segunda-feira, 23 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Boleia

Soltaram no passado dia 18 de Junho a máquina mais mortífera jamais concebida pelo Homem, neste caso um certo homem e uma certa mulher a quem carinhosamente chamo "pais". Pois é, aconteceu - passei no exame de condução e estou legalmente autorizada a conduzir um automóvel na via pública, para grande desgosto dos peões.

Depois de passar o exame, é natural que se olhe para trás com carinho, recordando as aulas mais marcantes. Se bem que existem algumas aulas que não queremos recordar e se o fazemos, certamente não será com carinho. A pior aula de condução que tive, a 10ª, foi quando tentei descer a Rua do Conde de Redondo em hora de ponta. Pára-arranca numa rua de inclinação acentuada é complicado para uma pessoa inexperiente que só andou nas belas e seguras planícies de Chelas. Não só ia batendo várias vezes no carro da frente como fiquei parada no meio de um cruzamento com toda a gente a apitar impacientemente... Devo aqui salientar que foi o instrutor que mandou avançar... Como banda sonora tinha a pior música de todos os tempos: "Trapped in the closet" de R. Kelly... Bom, não sei se era esta música, mas são todas iguais; o que interessa é o tipo de ambiente que se gerava no carro.

Mais ou menos a meio da infidável rua já me tinha habituado à ideia do pára-arranca; na verdade estava a tornar-se aborrecido, especialmente considerando que já tinha passado metade da aula e eu ainda não tinha usado a 3ª. Para animar as coisas, o Sr. Correia, o instrutor, teve um ataque de catarro e teve de abrir a janela para cuspir uma substância semi-sólida. Ao virar a cabeça para não ser testemunha ocular deste acto asqueroso fixei o olhar no retrovisor lateral do carro da frente onde um senhor tirava um macaco do nariz (e esse dito macaco devia estar na traqueia porque o dedo estava totalmente enfiado na narina). Depois atirou o macaco pela janela com um golpe de polegar e acertou, com uma precisão treinada, no vidro da janela do carro ao lado.

- Hoje cortei o cabelo! - disse o Sr. Correia, sorrindo e mostrando os quatro dentes que lhe restavam. Acho que era suposto eu ter reparado no novo corte, mas é difícil quando uma pessoa já é quase careca.
-Já me estava a fazer comichão nas orelhas - continuou.
Se tirasse os pêlos dos ouvidos que brotam como bolas de algodão teria muito mais efeito, mas isto é a minha opinião, que decidi não partilhar com ele.

Passados 20 minutos estávamos num bairro social da Bela Vista e à porta da próxima aluna do Sr. Correia. A moça não teve qualquer problema em pedir emprestado o telemóvel do Sr Correia:
- Oh Sr. Correia, empreste-me aí o tlemeóvel, se faz favor.
- O telemóvel? Para quê?
- É que a minha filha esta a tentar ligar-me mas não tem saldo e eu também não.
- Está bem... toma lá...
Entretanto passámos pela casa de mais duas alunas e o carro ficou cheio. Não estava particularmente atenta à conversa da moça nº1 mas de repente ela começou ao berros:
- Eu mato-te! Olha que vou aí e parto-te a cara toda! O quê? O QUÊ? Ahhhhhh, vais ficar sem dentes! Seu filho da mãe! Racho-te ao meio! Ahhhhh, 'tás lixado! Eu vou matar-te!
Pois claro que no meio desta gritaria e algazarra no bandco de trás, a minha concentração dispersou-se e ia chocando com o carro da frente. A moça nº1 não estava à espera de uma travagem bruta e saiu disparada para a frente (acho que não tinha cinto de segurança). Teria batido com a cabeça na minha cadeira se a moça nº2 não tivesse reflexos rápidos e tivesse puxado a moça nº1 pelo rabo de cavalo, impedindo que ela se magoasse.
- F***-**!!!
Silêncio absoluto no carro. Afinal quem ia morrer era eu e não o interlocutor da moça nº1.
- Ai desculpe, Sr Correia! Saiu-me! - disse a moça nº1 rindo.
Algo bipolar a moça nº1... Ao menos a travagem pôs fim à conversa desconcertante que estava a por toda a gente inconfortável.
A moça nº3 saiu numa rua qualquer para ir buscar o filho à escola. O banco de trás ficou mais espaçado e a moça nº2 chegou-se pronta e aliviadamente para o lado da janela.
- Olha lá, gostas de karaoke? - perguntou a moça nº1 à moça nº2, com um tom um pouco bruto.
A moça nº2 não respondeu... o seu olhar mostrava pânico... qual era resposta certa?
- É que eu gosto. E muito! Por isso vê lá!
- Ah, sim, gosto.
- Ya, é bué de fixe!
Acho que toda a gente sentiu alívio quando a conversa acabou por ali.

- Queres ir para casa ou para a escola, Mariana? Eu já estou um pouco atrasado - disse o Sr. Correia.
Ora, não seja por isso! Eu acelero o passo!
- Quero ir para casa.
E em 7 minutos cheguei a casa com comentários preocupados:
- Mais devagar, filha! Controla a máquina, Mariana! Depressa e bem não há quem, é ou não é?
- É uma grande verdade - respondi, mas nesse momento não me interessava o bem, só me interessava o depressa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A sede mata, logo há que matar a sede.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Saúde Pública - Certificado de Simpatia e Qualidade

Há dias em que, por intervenção quase divina, nos conseguimos cruzar com as pessoas mais doces, felizes e meigas que existem no planeta :)
Um dos hospitais públicos foi o cenário, a admnistrativa da função pública a detentora do papel principal...
Para mim, as salas de espera dos locais públicos são decididamente uns dos lugares mais apeteciveis para "radarizar" comportamentos e opiniões! Nesse dia completamente mal humurada e desgrenhada, o meu radar estava em manutenção...mas impossível não ouvir a conversa da administrativa:
"Sr Abílio! Atão mais conformado??? Vá lá habitue-se à ideia! Um dia todos MORREMOS! Não é para isso que cá andamos??? Ninguém fica cá para a semente! Sorria homem!"
Olho na direcção da conversa e ... íncrédula vejo um senhor na casa dos 70 anos, de bengala, curvado na direcção do chão, de mãos trémulas e triste:
"Sim...quer dizer ainda nao me habituei..."
"OH Ôme! Por favor resigne-se isto do cancro toca a todos!"
"Pois Pois..."
Depois de alguns minutos indecisa sobre o facto de estar mesmo a assistir a tamanha simpatia e afecto ou de ainda estar a sonhar um sonho de péssimo gosto, cheguei a conclusão que tinha sido diagnosticado ao senhor em questão um melanoma! (Simplesmente o cancro de pele mais grave que pode ser diagnosticado a uma pessoa e era suposto o senhor estar animado a deitar foguetes...não?).
14 minutos... o tempo que a madame aguentou antes de lançar outra onda de calor humano, boa vontade:
"Mas quem é que paga uma consulta de 2 euros e 10 centimos com 20 euros?"
"Quem? qualquer pessoa que vá antes de chegar ao multibanco!"
"Ai filha, havia de ser na Oftalmologia! Pegavas nas tuas perninhas e ias trocar ao café da esquina!"
Ora a senhora não era muito de se ficar, aliás tinha porte de pertencer a uma familia brazonada (mas duvido, porque se o fosse certamente estaria num consultório de um qualquer Doutour EU TENHO TANTOS NOMES QUE NEM CABEM NO CARTÂO DE VISITAS)
"Olhe desculpe lá faça aquilo para que lhe pagam e deixe de ser mal educada!"
Acreditei que isto chegasse para acalmar a administrativa, mas o golpe final chegou quando alguém pediu para levantar uma biópsia:
"AIII, oiçam lá (tom esganiçado e estridente) há mais alguém aqui que precise de levantar exames? Não estou para me levantar e sentar, levantar e sentar da cadeira...!"
Silencio geral...Neste ponto hibernei...tinha já os receptores da irritação totalmente desrregulados e sobrecarregados!!!
Depois de 3 horas e 52 minutos à espera lá entrei para o gabinete onde em 3 minutos e 25 segundos algém me conseguiu desmoralizar...mas isso são conversas para outro post!

domingo, 25 de maio de 2008

Dúvida existencial

"Ahhh!!! Então o hidrogénio é o oxigénio mergulhado em água????"

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Animal Hospital - versão portuguesa

No Hospital existe uma hierarquia estabelecida que dificilmente será alguma vez abalada.
Em primeiro lugar, no topo da cadeia alimentar, estão os Médicos Veterinários (MV). São seguidos pelas Auxiliares, que podem tratar por "tu" o MV e têm poder sobre ditador sobre os Estagiários, seres inferiores sem autorização para tirar sangue. Depois, vêem os Pacientes, leia-se Cãozinho e Gatinho, e depois destes os estudantes.

As funções dos estudantes são de extrema importância e não restam dúvidas do quão impriscindíveis são para o correcto funcionamento do Hospital:

1 - A principal e mais importnate função do estudante é olhar a parede. Olhar a parede é subvalorizado em outras instituções de ensino pois é precisamente por olhar durante horas para as paredes que estas se encontram com rachas e infiltrações, apesar da tenra idade das instalações.

2 - As funções secundárias dos estudantes não devem ser menosprezadas, porque são elas que no fundo permitem que o funcionamento do Hospital decorra dentro da normalidade:
  • ir à máquina tirar um café para o MV. Esta é uma tarefa que exige concentração e leitura óptica (literalmente a olho e sem auxílio de aparelhos) do nível de insulina dos MV. O estudante deve saber, ao olhar para o MV, se ele é ou não diabético porque se colocar aç'ucar no café pode ser acusado de homicídio em 1º grau.
  • ir buscar análises. Ninguém no seu perfeito estado de saúde mental se atreve a ir buscar as análises ao laboratório, pois é facto, e não lenda, que muitas pessoas não voltaram depois de uma incursão ao dito laboratório. No laboratório de análises existem mulheres de aparência perfeitamente inocente que, se lhes fizerem A Pergunta, se tranformam em monstros de três cabeças, com dentes afiados e 16 membros com ventosas! A Pergunta, vou escrevê-la aqui para o caso de alguém ter de ir buscar alguma análise, é: "As análises do (nome do Paciente) estão prontas?".
  • ir passear os Cães. É de longe a melhor tarefa que o estudante tem para fazer. Não é perigosa, na maioria das vezes, e exige movimentação (o que é conveniente que ocorra algures entre as 5h de turno no hospital). Claro que não é didática, mas tem o seu quê de dificuldade: é preciso ter cuidado com os sistemas de soro, não vá o Cão tropeçar.
A boa notícia é que o estudante passa directamente a Estagiário (não tem que ser Paciente) e depois pode passar directamente para MV sem parar na função de Auxiliar. Uma vez MV tudo lhe correrá de feição, a não ser que seja diabético e lhe dêem um café com açúcar.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Que caras são essas? Sono ou vontade de enfiar este quimioterápico directamente na veia?

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aromas das 7 Colinas

Devia ser proibido as pessoas cheirarem mal. Especialmente aquelas que andam de transportes públicos. É inadmissível que às 8h da manhã haja pessoas mal-cheirosas nos autocarros e no metro, porque a estas horas indecentes para se estar acordado as viaturas públicas vão sobrelotadas e têm muito mais utentes do que os previstos "33 passageiros em pé".
Como as ruas de Lisboa ganharam o Guiness na categoria de "buracos em alcatrão" é impreterível que os utentes se agarrem aos varões horizontais colocados acima do nível da cabeça. E é assim que se começa a propagar o odor desagradável e nauseabundo que sobe pelas narinas de pessoas como eu, que vão inocentemente (de banho tomado) a dormitar no autocarro e que acordam bruscamente, como se lhes tivessem espetado um picador de gelo na virilha. Para ajudar há sempre um tipo com um bafo matinal a álcool recozido que vai colado a nós.
Claro que nada disto é comparável com a essência tóxica que emana dos trabalhadores, estudantes, desempregados, pedintes e outros indefinidos lisboetas no regresso a casa. Já não é só o sovaco ácido e o hálito mortal que nos corroem a mucosa nasal! A roupa já sofreu processos químicos ao contactar com o suor e o cabelo já seboso de algumas pessoas mais descuidadas com a higiene pessoal liberta, com os movimentos da cabeça, brisas de frigideira usada há dois dias num jantar de famíla. Concentro-me nestes cheiros para ignorar os ténis do rapaz a meio metro de mim que, mesmo calçados, libertam um cheiro de fazer vomitar as tripas. Para alegrar a festa alguns engraçadinhos ainda soltam umas bufas podres.
Se pensava que, ao sair do metro aos empurrões e cotoveladas (sempre com um lenço na cara), me tinha livrado deste purgatório e podia finalmente descansar o meu aparelho respiratório, enganei-me redondamente. O amigo suspeito e fedorento do meu delinquente vizinho de cima estava sentado nas escadas do meu prédio. Por ter 16 anos, a mãe do fedelho mal-criado nem sempre o deixa sair mas isto não desmotiva o seu amigo, o texugo humanóide, que fica à sua espera o tempo que for preciso (o que pode levar horas). Enquanto espera vai impregnando a madeira das escadas e os tapetes das entradas com o aroma da sovaqueira mal lavada. Ou, provavelmente, não lavada de todo.
O martírio termina quando finalmente entro em casa. Pelo menos até descalçar os ténis.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Tenho um professor que aplica uma determinada frase a todas as doenças que tem o prazer de leccionar. Por exemplo:
- A Língua Azul é, na realidade, uma doença muito séria.
Como se alguma doença fosse para rir. Mas ele gosta de frisar este aspecto das patologias que afectam os nossos animais. As dos humanos são de certeza mais divertidas.

Relatório de uma aula de Reprodução

Hoje em dia existem cerca de 100 touros no mundo desenvolvido. Estes são touros topo de gama são, todos os anos, requisitados para um sessão fotográfica a fim de poderem constar numa revista como, por exemplo, o "Catálogo Rural" ou o "Catálogo de Reprodutores"; um género Ragazza Bovina para vacas. Toda a informação que queiram saber sobre o touro está discriminada: peso, altura, cor da pelagem, características dos cornos, filiação, parâmetros produtivos e reprodutivos, etc., acompanhado da referida fotografia, claro.
Cabe ao produtor de uma exploração bovina escolher o melhor touro tendo em conta o que quer melhorar nas suas vacas e a elasticidade do seu bolso...

Ora, como é que 100 touros conseguem engravidar milhares e milhares de vacas todos os anos? Nada mais simples do que um banco de esperma bovino especializado! Na verdade são chamados Centros de Inseminação Artificial e são constituídos por um grupo de elite de touros cujo sémen é recolhido, avaliado, testado, sexado e, na maioria das vezes, congelado.
Não são permitidas vacas nestes centros, como devem imaginar!... Então como se procede à recolha do sémen? Certamente nenhum homem com perfeita saúde mental se atreve a ir recolhê-lo com um copinho... E sem vacas, como é que estes animais com mais de meia tonelada e mau humor nos fornecem o produto cobiçado?
Ora, ninguém nasce ensinado e é por isso que tem de haver um treino prévio, que consiste em ensinar os touros a ejacular no manequim. Esse treino consiste em saltar um touro estrogenizado (isto é, ao qual foram administradas hormonas femininas); os touros mais inexperientes (virgens) devem assistir a estes saltos. Pura pornografia bovina... homossexual... ao vivo! E continuam a insistir que os veterinários são amigos dos animais...
Observem na figura seguinte um treino; as setas indicam touros que assistem ao treino para aprender.


Depois destes treinos em manequins vivos, o touro experiente passa a utilizar um manequim artificial onde descarrega a sua líbido duas vezes por semana. Após o serviço, o touro afasta-se e é possível observar um homem correr para recolher o precioso fluido (precioso porque vale umas centenas de euros). Um trabalho arriscado com muita adrenalina a correr no sistema circulatório...



Há quem se oponha a estes métodos ditos... pouco humanos... São gastos, nos dias que correm, milhares de euros em conferências internacionais sobre o bem estar animal, sendo um dos mais discutidos o tema da imaculada concepção! É com grande preocupação que os grandes cientistas discutam se será ético uma vaca nunca ver um touro à sua frente e nunca ser montada por ele. O cerne da questão é: como é o estado emocional da vaca após parir um vitelo? É que pensando bem, a coitada não conhece outra coisa que não vacas e de repente sai-lhe um tipo indefeso pela retaguarda!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Prefiro estar 4h a fazer palpação rectal em vacas com diarreia e flatulência do que 20min no hospital de animais de companhia.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando dizem palavrões, não é para nós

Eu já estava atrasada para uma aula no conservatório e quando isto acontece parece que as pessoas fazem de propósito para não passar nem deixar passar. Na Rua da Rosa havia mais trânsito que o costume e tive que subir a rua pelo passeio. De um lado da rua uma velhota andava devagar, do outro um miúdo inconsciente do perigo dos carros saltitava de um lado parao outro. Escolhi o lado da velhota, não sei porquê... Estava a tentar ultrapassá-la mas os carros passavam a uma velocidade superior à permitida nos limites da cidade e apenas me conseguia manter junto à senhora, atrás dela. Ela começou a gritar:
- Passa lá, vá! Fod@-se, c@ralho, put@ que o pariu! Passa lá, passa lá!
E depois encostou-se para eu passar, mas eu estava petrificada.
- Ah, desculpa filha! Pensei que fosses o meu neto!
Acho que sorri (não tenho a certeza) e passei. A senhora ainda gritou:
- Vai com Deus, filha! Vai com Deus!


domingo, 30 de março de 2008

terça-feira, 4 de março de 2008

Para filhos cujas mães têm 33 anos ou mais

No outro dia, o ano passado, estava a estudar com a Susy em minha casa. Entretanto chegou a minha mãe:
- Olá meninas! Que fazem? Ai, acabo de chegar da explicação! Correu bem. O meu aluno vai ter teste amanhã e estava muito nervoso. Ai! Estou estafada! Acho que vou ler um bocadinho antes de fazer o jantar. Isso é só estudo? Está a correr bem? Muito bem, muito bem!

É incrível como ela consegue construir um diálogo sozinha.

E o estudo continuou... A Susy lia os slides da aula sobre Insuficiência Cardíaca Esquerda e amaldiçoava o coração. Eu reparava na forma aerodinâmica do afia-lápis.

De longe ouvimos: AAAAAAAAAAAAAAAAACHTUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM

Ouviu-se no autocarro que saía da paragem mais próxima de casa.

- Isto foi um espirro? - perguntou a minha amiga.
- Sim.
- A minha mãe também espirra assim.
- É do 25 de Abril.

domingo, 2 de março de 2008

A pérola do Macdonalds

Os estrangeirismos provocam sempre algum desconforto no seio da classe sábia portuguesa.
Os idosos enrolam sempre a lingua, por mais ginasticada que esteja, um número de vezes superior ao necessário quando se trata de pronunciar as palavras importadas.
A titulo exemplificativo, tenho um familiar que adora os carros da "Volsevajen" (diz que têm os melhores motores, deixando de parte outros "hits" da engenharia mecânica).
Na área alimentar, a avó de uma colaboradora minha, janta de longe a longe no "Pato Donald" um hamburguer "gooossstouuuso". Mas este conceituado restaurante de fast-food é possuidor de inumeras alcunhas carinhosas....Ainda hoje numa das minhas incursões pela cidade ouvi um simpático peão alertar o outro:
"O Hospital ainda não é aqui senhora!!! Há que passar primeiro pelo Mike Donalds!!".
"Muito obrigada amigo."
Acho que foi por este motivo que surgiram as respeitadas Universidades da Terceira Idade...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Um dia para me sentir bem comigo mesma

Depois de chegar uma hora atrasada ao exame oral de Clínica e Patologia das Doenças Infecciosas I e depois de o professor me perguntar a subida e descida do Estatuto Sanitário das explorações europeias relativamente à Brucelose (ao que respondi "Desisto, professor" - já bem basta estar potencialmente infectada com a bicheza por comer queijo fresco, não precisam de me fazer perguntas destas), decidi ir para casa.

Apanhei invariavelmente o 723 Desterro ainda a pensar porque raio me calhou a bola nº 3; fui a última pessoa a tirar a bola da urna (claro, tinha chegado atrasada porque não encontrava a sala de exame...) e a cada bola que os meus colegas tiravam eu rezava para que fosse a bola da Brucelose... alguém tinha de ficar com a prova da Brucelose! Quando chegou a minha vez restavam três bolas e calhou-me a nº 3. Obviamente.

No Marquês de Pombal a quase totalidade dos jovens saiu do autocarro para apanhar outro transporte da mesma categoria ou o metro, para depois apanhar outro autocarro e quiçá o comboio.

Restei eu como representante da juventude lisboeta no 723 Desterro; não havia pessoas de meia idade, apenas velhotes. Iniciou-se uma conversa com um final infeliz (para os lados da narradora):
"Está a ver este joelho?!" - guinchou uma velhota de metro e meio com várias ligaduras feiosas à volta do joelho. Bem podiam usar Vetrap que sempre é mais divertido.
O interlocutor da senhora era o marido desgastado e grisalho de uma senhora enrugada de cabelos de cor indefinida.
"Isto foram os estudantes que me empurram quando estava a entrar no autocarro!"
Logo os estudantes, pensei... há imensos jovens delinquentes, mas quem a empurrou foram estudantes... Vejam lá se ela se queixou quando o autocarro estava cheio desses belos espécimens da sociedade? Pois, fez uma espera e encurralou o único exemplar dessa subvalorizada categoria.
Senti vários olhares virados para mim.
"Empurraram-me e eu caí! E nem me ajudaram a levantar, os fedelhos!"
Olhares de profunda indignação na minha direcção, como se tivesse sido eu mesma a empurrar a senhora.
"Nem me ajudaram a levantar e fugiram na galhofa!"
Comecei a ter medo daqueles olhares...
"Estudantes! Não sei o que estudam hoje em dia! Não têm respeito nenhum!"
Ondas de puro ódio geriátrico batiam na minha cara como estaladas. Todo o autocarro olhava para mim como se fosse uma neo-nazi.

Não aguentei a pressão dos olhares e saí numa paragem que não era a minha.

Animal Hospital

Os meus amigos gostam de partilhar comigo as suas experiências particulares, o que eu acho excelente. Só não acho excelente quando a conversa começa com "Sabes aquela série que dá na Sic Mulher, num hospital veterinário?". Quando a conversa começa assim, é possível visualizar fumo a sair dos meus meatos acústicos externos, mas é preciso ter alguma atenção, porque normalmente o cabelo disfarça este fenómeno que tão bem caracteriza o meu estado de espírito quando ouço esta frase pela vigésima quinta vez na semana.
"Sabes aquela série que dá na Sic Mulher, Animal Hospital?"
"Sim, mas não vejo."
"Ohh, porquê? É tão gira!"
"Porque o meu dia-a-dia é exactamente aquilo que vês, por isso quando chego a casa não quero ver mais; quero ver séries fictícias ou estupidificantes. Qualquer coisa que não tenha a ver com veterinária."
"Ahh..."
E com isto penso ter posto um ponto final à conversa. Mas não...
"É que no outro dia foi tão engraçado, porque tratava-se de uma iguana que tinha engolido uma pedra enorme, via-se ao raio X e tudo! Sabes porquê?"
"Porque tinha falta de minerais."
"Sim! Foi isso que o veterinário disse! Viste esse episódio então!"
"Não, não vi..."
Era uma dica, mas pelos vistos foi demasiado subtil...
"E então o veterinário deu-lhe uma coisa na boca com uma seringa..."
"Parafina."
"Sim, exacto! E depois a pedra saiu..."
"No cocó, eu sei."
"Pois! Como é que sabes?"

Quando estiverem com um estudante de veterinária NÃO perguntem se conhece "aquela série que dá na Sic Mulher, Animal Hospital". É a mesma coisa que perguntar a um estudante de Medicina se já escolheu a especialidade (isto é uma dica...).

domingo, 17 de fevereiro de 2008

O prazer de estudar (com cheirinho a limão)

Tenho uma amiga que descobriu um novo local para estudar. Ela diz que já não consegue ir à biblioteca e em casa distrai-se...
Ela fala comigo e diz: "Este local é muito fixe!!! Fora o cheiro a esgoto, as baratas e o som do aspirador, estuda-se lá muito bem!".
Ela até costuma ser exigente, mas acho que o prazer de estudar é bem maior....

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Aos donos de gatas

Quem tem gatas sabe que quando chega a altura do cio começa um verdadeiro pesadelo - as gatas ficam doidonas, histéricas, chatas, ninfomaníacas, para não mensionar os xixis de odor poderoso em locais indesejados...

Não desesperem caros amigos! De alguma coisa serve o meu adorado curso - posso ajudar-vos.

As gatas não descansam (nem nos deixam descansar) enquanto não ovularem. Para que tal fenómeno ocorra têm de ser estimuladas por um macho. À falta de macho, ou se não querem que a vossa gata fique prenhe, apresento-vos a solução: vocês próprios podem estimular a ovulação da gata. Basta enfiar um cotonete no respectivo local, substituindo o gato. Podem também utilizar canetas Bic. As canetas Parker e Pelikan não têm um efeito tão satisfatório.

Serão abençoados com 15 dias de pura bonança porque após este divinal período de paz a vossa gata apercebe-se de que foi enganada e recomeça a demonstrar a sua luxúria. Podem repetir o processo até que acabe o período reprodutivo.

Ou simplesmete esterilizem a gata - os resultados são brilhantes e definitivamente duradouros e não têm de andar atrás da gata de quinze em quinze dias, quatro vezes por ano.

Boa sorte,
a vossa amiga, futura Sr.ª Veterinária.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Comentário a um blog

Tive o prazer de ler num blog (http://tulipaseperolas.blogs.sapo.pt/19940.html) o texto mais fofinho acerca dos veterinários! Mesmo fofinho. Mas tão idealisticamente errado...

Lamento desiludir-te, mas os animais não olharão para ti com profunda e verdadeira gratidão.
A próxima vez que te virem fogem ou atacam-te pois apenas te recordarão como aquela que lhes espetou a agulha, aquela que cortou demasiado as unhas, a que os cortou ao meio, a que os separou dos donos, a que lhes enfiou uma coisa pelo traseiro acima... Não te iludas, cara colega; nós só fazemos maldades aos bichos...