quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Geriatric Hatred - Round 2 - Fight!

Hoje foi um dia normalíssimo da minha vida, ou seja, andei de autocarro. Mais precisamente no 758. Era uma hora do dia com poucas pessoas no 758 Cais do Sodré e sentei-me num lugar vazio. Era um lugar qualquer, no meio de outros tantos lugares vazios. Não era reservado a grávidas, senhoras com crianças ao colo, idosos ou deficientes. Era um lugar normalíssimo, num dia normalíssimo.

No Largo do Rato entraram várias pessoas no autocarro. Como é óbvio não me pus a observar cada pessoa que entrava, aliás estava perdida nos meus pensamentos. Mas senti... um olhar... fixo em mim... um olhar carregado de... ódio geriátrico...

Já familiarizada com este tipo de olhar (ler Um dia para me sentir bem comigo mesma) decidi enfrentá-lo com coragem heróica e dirigi um olhar cheio de autoconfiança e poder que dizia "O que é que foi?".

Era um típico velho lisboeta: 1,70m, quase careca mas ainda com uns insistentes e miseráveis cabelos (que deveriam ser brancos mas estão amarelados), nariz hipertrofiado e vermelho, vários dentes perdidos em combate, as orelhas... não vou falar delas. Camisa de riscas verticais cujos botões superiores estão desabotoados exibindo um tufo de pêlos, também amarelados, e de higiene duvidosa. Os botões inferiores mal encaixam na sua casa e fazem um esforço estóico por conter a barriga ascítica que se situa por cima de umas calças velhas e sujas. Nas mãos e às costas, vários sacos de plástico de volume considerável, certamente cheios de objectos completamente inúteis, roupa ou produtos alimentares.

O que se passa com os idosos? Não entendo este ódio dirigido. Queria o meu lugar? Detesto quando eles têm lugares preferidos...

Quando os nossos olhares se trocaram não houve uma medida de forças demorada. O senhor soltou um som peculiar, intrigante até. Uma mistura de grunhido de varrasco com um bufar de gato de rua. Tive medo, e desviei o olhar.

Sou uma cobarde...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Numa aula sobre gestação em éguas, o professor disse:
- Quando não sabemos quem é o pai, temos situações complicadas.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

WCs internacionais - Parte I


São raras as casas de banho da Tunísia que não possuam uma misteriosa mangueira ao lado da sanita. Esta mangueira causou um enorme desassossego entre o meu grupo de amigos e companheiros de viagem, tendo mesmo gerado uma discussão acesa acerca da função do dito objecto.

O que parecia mais óbvio, para mim e para a minha amiga e colega de quarto Maria, era que a mangueira tivesse como função a higiene íntima da mulher mas como os rapazes acusavam a presença da estranha mangueira nos seus lavabos acabámos por concluir que fosse para lavar o rabiosque após o envio de um fax menos limpo. Depois pôs-se a hipótese do famoso clíster.
Como os autoclismos deste país, que serviu de cenário a famosos filmes como "O Paciente Inglês" e "A Guerra das Estrelas", são muito pouco potentes colocou-se a hipótese de ser um método auxiliar ao mecanismo do autoclismo.
Assim, andámos uns quantos dias com a questão nas nossas cabeças. Não que isto fosse crucial e que estivessemos sempre a pensar nisto, devo esclarecer! Antes porque, como é óbvio, uma pessoa vai várias vezes à casa de banho e, no nosso caso, que andámos de cidade em cidade, deparámo-nos com várias marcas e modalidades de mangueiras-mistério.

À medida que aprendiamos mais sobre o país, a sua cultura e a religião predominante, começámos a acreditar que a função da mangueira era tão-somente lavar os pés. E assim ficámos, convencidos que tinhamos desvendado problema da mangueira.

Para ter a certeza, perguntámos ao motorista do nosso 4x4, mas ele só falava árabe e francês e o nosso francês não foi o sufuciente para expor a questão. Ou então ele não quis responder.

No penúltimo dia da nossa viagem visitámos a bela cidade de Sidi Bou Said. Fomos numa carrinha cheia de outros turistas protugueses e fomos acompanhados por uma guia que falava espanhol. Aproveitámos logo para colocar a questão em palavras portunholas:
- Qué es el tubo que se encuentra en los lavabos?
- Cómo? El flexible?...
- Si...
- Es para... lavar el culo!...

O mistério foi resolvido, finalmente, e com um "Aaaaah!..." geral na carrinha - os outros portugueses também tinham a mesma dúvida...

O guia mudou rápida e estratégicamente de assunto:
- En Tunis los taxis son amarillos!...

Nota da autora: esquecemo-nos de tirar uma fotografia ao dito "flexible" pelo que adicionei uma fotografia que encontrei na Internet - nunca estive nesta casa de banho nem numa parecida.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Uma pessoa que diz um teni e uma calça é uma pessoa singular.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Histórias de sempre e histórias de agora

Jantar de família, sem homens. Três gerações. Eu. Mãe. Avó.

Eu contava uma escandalosa cena do dia-a-dia: um Lulu da Pomerânea (bem tosquiado por acaso - e ainda bem, permitam-me dizer) por quem passo todos os dias olha para mim com um ar tipo parvo. Deve ser por nos cruzarmos sempre no momento em que ele está a fazer um cocozito mole na árvore do costume (e daí a importância da boa tosquia). Nos momentos finais do nosso encontro diário, quando passo mesmo ao lado dele tenho de conter, com força sobre-humana, a vontade de lhe dar um pontapé.

E com esta deixa, a minha avozinha de 84 anos, que adoro, não perde tempo e começa a contar uma história que nunca tem final e que já ouvimos pelo menos 31455 vezes:
- Ai eu tinha tantos cães em casa do meu pai, oh Marianinha... Olha, era: o Piloto,... a Malhada,...
- A Jóia...
- A Jóia, e... era outra que não me lembra...
- Ruca.
- Nãaao...
- Médis?
- Não. Ai a Jóia... foi a primeira palavra que eu disse, foi dar nome à cadela... Jóia!...
- Whirlpool?
- Ãh?... Pu?
- Hehe...
- Ai a Jóiínha... Os filhos dela nasceram ao mesmo tempo que a minha mãe me deu luz a mim!...
- Muesli!
- Não...

Entretanto a minha mãe (que lê este blog - adoro-te mãezinha) engasga-se com a maçã e termina a conversa. Com pena minha e da minha avó: eu estou a ter o momento picardo do dia e ela, mais um vez, fica sem se lembar do nome do outro cão.

Sempre tive curiosidade em saber como chamavam à cadela antes da minha avó nascer e começar a falar... Um dia hei de perguntar; um dia que não tenha nada para fazer durante 4 horas e já esteja farta do repertório pouco vasto de histórias da minha avozinha linda.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Tv - Uma Verdadeira Enciclopédia


Diz que é quase o final de 5 longos anos a utilizar a expressão: "Eu hoje já disse que odeio isto?"...
Na tentativa de levar uma restia de sanidade mental até ao dia da libertação final vou, juntamente com amigas/amigos da tortura, correndo as bibliotecas e cantos afins dessa cidade: Universidade de Letras é sem duvida a preferida (a minha progenitora acha que se deve a uma pequena frustação por não frequentar a mesma, quem sabe...).Os dias vão passando nessa nobre biblioteca entre as sonecas, o sol das pirâmides, as visitas inesperadas de amigos, o radarizar de situações, o geladinho da época e as gargalhadas do desespero...(conseguisse eu manter a concentração por mais de 10 minutos!!!).
Já frequentamos o Aqua Roma, O Alvaláxia, O IST, O Tagus Park, Monsanto, O Ben and Jerry do Chiado, O Orgânico... e tudo e tudo e tudo... Recentemente descobrimos a biblioteca da FMUL (cof cof) e é boazita...pelo menos eu gosto bastante daquela máquina do café...é jeitosa...dá trocos, colher..não sabe a esturro...
Depois do choque inicial que foi não poder respirar (sem ser punido pelos estudantes autócnes), ainda por ali passei umas noites! O grande problema é que é impossivel estudar Veterinária sem fazer uma de duas coisas: desatar num pranto incoersível ou rir até sentir necessidade de usar Tenna Lady!
Para quem não acredita deixo uma mostra poética (parte integrante da bibliografia de Inspecção Sanitária II):
"O meio hidrico, é, simultaneamente, por assim dizer, a estrada, o caminho secundário, o meio de comunicação, o infantário, o pátio de recreio, a escola, o quarto, o leito, a mesa, a instalação sanitária, a enfermaria e a sepultura do peixe." (Será que sai em exame?)
Ora os futuros médicos deste país são muito muito sérios e cada vez que na minha mesa se esboçava um sorriso pré-gargalhada havia uma tensão agressiva no ar.... os seus olhos reviravam, ouvia-se um chiuuu e euzinha completamente inibida pois claro. A culpa não é deles, aliás invejo qualquer ser que consegue desligar o radar e concentrar-se por mais de 15 min ignorando estimulos exteriores...
Numa das conversas cientificas que tive com a minha companheira de mesa o tema foi o seguinte:
"Nitroglicerina? Ela não sabia o que era...diz que são uns adesivos!"
"Não sabe? É um vasodilatador, ora! Aquilo dá em todos os filmes!!! Eu vi no "Somethings gotta give" que não se pode inclusivamente usar com Viagra!"...
"Pois..."
Mais uns minutos de estudo (não) intensivo e de volta à conversa:
"Sabes o que é a Doença de Crohn?"
"Sei pois... É uma doença inflamatória do intestino que blá blá blá...vi no Tyra Show!
"Pahhhhhh ahahahha ahahah, será que não aprendemos nada nos livros? nas sebentas?"
Um olhar matador chegou da mesa do lado em nossa direcção - os senhores doutores queriam estudar e... na minha opinião, certamente não têm tempo para ver esses shows televisivos didácticos! Mas ... acho que teriam mais tempo para sair se largassem o Internal Medicine e vissem Tv - essa grande Enciclopédia!
Para celebrar o 50º Pensamento, nada mais apropriado que um Verdadeiro Pensamento das 2h47:

Dá Deus nozes a quem não tem dentes;
Mas também há quem tenha dentes e não tenha nozes.
O pior é quando não se tem dentes nem nozes.
Feliz de quem tem nozes e dentes.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

No 7º ano tive uma professora de Português que trocava os "L" pelos "G". Todos os dias gritava várias vezes:
- Caguem-se! Caguem-se todos!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Em tom de desabafo

FMV: feira das vaidades, teatro mal encenado... "Lembranças à mamã!" "Gravata ao papá!"
FARTA: O melhor ano? Erasmus muito muito longe!
Explode FMV!!!!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Piadinha veterinária

Estava eu a lavar as instalações reais do meu porquinho-da-índia (PI) na banheira, quando sua realeza decide fazer um cocozito no chão da casa de banho.
Entretanto, o meu irmão, que precisava de fazer um xixi antes de ir para uma festa de arromba, entrou na casa de banho e comentou:
- Esse porco já fez um cocó no chão.
- Uma pelota dura. - corrigi eu.
- Olha, eu é que vou fazer uma pelota mole! - brincou ele, na sua ignorância.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Boleia

Soltaram no passado dia 18 de Junho a máquina mais mortífera jamais concebida pelo Homem, neste caso um certo homem e uma certa mulher a quem carinhosamente chamo "pais". Pois é, aconteceu - passei no exame de condução e estou legalmente autorizada a conduzir um automóvel na via pública, para grande desgosto dos peões.

Depois de passar o exame, é natural que se olhe para trás com carinho, recordando as aulas mais marcantes. Se bem que existem algumas aulas que não queremos recordar e se o fazemos, certamente não será com carinho. A pior aula de condução que tive, a 10ª, foi quando tentei descer a Rua do Conde de Redondo em hora de ponta. Pára-arranca numa rua de inclinação acentuada é complicado para uma pessoa inexperiente que só andou nas belas e seguras planícies de Chelas. Não só ia batendo várias vezes no carro da frente como fiquei parada no meio de um cruzamento com toda a gente a apitar impacientemente... Devo aqui salientar que foi o instrutor que mandou avançar... Como banda sonora tinha a pior música de todos os tempos: "Trapped in the closet" de R. Kelly... Bom, não sei se era esta música, mas são todas iguais; o que interessa é o tipo de ambiente que se gerava no carro.

Mais ou menos a meio da infidável rua já me tinha habituado à ideia do pára-arranca; na verdade estava a tornar-se aborrecido, especialmente considerando que já tinha passado metade da aula e eu ainda não tinha usado a 3ª. Para animar as coisas, o Sr. Correia, o instrutor, teve um ataque de catarro e teve de abrir a janela para cuspir uma substância semi-sólida. Ao virar a cabeça para não ser testemunha ocular deste acto asqueroso fixei o olhar no retrovisor lateral do carro da frente onde um senhor tirava um macaco do nariz (e esse dito macaco devia estar na traqueia porque o dedo estava totalmente enfiado na narina). Depois atirou o macaco pela janela com um golpe de polegar e acertou, com uma precisão treinada, no vidro da janela do carro ao lado.

- Hoje cortei o cabelo! - disse o Sr. Correia, sorrindo e mostrando os quatro dentes que lhe restavam. Acho que era suposto eu ter reparado no novo corte, mas é difícil quando uma pessoa já é quase careca.
-Já me estava a fazer comichão nas orelhas - continuou.
Se tirasse os pêlos dos ouvidos que brotam como bolas de algodão teria muito mais efeito, mas isto é a minha opinião, que decidi não partilhar com ele.

Passados 20 minutos estávamos num bairro social da Bela Vista e à porta da próxima aluna do Sr. Correia. A moça não teve qualquer problema em pedir emprestado o telemóvel do Sr Correia:
- Oh Sr. Correia, empreste-me aí o tlemeóvel, se faz favor.
- O telemóvel? Para quê?
- É que a minha filha esta a tentar ligar-me mas não tem saldo e eu também não.
- Está bem... toma lá...
Entretanto passámos pela casa de mais duas alunas e o carro ficou cheio. Não estava particularmente atenta à conversa da moça nº1 mas de repente ela começou ao berros:
- Eu mato-te! Olha que vou aí e parto-te a cara toda! O quê? O QUÊ? Ahhhhhh, vais ficar sem dentes! Seu filho da mãe! Racho-te ao meio! Ahhhhh, 'tás lixado! Eu vou matar-te!
Pois claro que no meio desta gritaria e algazarra no bandco de trás, a minha concentração dispersou-se e ia chocando com o carro da frente. A moça nº1 não estava à espera de uma travagem bruta e saiu disparada para a frente (acho que não tinha cinto de segurança). Teria batido com a cabeça na minha cadeira se a moça nº2 não tivesse reflexos rápidos e tivesse puxado a moça nº1 pelo rabo de cavalo, impedindo que ela se magoasse.
- F***-**!!!
Silêncio absoluto no carro. Afinal quem ia morrer era eu e não o interlocutor da moça nº1.
- Ai desculpe, Sr Correia! Saiu-me! - disse a moça nº1 rindo.
Algo bipolar a moça nº1... Ao menos a travagem pôs fim à conversa desconcertante que estava a por toda a gente inconfortável.
A moça nº3 saiu numa rua qualquer para ir buscar o filho à escola. O banco de trás ficou mais espaçado e a moça nº2 chegou-se pronta e aliviadamente para o lado da janela.
- Olha lá, gostas de karaoke? - perguntou a moça nº1 à moça nº2, com um tom um pouco bruto.
A moça nº2 não respondeu... o seu olhar mostrava pânico... qual era resposta certa?
- É que eu gosto. E muito! Por isso vê lá!
- Ah, sim, gosto.
- Ya, é bué de fixe!
Acho que toda a gente sentiu alívio quando a conversa acabou por ali.

- Queres ir para casa ou para a escola, Mariana? Eu já estou um pouco atrasado - disse o Sr. Correia.
Ora, não seja por isso! Eu acelero o passo!
- Quero ir para casa.
E em 7 minutos cheguei a casa com comentários preocupados:
- Mais devagar, filha! Controla a máquina, Mariana! Depressa e bem não há quem, é ou não é?
- É uma grande verdade - respondi, mas nesse momento não me interessava o bem, só me interessava o depressa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A sede mata, logo há que matar a sede.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Saúde Pública - Certificado de Simpatia e Qualidade

Há dias em que, por intervenção quase divina, nos conseguimos cruzar com as pessoas mais doces, felizes e meigas que existem no planeta :)
Um dos hospitais públicos foi o cenário, a admnistrativa da função pública a detentora do papel principal...
Para mim, as salas de espera dos locais públicos são decididamente uns dos lugares mais apeteciveis para "radarizar" comportamentos e opiniões! Nesse dia completamente mal humurada e desgrenhada, o meu radar estava em manutenção...mas impossível não ouvir a conversa da administrativa:
"Sr Abílio! Atão mais conformado??? Vá lá habitue-se à ideia! Um dia todos MORREMOS! Não é para isso que cá andamos??? Ninguém fica cá para a semente! Sorria homem!"
Olho na direcção da conversa e ... íncrédula vejo um senhor na casa dos 70 anos, de bengala, curvado na direcção do chão, de mãos trémulas e triste:
"Sim...quer dizer ainda nao me habituei..."
"OH Ôme! Por favor resigne-se isto do cancro toca a todos!"
"Pois Pois..."
Depois de alguns minutos indecisa sobre o facto de estar mesmo a assistir a tamanha simpatia e afecto ou de ainda estar a sonhar um sonho de péssimo gosto, cheguei a conclusão que tinha sido diagnosticado ao senhor em questão um melanoma! (Simplesmente o cancro de pele mais grave que pode ser diagnosticado a uma pessoa e era suposto o senhor estar animado a deitar foguetes...não?).
14 minutos... o tempo que a madame aguentou antes de lançar outra onda de calor humano, boa vontade:
"Mas quem é que paga uma consulta de 2 euros e 10 centimos com 20 euros?"
"Quem? qualquer pessoa que vá antes de chegar ao multibanco!"
"Ai filha, havia de ser na Oftalmologia! Pegavas nas tuas perninhas e ias trocar ao café da esquina!"
Ora a senhora não era muito de se ficar, aliás tinha porte de pertencer a uma familia brazonada (mas duvido, porque se o fosse certamente estaria num consultório de um qualquer Doutour EU TENHO TANTOS NOMES QUE NEM CABEM NO CARTÂO DE VISITAS)
"Olhe desculpe lá faça aquilo para que lhe pagam e deixe de ser mal educada!"
Acreditei que isto chegasse para acalmar a administrativa, mas o golpe final chegou quando alguém pediu para levantar uma biópsia:
"AIII, oiçam lá (tom esganiçado e estridente) há mais alguém aqui que precise de levantar exames? Não estou para me levantar e sentar, levantar e sentar da cadeira...!"
Silencio geral...Neste ponto hibernei...tinha já os receptores da irritação totalmente desrregulados e sobrecarregados!!!
Depois de 3 horas e 52 minutos à espera lá entrei para o gabinete onde em 3 minutos e 25 segundos algém me conseguiu desmoralizar...mas isso são conversas para outro post!

domingo, 25 de maio de 2008

Dúvida existencial

"Ahhh!!! Então o hidrogénio é o oxigénio mergulhado em água????"

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Animal Hospital - versão portuguesa

No Hospital existe uma hierarquia estabelecida que dificilmente será alguma vez abalada.
Em primeiro lugar, no topo da cadeia alimentar, estão os Médicos Veterinários (MV). São seguidos pelas Auxiliares, que podem tratar por "tu" o MV e têm poder sobre ditador sobre os Estagiários, seres inferiores sem autorização para tirar sangue. Depois, vêem os Pacientes, leia-se Cãozinho e Gatinho, e depois destes os estudantes.

As funções dos estudantes são de extrema importância e não restam dúvidas do quão impriscindíveis são para o correcto funcionamento do Hospital:

1 - A principal e mais importnate função do estudante é olhar a parede. Olhar a parede é subvalorizado em outras instituções de ensino pois é precisamente por olhar durante horas para as paredes que estas se encontram com rachas e infiltrações, apesar da tenra idade das instalações.

2 - As funções secundárias dos estudantes não devem ser menosprezadas, porque são elas que no fundo permitem que o funcionamento do Hospital decorra dentro da normalidade:
  • ir à máquina tirar um café para o MV. Esta é uma tarefa que exige concentração e leitura óptica (literalmente a olho e sem auxílio de aparelhos) do nível de insulina dos MV. O estudante deve saber, ao olhar para o MV, se ele é ou não diabético porque se colocar aç'ucar no café pode ser acusado de homicídio em 1º grau.
  • ir buscar análises. Ninguém no seu perfeito estado de saúde mental se atreve a ir buscar as análises ao laboratório, pois é facto, e não lenda, que muitas pessoas não voltaram depois de uma incursão ao dito laboratório. No laboratório de análises existem mulheres de aparência perfeitamente inocente que, se lhes fizerem A Pergunta, se tranformam em monstros de três cabeças, com dentes afiados e 16 membros com ventosas! A Pergunta, vou escrevê-la aqui para o caso de alguém ter de ir buscar alguma análise, é: "As análises do (nome do Paciente) estão prontas?".
  • ir passear os Cães. É de longe a melhor tarefa que o estudante tem para fazer. Não é perigosa, na maioria das vezes, e exige movimentação (o que é conveniente que ocorra algures entre as 5h de turno no hospital). Claro que não é didática, mas tem o seu quê de dificuldade: é preciso ter cuidado com os sistemas de soro, não vá o Cão tropeçar.
A boa notícia é que o estudante passa directamente a Estagiário (não tem que ser Paciente) e depois pode passar directamente para MV sem parar na função de Auxiliar. Uma vez MV tudo lhe correrá de feição, a não ser que seja diabético e lhe dêem um café com açúcar.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Que caras são essas? Sono ou vontade de enfiar este quimioterápico directamente na veia?

terça-feira, 29 de abril de 2008

Aromas das 7 Colinas

Devia ser proibido as pessoas cheirarem mal. Especialmente aquelas que andam de transportes públicos. É inadmissível que às 8h da manhã haja pessoas mal-cheirosas nos autocarros e no metro, porque a estas horas indecentes para se estar acordado as viaturas públicas vão sobrelotadas e têm muito mais utentes do que os previstos "33 passageiros em pé".
Como as ruas de Lisboa ganharam o Guiness na categoria de "buracos em alcatrão" é impreterível que os utentes se agarrem aos varões horizontais colocados acima do nível da cabeça. E é assim que se começa a propagar o odor desagradável e nauseabundo que sobe pelas narinas de pessoas como eu, que vão inocentemente (de banho tomado) a dormitar no autocarro e que acordam bruscamente, como se lhes tivessem espetado um picador de gelo na virilha. Para ajudar há sempre um tipo com um bafo matinal a álcool recozido que vai colado a nós.
Claro que nada disto é comparável com a essência tóxica que emana dos trabalhadores, estudantes, desempregados, pedintes e outros indefinidos lisboetas no regresso a casa. Já não é só o sovaco ácido e o hálito mortal que nos corroem a mucosa nasal! A roupa já sofreu processos químicos ao contactar com o suor e o cabelo já seboso de algumas pessoas mais descuidadas com a higiene pessoal liberta, com os movimentos da cabeça, brisas de frigideira usada há dois dias num jantar de famíla. Concentro-me nestes cheiros para ignorar os ténis do rapaz a meio metro de mim que, mesmo calçados, libertam um cheiro de fazer vomitar as tripas. Para alegrar a festa alguns engraçadinhos ainda soltam umas bufas podres.
Se pensava que, ao sair do metro aos empurrões e cotoveladas (sempre com um lenço na cara), me tinha livrado deste purgatório e podia finalmente descansar o meu aparelho respiratório, enganei-me redondamente. O amigo suspeito e fedorento do meu delinquente vizinho de cima estava sentado nas escadas do meu prédio. Por ter 16 anos, a mãe do fedelho mal-criado nem sempre o deixa sair mas isto não desmotiva o seu amigo, o texugo humanóide, que fica à sua espera o tempo que for preciso (o que pode levar horas). Enquanto espera vai impregnando a madeira das escadas e os tapetes das entradas com o aroma da sovaqueira mal lavada. Ou, provavelmente, não lavada de todo.
O martírio termina quando finalmente entro em casa. Pelo menos até descalçar os ténis.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Tenho um professor que aplica uma determinada frase a todas as doenças que tem o prazer de leccionar. Por exemplo:
- A Língua Azul é, na realidade, uma doença muito séria.
Como se alguma doença fosse para rir. Mas ele gosta de frisar este aspecto das patologias que afectam os nossos animais. As dos humanos são de certeza mais divertidas.

Relatório de uma aula de Reprodução

Hoje em dia existem cerca de 100 touros no mundo desenvolvido. Estes são touros topo de gama são, todos os anos, requisitados para um sessão fotográfica a fim de poderem constar numa revista como, por exemplo, o "Catálogo Rural" ou o "Catálogo de Reprodutores"; um género Ragazza Bovina para vacas. Toda a informação que queiram saber sobre o touro está discriminada: peso, altura, cor da pelagem, características dos cornos, filiação, parâmetros produtivos e reprodutivos, etc., acompanhado da referida fotografia, claro.
Cabe ao produtor de uma exploração bovina escolher o melhor touro tendo em conta o que quer melhorar nas suas vacas e a elasticidade do seu bolso...

Ora, como é que 100 touros conseguem engravidar milhares e milhares de vacas todos os anos? Nada mais simples do que um banco de esperma bovino especializado! Na verdade são chamados Centros de Inseminação Artificial e são constituídos por um grupo de elite de touros cujo sémen é recolhido, avaliado, testado, sexado e, na maioria das vezes, congelado.
Não são permitidas vacas nestes centros, como devem imaginar!... Então como se procede à recolha do sémen? Certamente nenhum homem com perfeita saúde mental se atreve a ir recolhê-lo com um copinho... E sem vacas, como é que estes animais com mais de meia tonelada e mau humor nos fornecem o produto cobiçado?
Ora, ninguém nasce ensinado e é por isso que tem de haver um treino prévio, que consiste em ensinar os touros a ejacular no manequim. Esse treino consiste em saltar um touro estrogenizado (isto é, ao qual foram administradas hormonas femininas); os touros mais inexperientes (virgens) devem assistir a estes saltos. Pura pornografia bovina... homossexual... ao vivo! E continuam a insistir que os veterinários são amigos dos animais...
Observem na figura seguinte um treino; as setas indicam touros que assistem ao treino para aprender.


Depois destes treinos em manequins vivos, o touro experiente passa a utilizar um manequim artificial onde descarrega a sua líbido duas vezes por semana. Após o serviço, o touro afasta-se e é possível observar um homem correr para recolher o precioso fluido (precioso porque vale umas centenas de euros). Um trabalho arriscado com muita adrenalina a correr no sistema circulatório...



Há quem se oponha a estes métodos ditos... pouco humanos... São gastos, nos dias que correm, milhares de euros em conferências internacionais sobre o bem estar animal, sendo um dos mais discutidos o tema da imaculada concepção! É com grande preocupação que os grandes cientistas discutam se será ético uma vaca nunca ver um touro à sua frente e nunca ser montada por ele. O cerne da questão é: como é o estado emocional da vaca após parir um vitelo? É que pensando bem, a coitada não conhece outra coisa que não vacas e de repente sai-lhe um tipo indefeso pela retaguarda!