sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Homo sapiens sapiens


Somos apenas humanos. E já é muito.

A posição erecta do Homem é o que o separa à primeira vista do resto do mundo animal. Toda a dignidade do Homem reside no facto de se locomover utilizando apenas os membros inferiores. É por isso que é quase impossível não soltar pelo menos um sorrisinho quando alguém cai.

É natureza humana procurar o transcendente e atingi-lo. A nossa mente é mais poderosa que uma bomba nuclear. Tomemos o exemplo da matemática - é pontífice máximo da inteligência humana, é pura, é perfeita. Chega mesmo a transcender muitas mentes humanas.

Mas, por outro lado, existe em cada um de nós um poderoso macaco. Por mais evoluído que o nosso intelecto seja, por mais limpa que a nossa alma esteja, há sempre a parte fisilógica da nossa máquina de sobrevivência - o corpo.

Corpo esse já tanto estudado com as nossas gloriosas 1.350 gramas de cérebro mas que ainda assim nos consegue surpreender com um fenómeno qualquer não tão evidente ao olho nu, deixando um trilho de pistas moleculares que nós seguimos alegremente e nos leva a uma porta que se abre num recreio infinito para o nosso intelecto.
A máquina, ao mesmo tempo que nos fascina, prende-nos e envergonha-nos. Porque mesmo a mais poderosa das mentes não consegue controlar necessidades corporais, básicas, iguais às dos outros seres filogenética, intelectual e espiritualmente inferiores.
Quantas ideias brilhantes se terão formado, quantas decisões importantes da História da Humanidade se terão tomado na latrina? Já diz, e muito bem, o povo há muitos séculos:

Caga o Rei,
Caga o Papa.
Sem cagar
Ninguém escapa.

1 comentário:

Luísa disse...

Fantástico, mais uma vez. Genial. Ninguém o diria melhor. Outra pérola dos cocós. Bravo!