoas de meia idade, apenas velhotes. Iniciou-se uma conversa com um final infeliz (para os lados da narradora):
"Está a ver este joelho?!" - guinchou uma velhota de metro e meio com várias ligaduras feiosas à volta do joelho. Bem podiam usar Vetrap que sempre é mais divertido.
O interlocutor da senhora era o marido desgastado e grisalho de uma senhora enrugada de cabelos de cor indefinida.
"Isto foram os estudantes que me empurram quando estava a entrar no autocarro!"
Logo os estudantes, pensei... há imensos jovens delinquentes, mas quem a empurrou foram estudantes... Vejam lá se ela se queixou quando o autocarro estava cheio desses belos espécimens da sociedade? Pois, fez uma espera e encurralou o único exemplar dessa subvalorizada categoria.
Senti vários olhares virados para mim.
"Empurraram-me e eu caí! E nem me ajudaram a levantar, os fedelhos!"
Olhares de profunda indignação na minha direcção, como se tivesse sido eu mesma a empurrar a senhora.
"Nem me ajudaram a levantar e fugiram na galhofa!"
Comecei a ter medo daqueles olhares...
"Estudantes! Não sei o que estudam hoje em dia! Não têm respeito nenhum!"
Ondas de puro ódio geriátrico batiam na minha cara como estaladas. Todo o autocarro olhava para mim como se fosse uma neo-nazi.
Não aguentei a pressão dos olhares e saí numa paragem que não era a minha.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Animal Hospital
Os meus amigos gostam de partilhar comigo as suas experiências particulares, o que eu acho excelente. Só não acho excelente quando a conversa começa com "Sabes aquela série que dá na Sic Mulher, num hospital veterinário?". Quando a conversa começa assim, é possível visualizar fumo a sair dos meus meatos acústicos externos, mas é preciso ter alguma atenção, porque normalmente o cabelo disfarça este fenómeno que tão bem caracteriza o meu estado de espírito quando ouço esta frase pela vigésima quinta vez na semana."Sabes aquela série que dá na Sic Mulher, Animal Hospital?"
"Sim, mas não vejo."
"Ohh, porquê? É tão gira!"
"Porque o meu dia-a-dia é exactamente aquilo que vês, por isso quando chego a casa não quero ver mais; quero ver séries fictícias ou estupidificantes. Qualquer coisa que não tenha a ver com veterinária."
"Ahh..."
E com isto penso ter posto um ponto final à conversa. Mas não...
"É que no outro dia foi tão engraçado, porque tratava-se de uma iguana que tinha engolido uma pedra enorme, via-se ao raio X e tudo! Sabes porquê?"
"Porque tinha falta de minerais."
"Sim! Foi isso que o veterinário disse! Viste esse episódio então!"
"Não, não vi..."
Era uma dica, mas pelos vistos foi demasiado subtil...
"E então o veterinário deu-lhe uma coisa na boca com uma seringa..."
"Parafina."
"Sim, exacto! E depois a pedra saiu..."
"No cocó, eu sei."
"Pois! Como é que sabes?"
Quando estiverem com um estudante de veterinária NÃO perguntem se conhece "aquela série que dá na Sic Mulher, Animal Hospital". É a mesma coisa que perguntar a um estudante de Medicina se já escolheu a especialidade (isto é uma dica...).
domingo, 17 de fevereiro de 2008
O prazer de estudar (com cheirinho a limão)
Tenho uma amiga que descobriu um novo local para estudar. Ela diz que já não consegue ir à biblioteca e em casa distrai-se...
Ela fala comigo e diz: "Este local é muito fixe!!! Fora o cheiro a esgoto, as baratas e o som do aspirador, estuda-se lá muito bem!".
Ela até costuma ser exigente, mas acho que o prazer de estudar é bem maior....
Ela fala comigo e diz: "Este local é muito fixe!!! Fora o cheiro a esgoto, as baratas e o som do aspirador, estuda-se lá muito bem!".
Ela até costuma ser exigente, mas acho que o prazer de estudar é bem maior....
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Aos donos de gatas
Não desesperem caros amigos! De alguma coisa serve o meu adorado curso - posso ajudar-vos.
As gatas não descansam (nem nos deixam descansar) enquanto não ovularem. Para que tal fenómeno ocorra têm de ser estimuladas por um macho. À falta de macho, ou se não querem que a vossa gata fique prenhe, apresento-vos a solução: vocês próprios podem estimular a ovulação da gata. Basta enfiar um cotonete no respectivo local, substituindo o gato. Podem também utilizar canetas Bic. As canetas Parker e Pelikan não têm um efeito tão satisfatório.
Serão abençoados com 15 dias de pura bonança porque após este divinal período de paz a vossa gata apercebe-se de que foi enganada e recomeça a demonstrar a sua luxúria. Podem repetir o processo até que acabe o período reprodutivo.
Ou simplesmete esterilizem a gata - os resultados são brilhantes e definitivamente duradouros e não têm de andar atrás da gata de quinze em quinze dias, quatro vezes por ano.
Boa sorte,
a vossa amiga, futura Sr.ª Veterinária.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Comentário a um blog
Tive o prazer de ler num blog (http://tulipaseperolas.blogs.sapo.pt/19940.html) o texto mais fofinho acerca dos veterinários! Mesmo fofinho. Mas tão idealisticamente errado...
Lamento desiludir-te, mas os animais não olharão para ti com profunda e verdadeira gratidão.
A próxima vez que te virem fogem ou atacam-te pois apenas te recordarão como aquela que lhes espetou a agulha, aquela que cortou demasiado as unhas, a que os cortou ao meio, a que os separou dos donos, a que lhes enfiou uma coisa pelo traseiro acima... Não te iludas, cara colega; nós só fazemos maldades aos bichos...
Lamento desiludir-te, mas os animais não olharão para ti com profunda e verdadeira gratidão.
A próxima vez que te virem fogem ou atacam-te pois apenas te recordarão como aquela que lhes espetou a agulha, aquela que cortou demasiado as unhas, a que os cortou ao meio, a que os separou dos donos, a que lhes enfiou uma coisa pelo traseiro acima... Não te iludas, cara colega; nós só fazemos maldades aos bichos...
Indignação
A nossa amada Ministra da Educação aprendeu uma palavra nova: "conforto". E não se cansa de a usar! Fala em conforto da situação e do conforto da educação... numa tentativa de apaziguar os revoltados manifestantes de hoje à tarde!
Como sabem é seu objectivo exterminar o Ensino Supletivo ou seja EXTINGUIR OS CANTORES. Mas isso não a impediu de ir assistir a um memorável concerto da Cecilia Bartoli na Gulbenkian (cuja direcção assinou unanimemente a petiçao Contra o Fim do Ensino Especializado da Música em Portugal).
A senhora foi sem vergonha assistir à performance de uma cantora lírica!
Como sabem é seu objectivo exterminar o Ensino Supletivo ou seja EXTINGUIR OS CANTORES. Mas isso não a impediu de ir assistir a um memorável concerto da Cecilia Bartoli na Gulbenkian (cuja direcção assinou unanimemente a petiçao Contra o Fim do Ensino Especializado da Música em Portugal).
A senhora foi sem vergonha assistir à performance de uma cantora lírica!
Realmente a próstata é um orgão que não me faz falta nenhuma...
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Verdadeiros pensamentos das 2h47
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Homo sapiens sapiens

Somos apenas humanos. E já é muito.
A posição erecta do Homem é o que o separa à primeira vista do resto do mundo animal. Toda a dignidade do Homem reside no facto de se locomover utilizando apenas os membros inferiores. É por isso que é quase impossível não soltar pelo menos um sorrisinho quando alguém cai.
É natureza humana procurar o transcendente e atingi-lo. A nossa mente é mais poderosa que uma bomba nuclear. Tomemos o exemplo da matemática - é pontífice máximo da inteligência humana, é pura, é perfeita. Chega mesmo a transcender muitas mentes humanas.
Mas, por outro lado, existe em cada um de nós um poderoso macaco. Por mais evoluído que o nosso intelecto seja, por mais limpa que a nossa alma esteja, há sempre a parte fisilógica da nossa máquina de sobrevivência - o corpo.
Corpo esse já tanto estudado com as nossas gloriosas 1.350 gramas de cérebro mas que ainda assim nos consegue surpreender com um fenómeno qualquer não tão evidente ao olho nu, deixando um trilho de pistas moleculares que nós seguimos alegremente e nos leva a uma porta que se abre num recreio infinito para o nosso intelecto.
A máquina, ao mesmo tempo que nos fascina, prende-nos e envergonha-nos. Porque mesmo a mais poderosa das mentes não consegue controlar necessidades corporais, básicas, iguais às dos outros seres filogenética, intelectual e espiritualmente inferiores.
Quantas ideias brilhantes se terão formado, quantas decisões importantes da História da Humanidade se terão tomado na latrina? Já diz, e muito bem, o povo há muitos séculos:
Caga o Rei,
Caga o Papa.
Sem cagar
Ninguém escapa.
Caga o Papa.
Sem cagar
Ninguém escapa.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Dia-a-dia do Médico Veterinário
Eu compreendo a importância da avaliação da consistênica das fezes na detecção de doenças. Não sei como é em Medicina Humana, mas as descrições que temos na nossa bibliografia são preciosamente deliciosas. Tomemos o exemplo da avaliação da consistênica das fezes de bovino, que temos de saber tão bem para o exame de Produção Animal:

1. Fezes aquosas e não reconhecidas como tal. Normalmente sinal de doença.
2. Fezes assemelham-se a pudim líquido. Quando expelidas espalham-se muito no solo.
3. Fezes assemelham-se a pudim espesso. Quando expelidas formam bolo fecal com cerca 2 cm espessura. A pressão com uma bota não deixa perfil e não é sentida sucção ao retirar. Ideal.
4. Fezes mais duras. Bolo fecal circunscrito, espalha-se pouco. É sentida sucção quando se retira bota e deixa perfil marcado. Som de chapa quando atingem o solo.
5. Fezes duras formando bolas. Pressão da bota deixa perfil marcado.
Qualquer um fica com fome depois de tal descrição. Um especial desejo por pudim, talvez?
Note-se bem que é necessária a avaliação sonora das fezes, o que pode implicar algum grau de perseguição, como um aficcionado, da nossa parte. Não está aqui descrito, mas o cheiro pode ser indicativo de uma panóplia de patologias. Felizmente ainda não inventaram um método que utilize o orgão dos sentidos que sobra. Acho especial piada a ter de realizar o Teste da Bota, aquele que evitamos concretizar todos os dias.

1. Fezes aquosas e não reconhecidas como tal. Normalmente sinal de doença.
2. Fezes assemelham-se a pudim líquido. Quando expelidas espalham-se muito no solo.
3. Fezes assemelham-se a pudim espesso. Quando expelidas formam bolo fecal com cerca 2 cm espessura. A pressão com uma bota não deixa perfil e não é sentida sucção ao retirar. Ideal.
4. Fezes mais duras. Bolo fecal circunscrito, espalha-se pouco. É sentida sucção quando se retira bota e deixa perfil marcado. Som de chapa quando atingem o solo.
5. Fezes duras formando bolas. Pressão da bota deixa perfil marcado.
Qualquer um fica com fome depois de tal descrição. Um especial desejo por pudim, talvez?
Note-se bem que é necessária a avaliação sonora das fezes, o que pode implicar algum grau de perseguição, como um aficcionado, da nossa parte. Não está aqui descrito, mas o cheiro pode ser indicativo de uma panóplia de patologias. Felizmente ainda não inventaram um método que utilize o orgão dos sentidos que sobra. Acho especial piada a ter de realizar o Teste da Bota, aquele que evitamos concretizar todos os dias.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Neverending story
O drama, a tragédia, o desespero, o horror... é estudar Medicina. Apenas três temas: aparelho urinário, aparelho cardiovascular e hematologia; 26 horas de aulas, 52 horas a passar os apontamentos confusos das aulas para os slides pouco informativos fornecidos pelos docentes; 156 horas interpretando os hieróglifos das sebentas na tentativa de compreender a fisiopatologia e os mecanismos que levam à doença. É assim que se estuda Medicina. Mas não é assim que se passa no exame.
Toda a gente sabe que para passar a esta gloriosa disciplina não é preciso perceber, compreender, interiorizar, explicar, relacionar. Baseado em listas anteriormente contruídas por alunos mais velhos e acrescentadas (sempre acrescentadas) de alguma informação desinteressante mas essencial para passar, o estudo acenta em decorar as intermináveis listas.
Decorar para mim é uma tarefa difícil dada a fraca capacidade que tenho de armazernar informação. Desconfio que o meu cérebro é mais pequeno que o normal. Cheguei a esta conclusão depois de imitar uns gadalhudos roqueiros que vi a abanar o capacete. Ao fim de duas voltas com a cabeça (tal Eica Toppinen) fiquei incrivelmente tonta, confusa, baralhada e enjoada durante um período de tempo que me pareceu longo mas que não posso precisar. Como é que eles conseguem? Só tenho duas explicações: ou eles estão tão drogados que não lhes faz diferença rodar incessantemente a cabeça ou meu cérebro, por ser pequenito, chocalha contra as paredes do crâneo quando dou voltas à tola. Assim explico a imensa dificuldade que tenho em estudar Medicina: cérebro reduzido e ainda por cima essencialmente direccionado para funções abstractas e pouco práticas como a imaginação e viagens temporo-espaciais num mundo pessoal.
Como sempre, e com boa vontade, inicio o meu estudo lendo o material fornecido pelos professores. Aparelho urinário: demorado, cansativo, compreensível; o material de estudo são os slides das aulas e artigos que a professora se orgulha de ter escrito há dez anos. Nunca mais acaba de matéria e já não posso mais ouvir falar em xixi. Recuso-me a ir à casa de banho só para não pensar nos processos de filtração, excreção e reabsorção renais que me perseguem. Aparelho cardiovascular: só há slides das aulas; não tenho apontamentos porque não fui às aulas. Passo à frente - já não estou muito bem disposta e sinto um desejo crescente de cometer um crime violento. Hematologia: relembro porque desisti de ir a essas aulas. Os apontamentos podiam estar noutra língua que era igual para mim. Ainda hoje tenho dúvidas se a lista de fármacos do slide nº 7 corresponde à terapia ou se são as drogas que não devemos usar. Nesta fase o desespero instala-se e a incredulidade da situação associada a uma sensação de experiência extra-corporal leva-me a dizer coisas feias, palavrões, momentos de pura loucura com gargalhadas dementes.
Medicina. É perigoso estudar sozinho. Nunca estudar Medicina sozinho... a taxa de suicídio é assustadoramente elevada (não me atrevo a dizer) e a percentagem de alunos que são internados em asilos psiquiátricos ronda os 86.3%. Estudo numa biblioteca com as minhas companheiras nesta demanda, nesta epopeia, nesta cruzada... Não é por estarmos descabeladas na biblioteca da Faculdade de Letras que nos acanhamos de exteriorizar a nossa indignação:
- Que merd@ é esta? - grita face a um conjunto de slides idiotas sem texto, apenas bolinhas e estrelinhas. - Mas deu-lhe para a veia artística?
Tendo em conta que esta minha amiga, Susy de nome, passa à frente qualquer coisa que se assemelhe a figuras, esquemas, algoritmos e quadros, não me admirei que explodisse de raiva face aos ditos slides. Eu pessoalmente perdi tempo a pintar bolinhas de vermelho, estrelinhas de amarelo, formas não-identificadas de azul...
- Ele precisava era de uma visita aos colonócitos!
Eu e a Chiquilin rimos; sabemos que é verdade. Mas choramos... o desespero é muito... a biblioteca vai fechar daqui a duas horas e nós continuamos sem perceber o essencial da hematologia.
Deparamo-nos com duas doenças, parecidas apesar de distintas, numa sebenta com média de 5 palavras por slide. O slides, cujos títulos eram ora A.H.I.M. ora A.H.A.I., alternavam entre as duas doenças sem sequência lógica. Inicialmente pensei que os slides ímpares correspondessem a uma doença e os pares à outra; afinal não. Apliquei a sequência de Fibonacci, mas também não era essa a chave.
A Susy nem se apercebeu deste facto, o que contribuiu para que ficasse mais descabelada, vermelha, olhos cada vez mais assassinos...
- Sabes Susy... - disse timidamente - estão aí duas doenças... é por isso que pintámos os slides de uma doença de cor-de-rosa e os outros de laranja...
Ela chorou um bocadinho e depois pôs-se a pintar...
- Parece que estou na primária e não percebo nada... O problema dele é que não tem filhos!... Sucker... - deprimimos mais um bocadinho juntas. - Tentativa número 4. - recompôs-se, dando-nos um bocadinho de esperança de que o final do túnel tivesse uma abertura e que a razão pela qual não viamos nenhuma luz não era porque o túnel era interminável...
Numa tentativa de compreender os slides começamos a ler artigos escritos também pelo professor. Ficámos na dúvida se estavam escritos em português; conseguimos identificar algumas palavras mas a maioria parecia estar numa língua ainda não oficial, provavelmente apenas acessível a uma elite da qual nunca faremos parte. Desejámos ter uma estenose sub-aórtica e sofrer uma morte súbita sem sinais premonitórios.
- Pá, isto só pode ser a gozar! - dizíamos constantemente. Eu começo a desconfiar que estamos num reallity-show japonês e que as pessoas se estão a rir à força toda com o nosso sofrimento.
Lendo esta prova de verdadeira demência continuo lunáticamente convencida de que o leitor não compreende o sofrimento atroz de um estudante de Medicina Veterinária. Mas eu tenho provas: há quem fique inclusivamente com insuficiência renal crónica a estudar esta cadeira. A minha amiga Chiquilin... coitada já apresentava sinais típicos desta doença potencialmente fatal: anorexia, perda de peso, depressão, letargia, hipotermia culminando em encefalopatia.
Ao Curso de Medicina Veterinária dedico o seguinte, inpirado num grande artista do século XX:
A própria Susy tem um peluche do Falkor - uma premonição dos pais de que ela seria protagonista de uma História Interminável. O Falkor disse uma vez a Atreyu, o rapaz guerreiro: "Nunca desistas e a boa sorte encontrar-te-á." Quando a Susy descobriu isto destruiu brutalmente o boneco.
Esperamos pelas notas do exame...
Toda a gente sabe que para passar a esta gloriosa disciplina não é preciso perceber, compreender, interiorizar, explicar, relacionar. Baseado em listas anteriormente contruídas por alunos mais velhos e acrescentadas (sempre acrescentadas) de alguma informação desinteressante mas essencial para passar, o estudo acenta em decorar as intermináveis listas.
Decorar para mim é uma tarefa difícil dada a fraca capacidade que tenho de armazernar informação. Desconfio que o meu cérebro é mais pequeno que o normal. Cheguei a esta conclusão depois de imitar uns gadalhudos roqueiros que vi a abanar o capacete. Ao fim de duas voltas com a cabeça (tal Eica Toppinen) fiquei incrivelmente tonta, confusa, baralhada e enjoada durante um período de tempo que me pareceu longo mas que não posso precisar. Como é que eles conseguem? Só tenho duas explicações: ou eles estão tão drogados que não lhes faz diferença rodar incessantemente a cabeça ou meu cérebro, por ser pequenito, chocalha contra as paredes do crâneo quando dou voltas à tola. Assim explico a imensa dificuldade que tenho em estudar Medicina: cérebro reduzido e ainda por cima essencialmente direccionado para funções abstractas e pouco práticas como a imaginação e viagens temporo-espaciais num mundo pessoal.
Como sempre, e com boa vontade, inicio o meu estudo lendo o material fornecido pelos professores. Aparelho urinário: demorado, cansativo, compreensível; o material de estudo são os slides das aulas e artigos que a professora se orgulha de ter escrito há dez anos. Nunca mais acaba de matéria e já não posso mais ouvir falar em xixi. Recuso-me a ir à casa de banho só para não pensar nos processos de filtração, excreção e reabsorção renais que me perseguem. Aparelho cardiovascular: só há slides das aulas; não tenho apontamentos porque não fui às aulas. Passo à frente - já não estou muito bem disposta e sinto um desejo crescente de cometer um crime violento. Hematologia: relembro porque desisti de ir a essas aulas. Os apontamentos podiam estar noutra língua que era igual para mim. Ainda hoje tenho dúvidas se a lista de fármacos do slide nº 7 corresponde à terapia ou se são as drogas que não devemos usar. Nesta fase o desespero instala-se e a incredulidade da situação associada a uma sensação de experiência extra-corporal leva-me a dizer coisas feias, palavrões, momentos de pura loucura com gargalhadas dementes.
Medicina. É perigoso estudar sozinho. Nunca estudar Medicina sozinho... a taxa de suicídio é assustadoramente elevada (não me atrevo a dizer) e a percentagem de alunos que são internados em asilos psiquiátricos ronda os 86.3%. Estudo numa biblioteca com as minhas companheiras nesta demanda, nesta epopeia, nesta cruzada... Não é por estarmos descabeladas na biblioteca da Faculdade de Letras que nos acanhamos de exteriorizar a nossa indignação:
- Que merd@ é esta? - grita face a um conjunto de slides idiotas sem texto, apenas bolinhas e estrelinhas. - Mas deu-lhe para a veia artística?
Tendo em conta que esta minha amiga, Susy de nome, passa à frente qualquer coisa que se assemelhe a figuras, esquemas, algoritmos e quadros, não me admirei que explodisse de raiva face aos ditos slides. Eu pessoalmente perdi tempo a pintar bolinhas de vermelho, estrelinhas de amarelo, formas não-identificadas de azul...
- Ele precisava era de uma visita aos colonócitos!
Eu e a Chiquilin rimos; sabemos que é verdade. Mas choramos... o desespero é muito... a biblioteca vai fechar daqui a duas horas e nós continuamos sem perceber o essencial da hematologia.
Deparamo-nos com duas doenças, parecidas apesar de distintas, numa sebenta com média de 5 palavras por slide. O slides, cujos títulos eram ora A.H.I.M. ora A.H.A.I., alternavam entre as duas doenças sem sequência lógica. Inicialmente pensei que os slides ímpares correspondessem a uma doença e os pares à outra; afinal não. Apliquei a sequência de Fibonacci, mas também não era essa a chave.
A Susy nem se apercebeu deste facto, o que contribuiu para que ficasse mais descabelada, vermelha, olhos cada vez mais assassinos...
- Sabes Susy... - disse timidamente - estão aí duas doenças... é por isso que pintámos os slides de uma doença de cor-de-rosa e os outros de laranja...
Ela chorou um bocadinho e depois pôs-se a pintar...
- Parece que estou na primária e não percebo nada... O problema dele é que não tem filhos!... Sucker... - deprimimos mais um bocadinho juntas. - Tentativa número 4. - recompôs-se, dando-nos um bocadinho de esperança de que o final do túnel tivesse uma abertura e que a razão pela qual não viamos nenhuma luz não era porque o túnel era interminável...
Numa tentativa de compreender os slides começamos a ler artigos escritos também pelo professor. Ficámos na dúvida se estavam escritos em português; conseguimos identificar algumas palavras mas a maioria parecia estar numa língua ainda não oficial, provavelmente apenas acessível a uma elite da qual nunca faremos parte. Desejámos ter uma estenose sub-aórtica e sofrer uma morte súbita sem sinais premonitórios.
- Pá, isto só pode ser a gozar! - dizíamos constantemente. Eu começo a desconfiar que estamos num reallity-show japonês e que as pessoas se estão a rir à força toda com o nosso sofrimento.
Lendo esta prova de verdadeira demência continuo lunáticamente convencida de que o leitor não compreende o sofrimento atroz de um estudante de Medicina Veterinária. Mas eu tenho provas: há quem fique inclusivamente com insuficiência renal crónica a estudar esta cadeira. A minha amiga Chiquilin... coitada já apresentava sinais típicos desta doença potencialmente fatal: anorexia, perda de peso, depressão, letargia, hipotermia culminando em encefalopatia.
Ao Curso de Medicina Veterinária dedico o seguinte, inpirado num grande artista do século XX:
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And look for what you seak
In the text
The explanation of your dreams
They made believe
It's there somewhere
Hidden in the lines
Nowhere in the pages
Is the answer to this
Neverending story
And look for what you seak
In the text
The explanation of your dreams
They made believe
It's there somewhere
Hidden in the lines
Nowhere in the pages
Is the answer to this
Neverending story
A própria Susy tem um peluche do Falkor - uma premonição dos pais de que ela seria protagonista de uma História Interminável. O Falkor disse uma vez a Atreyu, o rapaz guerreiro: "Nunca desistas e a boa sorte encontrar-te-á." Quando a Susy descobriu isto destruiu brutalmente o boneco.
Esperamos pelas notas do exame...
sábado, 19 de janeiro de 2008
Poeiras
Há determinados lugarejos com demasiadas P.E.s por metro quadrado.
Há demasiadas P.E.s!
Encontro uma Pessoa Estranha.
Viajo no metro, penso: "Este homem é duro e frio; e...é forte."
Um arrepio e desviei o olhar. Cinco minutos de intensa e dedicada contemplação do Estranho para mim.Aproxima-se:
"Desculpe, você tem poeira nas calças".
"Obrigado".
"Tire!"
Sacudo a poeira branca da indumentária negra (hoje não é um bom dia para ser fuzilada penso, é sábado).
"Ainda tem poeira nas calças! Tire-a!"
"Não faz mal, deixe estar, obrigado..."
"É melhor [furia] tirar."
Sacudo energicamene, irritad@, cansad@, invadid@... agora que relembro, desconfio até, que se fosse necessário cuspiria nas calças...nas dele...
"Estava a incomodar-me", melhor assim...percebe?"
Claro que percebo, corria risco de vida se aquela poeira continuasse sobre o fundo negro...
Pessoa Estranha levanta-se, leva consigo a poeira, a paranoia e o perfeccionismo. Eu fico ali, sentad@, imperfeit@, revirad@ mas viv@...
Há demasiadas P.E.s!
Encontro uma Pessoa Estranha.
Viajo no metro, penso: "Este homem é duro e frio; e...é forte."
Um arrepio e desviei o olhar. Cinco minutos de intensa e dedicada contemplação do Estranho para mim.Aproxima-se:
"Desculpe, você tem poeira nas calças".
"Obrigado".
"Tire!"
Sacudo a poeira branca da indumentária negra (hoje não é um bom dia para ser fuzilada penso, é sábado).
"Ainda tem poeira nas calças! Tire-a!"
"Não faz mal, deixe estar, obrigado..."
"É melhor [furia] tirar."
Sacudo energicamene, irritad@, cansad@, invadid@... agora que relembro, desconfio até, que se fosse necessário cuspiria nas calças...nas dele...
"Estava a incomodar-me", melhor assim...percebe?"
Claro que percebo, corria risco de vida se aquela poeira continuasse sobre o fundo negro...
Pessoa Estranha levanta-se, leva consigo a poeira, a paranoia e o perfeccionismo. Eu fico ali, sentad@, imperfeit@, revirad@ mas viv@...
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Ai a minha vida!!!
"Os Médicos Veterinários não podem prescindir de três condições: independência, disponibilidade e competência."
Are you ready?
Are you ready?
sábado, 12 de janeiro de 2008
Ossos do ofício
"Olha", disse a Susy, "o que é a metáfise?"
"É o meio do osso. Meta- de metade."
"Ahh... e isto?", perguntou apontando para a extremidade de um osso desenhado.
"É a epífise."
Setinha a indicar a epífise.
"Então e esta placa aqui entre as duas?"
"Não sei... placa de crescimento."
"Ahh...."
"Não estou a perceber nada disto", queixou-se passado dez minutos. Nem eu, pensei... ninguém percebe nada de brucelose... "Só me apetece é ganir.", continuava.
Nem eu, nem as cromas que fizeram estes apontamentos... nem o professor... nem a OIE, que escândalo! Acho que o Tiago tem brucelose. Dores de cabeça, dores na coluna, artrites. A brucelose é, na realidade, uma doença muito séria.
"Olha lá!", que agressividade... "Diz aqui que a metáfise é a placa de crescimento! Como é que se chama esta parte comprida?"
"Epífise, metáfise, paráfise!"
Um pequeno momento de silêncio.
"É diáfise!!! Tu estás a enganar-me!" e riscou furiosamente o desenho.
Eu preocupo-me com outras coisas... hoje de manhã comi um queijo fresco... não há maneira de saber se o leite foi devidamente pasteurizado... Eu e o Tiago temos os dias contados.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Café
O meu coração acelerou, as minhas pupilas dilataram e apesar de o meu cérebro estar próximo de um shut down definitivo os meus olhos estavam bem abertos e eu tinha um sorriso idiota na cara. Queria rir e não me calava. Os olhares reprovadores dos outros utilizadores da biblioteca não me afectavam. Queria saltar da janela do terceiro andar e voar enquanto cantava alto e bom som "I believe I can fly...".
Acontece o mesmo ao meu professor de Composição quando come arroz de cabidela.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Casos clínicos: ideias chave
A última escrita, quer acreditem ou não, um reunir de ideias soltas mas todas elas reais…a tal esquizofrenia prometida…
Chuvinha irritante, gentinha nervosa e o mesmo autocarro…
Uma pseudo francesa carrega uma vida e um rebanho: dois pela mão, um pela trela, dois por extensão e o último ao penduro (este ultimo ainda não distingue as formas nem as almas ainda que tenha a sensibilidade exacerbada). A Própria ocupa todos os lugares reservados a pessoas Especiais (!!!) e ainda mais alguns. “Oh faxavor!” – o mítico, educado e caloroso palavreado…para o soltar, a Própria já não é possuidora do título de pseudo francesa.
O suspenso gesticula e baba-se, os palhacinhos por extensão já se perderam no meio das grávidas, das beatas, dos reformados, dos universitários e dos beges (Essa gente que se veste de bege…sempre amorfa, indefinida e imparcial, quase inócua não me provocasse choque anafilático).
Não percebo porque um deles vem pela trela, desconfio que é por ser míope ou usar aparelho (perco sempre vários minutos a observar a arquitectura dos elásticos coloridos…acho que os deviam recomendar à gente que veste de bege…” be-ge” “ ge n te”).
Dos dois que viajam pela mão, só um não carrega chapéu-de-chuva, não usa botas ortopédicas mas joga a esquecida X-box “once in a while”.
Estou desconfiada: a senhora apresenta seis descendentes (todos em concordância de género e cores, distribuídos nos bancos vermelhos pela escadinha dos dias de vida e do calendário lunar), tem as unhas exemplarmente arranjadas, o cabelo alinhado e a roupa perfeita, não tem uma ruga e não acusa cansaço…no entanto faz-se acompanhar do tal jardim zoológico e frequenta “confortavelmente” o sistema (público?) de transportes urbanos…”Não visse, não acreditasse…”.
Acabo por ir até ao fim da linha, terminal fora de rota.
A senhora…aristocrata ou certamente adepta dessas seitas “shop-soy” (plantinhas em casa e dois piriquitos)! Hilariante! No ar. Perfume genuinamente francês. Disciplina de vida encaminhada e monótona (ainda que não se vista de bege) e o reforço de que os animais, ups! as crianças são o melhor da vida.
Continuo no mesmo autocarro, alheia à rota; deliciosas bolinhas de chuva.BOLAS?!!! A octogenária da frente não tem uma reforma ao nível da Tena Lady, há estado liquido no cinzento do transporte colectivo (e a chuva não bate assim!).
Ainda não pensei hoje nos mascarados… (continuo atenta raciocinio do vizinho de baixo).
Antes de ontem o esquizofrénico fez um buraco na porta da rua, espectáculo bonito, fê-lo com as unhas, com tempo, dedicação e método (não veste bege, não olha o chão). Também ele conhece o sistema de transportes (públicos?) urbano, percorre mensalmente a lista de todas as “carreiras” disponíveis, fá-lo por ordem numérica (o sistema rede 7 complicou-lhe a obsessão) e duas vezes por dia, cada dia uma rota diferente.
Encontrei o esquizofrénico no Pavilhão Atlântico, frio e desprovido de emoções mesmo no cenário cinematográfico série B – acompanhado pela família feliz (o anfitrião um dia resenhou “Portrait of a [Portuguese] family”). Vejo do camarote vip o vibrar da tribo “mata o teu canário, afoga o teu peixe, molesta a tua irmã, decapita o teu pai” nome gentilmente atribuído pelo dono do café… e penso…”não estamos mal de todo…”
Chuvinha irritante, gentinha nervosa e o mesmo autocarro…
Uma pseudo francesa carrega uma vida e um rebanho: dois pela mão, um pela trela, dois por extensão e o último ao penduro (este ultimo ainda não distingue as formas nem as almas ainda que tenha a sensibilidade exacerbada). A Própria ocupa todos os lugares reservados a pessoas Especiais (!!!) e ainda mais alguns. “Oh faxavor!” – o mítico, educado e caloroso palavreado…para o soltar, a Própria já não é possuidora do título de pseudo francesa.
O suspenso gesticula e baba-se, os palhacinhos por extensão já se perderam no meio das grávidas, das beatas, dos reformados, dos universitários e dos beges (Essa gente que se veste de bege…sempre amorfa, indefinida e imparcial, quase inócua não me provocasse choque anafilático).
Não percebo porque um deles vem pela trela, desconfio que é por ser míope ou usar aparelho (perco sempre vários minutos a observar a arquitectura dos elásticos coloridos…acho que os deviam recomendar à gente que veste de bege…” be-ge” “ ge n te”).
Dos dois que viajam pela mão, só um não carrega chapéu-de-chuva, não usa botas ortopédicas mas joga a esquecida X-box “once in a while”.
Estou desconfiada: a senhora apresenta seis descendentes (todos em concordância de género e cores, distribuídos nos bancos vermelhos pela escadinha dos dias de vida e do calendário lunar), tem as unhas exemplarmente arranjadas, o cabelo alinhado e a roupa perfeita, não tem uma ruga e não acusa cansaço…no entanto faz-se acompanhar do tal jardim zoológico e frequenta “confortavelmente” o sistema (público?) de transportes urbanos…”Não visse, não acreditasse…”.
Acabo por ir até ao fim da linha, terminal fora de rota.
A senhora…aristocrata ou certamente adepta dessas seitas “shop-soy” (plantinhas em casa e dois piriquitos)! Hilariante! No ar. Perfume genuinamente francês. Disciplina de vida encaminhada e monótona (ainda que não se vista de bege) e o reforço de que os animais, ups! as crianças são o melhor da vida.
Continuo no mesmo autocarro, alheia à rota; deliciosas bolinhas de chuva.BOLAS?!!! A octogenária da frente não tem uma reforma ao nível da Tena Lady, há estado liquido no cinzento do transporte colectivo (e a chuva não bate assim!).
Ainda não pensei hoje nos mascarados… (continuo atenta raciocinio do vizinho de baixo).
Antes de ontem o esquizofrénico fez um buraco na porta da rua, espectáculo bonito, fê-lo com as unhas, com tempo, dedicação e método (não veste bege, não olha o chão). Também ele conhece o sistema de transportes (públicos?) urbano, percorre mensalmente a lista de todas as “carreiras” disponíveis, fá-lo por ordem numérica (o sistema rede 7 complicou-lhe a obsessão) e duas vezes por dia, cada dia uma rota diferente.
Encontrei o esquizofrénico no Pavilhão Atlântico, frio e desprovido de emoções mesmo no cenário cinematográfico série B – acompanhado pela família feliz (o anfitrião um dia resenhou “Portrait of a [Portuguese] family”). Vejo do camarote vip o vibrar da tribo “mata o teu canário, afoga o teu peixe, molesta a tua irmã, decapita o teu pai” nome gentilmente atribuído pelo dono do café… e penso…”não estamos mal de todo…”
Megaesófago
As principais causas de morte devida a megaesófago (dilatação do esófago) são:
- pneumonia por aspiração
- eutanásia
sábado, 29 de dezembro de 2007
Citação
Existe nos confins da Ibéria um povo que não governa nem se deixa governar.
Gaius Julius Caeser (110 - 44 aC)
Gaius Julius Caeser (110 - 44 aC)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
duende natalicio
Hoje sonhei que um duende me dizia que já tivemos mais de cem visitantes no blog! bah tretas!!! Há mais de um mês que não escrevemos...
Claro que tal "bloqueio" provisório se deve única e exclusivamente ao facto das nossas vidas serem verdadeiramente emocionantes, tragicamente atarefadas e de queremos viver acesamente o espirito natalicio (blagghhh iuuuu pfff).
Boas festas senhores e senhoras etc. fim
Claro que tal "bloqueio" provisório se deve única e exclusivamente ao facto das nossas vidas serem verdadeiramente emocionantes, tragicamente atarefadas e de queremos viver acesamente o espirito natalicio (blagghhh iuuuu pfff).
Boas festas senhores e senhoras etc. fim
domingo, 11 de novembro de 2007
Teoria da Evolução

Não é de todo possível mascarar as minhas preferências pelo negro ou até pelo sinistro. Ainda assim, não posso descurar as noticias do "mundo laranja".
Seria bizarro não aproveitar qualquer história passível de ser alvo de um pensamento.
Uma estimada amiga trouxe-me noticias do mundo hippie (para mim localizado noutra qualquer galáxia!!!)...
Parece que existiu um tal de senhor Terence Mckenna (pelo que averiguei já finado), que dizia que os macacos evoluiram por causa dos CoGuMeLoS! (Esses mesmo que constam da lista das substâncias ilegais...)
Segundo palavras da minha amiga (que certamente se baseiam nas do senhor), os macacos desceram das frondosas árvores para poderem comer os atractivos CoGuMeLoS, adquirindo visão periférica (aquilo dilata as pupilas ainda que ilegalmente). Com esta visão, os macacos começaram a olhar atentamente para cada vez mais macacas. Iniciou-se desta forma uma valente macacada, e este aumento no campo da reprodução levou a uma maior variabilidade genética.
E assim nasceu o Homem!!!! Filho de um CoGuMeLo ilegal...
A minha amiga acrescenta ainda: "No fundo os fungos são eucariotas como os seres humanos!!". A proximidade é indiscutível! (??????) Não andará ela metida no consumo dos atractivos CoGuMeLoS?
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