segunda-feira, 11 de maio de 2009

Livro Infantil Alemão








Mas é assim, não é?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Confianças com as alunas

No placard do 4º ano estava pendurado o seguinte anúncio:

Para a aula de palpação rectal é necessário trazer o vestuário/calçado que julguem adequado.

Na minha interpretação deste pertinente aviso, não é obrigatório a utilização de qualquer de material específico, sendo que cada um decide que protecção acha necessária. Alunos mais velhos já me tinham avisado que é mais fácil ter falta por excesso de material do que por falta de material. Passo a explicar: o professor não podia importar-se menos se estamos de cuecas a fazer a palpação rectal, o que lhe interessa é que tenhamos as unhas curtas e que não usemos pulseiras ou anéis. Se isto acontece, ou roemos as unhas ou temos falta, porque não podemos realizar a aula.

Ora, umas inocentes raparigas Italianas, que vieram em Erasmus estudar para a nossa bem-amada Faculdade, não trouxeram o dito material de proteção. Vinham todas contentinhas com as suas calças à pirata, sabrinas e uma bata curta, por cima do joelho. O professor não se inibiu de comentar:
- You'll regret not wearing protection... - disse, com cara de quem estava a fazer um trocadilho sobre o uso de preservativo.
- Why?
- You'll see, babes... You'll see...

Uma curiosidade: fiz esta aula com umas belíssimas unhas pintadas de... vermelho! Foi uma bela de uma tourada.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O conceito de que há sempre lugar para mais um, só é válido para um tema e apenas um tema em concreto:
O concurso de quantas pessoas cabem num automóvel Twingo...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Lost

Há três semanas perdi o meu Lisboa Viva. Deixei-o cair na estação de Metro do Colégio Militar. Fiquei bastante chateada, irritada, mal disposta, mal humorada e com urticária atrás do joelho. Pedi imediatamente um novo, que foi feito com urgência e passado uns dias tinha um Passe que reluzia e cheirava a plástico. Coloquei-o orgulhosamente numa bolsinha verde do Banco Agrícola para que não perdesse rapidamente essas maravilhosas características!

Ontem perdi esse Passe. Não sei onde o perdi. Infelizmente não posso telefonar para ele, porque não toca. Arrumei o meu quarto a fundo na esperança de o encontrar. Procurei-o no carro do meu irmão e no carro da minha mãe. Procurei-o em todos os bolsos de todas as calças e de todos os casacos. Arrumei a dispensa e descobri o par perdido dos meus ténis azuis e uma receita médica fora do prazo. Mas o paradeiro do Lisboa Viva continua uma incógnita. Está perdido. Para sempre.

Ser eu cansa.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Revolução dos Cravos e a Metrossexualidade dos Touros


Recentemente estive num encontro nacional de prestigiados Veterinários e aspirantes a tão nobre posição na teia social.
O encontro durou todo o fim de semana e coincidiu com as comemorações da Revolução dos Cravos: o 25 de Abril! Mas claro, a plateia só se emocionou quando um qualquer orador referiu que 25 de Abril era um dia importantíssimo e que todos os Portugueses deviam comemorar esta data:
Comemora-se no dia 25 de Abril o Dia Mundial da Veterinária, uma ocasião organizada desde 2000 pela Associação Veterinária Mundial (WVA) e pela OIE – Organização Mundial de Saúde Animal.

Mais importante que este deslize no patriotismo, para mim, foi uma palestra sobre Touros de Lide (independentemente das conclusões a tirar deste post gostei muito da dita palestra).


Imagine-se que a tendência para a metrossexualidade já chegou ao campo, aos mais (ou menos) garbosos Touros de Lide das mais conceituadas ganadarias! (Oléee toiiiiiiro liiiiindo!!!).

Um distinto Veterinário deu a conhecer à mais ilustre plateia de sempre das Jornadas em questão, algumas das mais importantes técnicas cirúrgicas que em muito contribuem para a saúde e bem estar dos Toiros Portugueses:



É do senso comum que apenas Touros em plena saúde e em excelentes condições físicas (e com TUDO no sítio!) podem "debater-se com honra" (sublinho que a expressão é de um qualquer betinho brazonado) nas arenas. Desta forma, estão a ser realizadas as seguintes cirurgias:


a) Implante de caudas por inteiro ou apenas por extensões das mesmas:



Existentes com as mais variadas cores e tonalidades (para aplicar no local onde deveriam estar as ausentes caudas por defeito genético ou trauma). É também possível escolher no matadouro fornecedor o comprimento e os reflexos das ditas caudas, resultantes do abate de umas grandessíssimas vacas...


b) Implante de testículos de silicone:



Consiste em dar alguma dignidade aos desgraçados dos Touros que por alguma infelicidade perderam parte do seu abono de familia. A técnica cirurgíca é refinada: é feita uma incisão na virilha do animal, colocado um preservativo (de preferência não usado) e de seguida o mesmo é injectado com silicone de reparação das casas de banho.



E voilá! A cirurgia estética é o Futuro da Veterinária em Portugal...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

As mosquinhas que entram no nariz são inconvenientes. Como a verdade.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Sui genericidade dos bairros lisboetas - II

Hoje a minha avó contou-me que uma senhora que também frenquenta o seu Centro de Dia, teve uma aflição na noite anterior e foi preciso chamar o INEM.

A ambulância chegou rapidamente à Rua Palmira e os paramédicos ajudaram diligentemente a velhota num momento tão difícil. Acharam pertinente levá-la ao hospital para acompanhamento médico, mas quando desceram as escadas do prédio e sairam para a rua com a senhora ao colo não encontraram a ambulância.

Tinha sido roubada.

domingo, 19 de abril de 2009

Sabedoria Ribatejana

Vacas filhas de um cabr@o! São tão reles que até cagam Merd@!

sábado, 18 de abril de 2009

Episódio trágico-cómico



O ano de 2009 não tem sido generoso para os meus pequenos animais de estimação.

Em Fevereiro, o meu porquinho-da-índia sucumbiu ao tratamento de uma pneumonia, que consistia num antibiótico que, vim mais tarde a perceber, destruia a flora intestinal destes roedores, conduzindo-os inevitavelmente a uma morte diarreica.

O meu hamster teve uma morte mais rápida e provavelmente com menos sofrimento. Mas foi uma morte macabra. Ele foi... assassinado. Assassinado por mim, a dona.

Speedy Suicidy, era o seu nome. Era um Hamster Anão Russo Siberiano, mais rápido que uma bala e tinha tendências suicidas, atirando-se repetidas vezes de alturas mortais. A sua alimentação era à base de sementes de girassol. Pacientemente, tirava a casca e deliciava-se com a semente. Não tão pacientemente se preocupava com o brio das suas instalações residenciais e deixava as cascas espalhadas pela gaiola de três andares.

Eu, a dona, zelosa do seu bem estar, limpava as cascas, aspirando-as, uma técnica totalmente segura: enquanto o Speedy estava num andar, eu aspirava o outro.

Ontem, realizava essa tarefa, concentradamente, quando a minha mãe grita:

- Olha que ainda o aspiras!

- Não, mãe. Faço isto muitas vezes. É totalmente seguro.

Juro que virei a cara apenas durante os 0,8 segundos que durou esta resposta. Mas quando voltei a olhar, deparei-me, horrorizada com duas patinhas de meio centímetro que esperneavam com pânico à entrada do tubo do aspirador.

Rapidamente desliguei o aspirador e desmontei o tubo, na esperança de que ele ainda lá estivesse. Não estava. Abri o aspirador e palpei o saco, à procura de movimento. Não havia. Abri o saco do aspirador: era tudo cinzento, da cor no bicho. Demorei alguns minutos a encontrar o seu pequeno cadáver por entre o pó aspirado durante cinco meses. Era, efectivamente, nada mais que um cadáver. Voltei a enterrá-lo no pó, que se tornou a sua derradeira residência.

Ironia da vida: um hamster com tendências suicidas é assassinado pela sua própria dona, uma estudante de Medicina Veterinária.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Insanidade Familiar - estudo de caso - II

Ontem a minha avó comentou que tinha utilizado um champô azul. Mas nós usamos Herbal Essences Flor de Maracujá, que é amarelo. Fui à casa de banho ver o que poderia existir de azul, temendo que tivesse despejado Ajax Fabuloso Lava Tudo Montanha na cabeça.
Enganei-me redondamente. Não só o Ajax que utilizamos é Ajax Fabuloso Lava Tudo Floral que é cor-de-rosa, como reparei que o Dystron Líquido, para a higiene íntima da mulher, estava alarmantemente vazio. Podia pelo menos tê-lo utilizado noutros cabelos, que não os da cabeça.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Brokeback Mountain - Versão Ribatejana

Em plena Lezíria Ribatejana, sobre o sol ardente, o meu orientador de estágio extra-curricular enrruga a testa...
Fico imediatamente atenta, certamente me vai revelar mais um segredo ribatejano, alguma tradição dos campinos da Charneca ou partilhar alguma teoria filosófica veterinária (ou humana). Estamos os dois encostados a uma cerca de arame farpado. Uma mulher robusta e de formas arredondadas, com falta de alguns dentes, de cabelo crespo e curto, suja e vestida com uma indumentária semelhante a um pijama empunha um cajado e grita esganiçada na direção do rebanho de ovelhas:
"Ora Váaaaaaaaaaaaa! Ora Váaaaaaaaaaaaaaa, para a manga filhas de um cabr@o!"
Tenho vontade de rir...controlo-me, até porque sou eu que vou vacinar as bichas...e a seringa metálica que tenho na mão mete respeito e não a desejo espetada em nenhuma parte do meu corpo.
O meu orientador revela o que o atormenta:
-Sabes, foi assim, desta maneira que nasceu a homossexualidade!"
-Desculpe? O Dr. tem alguma teoria confirmada em campo, é?
-Repara, repara atentamente nesta mulher: voz esganiçada indicada para chamar o pessoal para a mesa comer, um aspecto que Deus me livre e... Não sei, parece-me que qualquer homem, com este tipo de mulher como companhia, rapidamente acha o seu companheiro pastor ou campino um ser MUITO mais atraente!
Fico sem resposta...Está mais que explicado e em certa medida bastante compreendido.

A FMV, por vezes, exacerba-me a vontade de abrir crateras no meu próprio crânio com um saca-rolhas de titânio!

terça-feira, 14 de abril de 2009

O poder do vermelho - III - Poder ao Quadrado


Hoje, passava eu, inocentemente, pelo Hospital D. Estefânia, com o meu violoncelo às costas e vestindo o meu casaco vermelho, quando, de repente, e sem aviso prévio, se iniciou uma chinfineira infernal! Parecia que as alminhas do Inferno se tinham escapado e gritavam, exorcizando o seu sofrimento Eterno. Os transeuntes, eu incluída, assustaram-se; uma velhota chegou mesmo a sofrer uma síncope, desfalecendo em cima de um senhor de meia idade que, ainda em choque, mal conseguiu amparar a queda da geriátrica.

Eram os pavões do Hospital, que gritavam, enraivecidos, ao meu violoncelo, o seu ódio exacerbado pelo acompanhamento rubro do meu casaco. Empoleirados na rede da sua gaiola de 350x200 centímetros por 250 centímetros de altura, não se cansavam de vociferar furiosamente, assustando as criancinhas, que rapidamente iniciaram um choro incoercível, que nem as enfermeiras nem os pais conseguiam sossegar.

Todas as pessoas estavam assustadas e alarmadas; ninguém compreendia o que se passava. Excepto eu. Eu sabia o que originara aquele espectáculo de horror - a dupla encarnada. Assim afastei-me do local, observando por cima do ombro a confusão geral que deixava para trás: as enfermeiras e pais que tentavam acalmar as criancinhas, os peões que tentavam reanimar a velhota, pois não conseguiam deslocar 93,6 Kg de peso-morto da entrada rodoviária para o Hospital, o que contribuia para o crescente e impaciente engarrafamento da Rua Jacinta Marto.

Mal saí do campo de visão dos pavões, estes calaram-se, voltando à sua rotina diária, que consiste em nada fazer. As criancinhas continuaram o pranto, até que perdi o seu som à medida que descia a rua.

Decididamente preciso adquirir uma capa nova para o meu violoncelo. Talvez seja prudente usar menos este casaco. Certamente nunca mais sairei em público com esta mortal combinação!

sábado, 11 de abril de 2009

Dilemas diários profession-specific

Resina - é colocada nas cerdas do arco e é essêncial para que haja atrito entre as cerdas e as cordas, gerando som.


Tenho uma amiga, Mad Piggy, que toca viola. Viola de arco, não é guitarra, devo esclarecer.

No final de uma semana de árduo trabalho, juntámo-nos para um café, cansadas, e ela desabafou comigo:

- Fiz uma grande porcaria no fogão da cozinha! Resolvi seguir uma técnica do Jonas para derreter a resina e juntar os pedaços... Resultado: aquilo quase explodiu e espalhou-se tudo pelo fogão. E fiquei sem resina!...

- Oh minha porca badalhoca! - explodi eu, um pouco irracionalmente - Experiências resinais no fogão da cozinha? No da cozinha??? Por que não usate o da casa de banho? ...tse tse... Deixa lá que eu já fiz essa mesma badalhoquice nos meus primeiros anos de violoncelo, quando partir resinas, para mim, era como tomar banho de manhã. Depois de muitas resinas destruidas, os meus pais não me quiseram comprar mais nenhuma, então experimentei a técnica do fogão e foi uma grande cagada, difícil de limpar ainda por cima! Já não temos esse fogão. Agora temos outro. Na cozinha. A partir daí o meu pai, que tinha adquirido recentemente um maçarico para a sua oficina, passou a colar-me os fragmentos com auxílio dessa engenhoca perigosa.

A minha amiga ficou calada, pelo que continuei, para não criar um daqueles silêncios desconfortáveis.

- Agora transporto a resina numa pequena caixa de plástico que foi um recipiente de um creme para as mãos da Sou (o mais barato do mercado - cerca de 2€. Não é um mau creme). Transporta também o útil corta-unhas, para dias de aula/audição em que me esqueço de cortar as garras assassinas, e uma moeda de 20 cêntimos, caso seja preciso... hmm...

- Uma pastilha?...

domingo, 5 de abril de 2009

Karma


Hoje, nós, as famigeradas Autoras deste magnífico e mui apreciado blog fomos dar um passeio. Rumo ao Parque dos Poetas, no carro da minha co-autora e amiga, passámos por um cartaz que anunciava "Feira Esotérica de Oeiras". Não pudémos deixar de ir, nunca chegando a passear nas belas imediações do Parque dos Poetas.

A Feira Esotérica era constituída por várias tendas dispostas em dois corredores - o corredor das tendas de leitura de Tarot, Mãos, Numeralogia, etc., e o corredor de produtos variados, como mézinhas complicadas com bases oleosas, candeeiros de papel, pedras dos signos, águas de colónia com nomes sugestivos ("Atrai Freguês" para Atrair, Seduzir e Conquistar) e... cartas astrais!

Escolhemos, sem pensar duas vezes, a carta astral relacionada com a nossa vocação profissional, numa tentativa desesperada de encontrar orientação para atingir a verdadeira realização pessoal.

Em apenas 3 minutos tinhamos na nossa posse, cada uma, um conjunto de 14 folhas que continham a sabedoria, a orientação, a luz!

Sem grandes delongas, saltámos para a página 14 - "Síntese: O Talento único". Eis senão quando nos deparamos com a horrenda verdade... entre primeiros empregos, para os quais temos vocação e que estão sintonizados com a essência do nosso ser, estava, desavergonhada, a Veterinária.

Abaladas, como se o destino nos tivesse dado uma bofetada, encostámo-nos nas costas do banco e assim ficámos, folhas caídas no regaço, em silêncio, durante um período de tempo que nenhuma de nós pode precisar.

- Afinal, não tenho culpa das minhas escolhas. É kármico!
- Só de pensar que se tivesse nascido um pouco mais tarde ou mais cedo, tudo poderia ser diferente... Não era preciso muito! Seria coisa de 15 minutos!
- A culpa é das nossas mães!
- Pois é!!!

Já nos preparávamos para amaldiçoar as nossas mães quando nos lembrámos que, na verdade, ambas tivemos alguma dificuldade para nascer: uma ficou com o nariz entalado no canal e outra vinha com a cabeça toda torta, sendo necessário rodá-la com o auxílio de uma ventosa.

- Afinal somos responsáveis...
- Sim...

Resignámo-nos à evidência. Estamos destinadas a tornar-nos veterinárias, nem que seja apenas pelo canudo. Após alguma meditação atingimos uma paz interior - o karma é lixado, não há por onde escapar.

sábado, 4 de abril de 2009

Hoje estive a ouvir o Stabat Mater de Pergolesi. Identifiquei-me.
*

segunda-feira, 30 de março de 2009

Ai Maria Maria! Quem te fez a ti, fazer um par de marrecos mais valia!

Monumentos Londrinos - Take 2

Alguns dos leitores recordaram a nossa querida Lala e a sua ânsia de viajar com destino a Londres e tirar fotos junto ao Big Ben!
Efectivamente a Lala esteve comigo em Londres e sim, tirou fotos (diria mesmo de forma compulsiva e histérica) junto do Big Ben...algumas com ela e o relógio, depois de perfil, depois em grupo, depois só as caras, depois com a paisagem envolvente....
Terminado o entusiasmo com o Big Ben e cumprido o desejo , Lala contra-ataca:
"Weeee! Agora quero mesmo é tirar uma foto com o Golden Eye!!"
Excuse me? Not again...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Sui genericidade dos bairros lisboetas

Tenho uma amiga, cujo nome se manterá no anonimato, que há pouco tempo veio morar para um bairro perto do meu. A minha amiga, a X., e eu vamos juntas para casa e aproveitamos para descarregar as energias sedentárias numa bela caminhada desde o Marquês de Pombal até às respectivas residências.

Hoje decidimos passar pela avenida Almirante Reis para ver, e apenas ver, umas montras. Caminhávamos a passo regular e despreocupado, quando ouço por trás de nós:

- Olá linda, como te chamas?

A X., que consegue ser ainda mais distraída que eu e como tal é, para mim, um milagre que ainda esteja viva, nem o ouviu. Apenas sentiu uma mão que lhe circundava a cintura.

- Ui!!! - esclamou ela, dando um salto que teria feito inveja ao Javier Sotomayor.

Olhando para a esquerda, deparámo-nos com um sem-abrigo desdentado olhava admiradíssimo para a X.

- Não é preciso gritar...

- Ai, o senhor desculpe mas pregou-me um susto! - respondeu educadamente a minha amiga, com um genuino sorriso, como só ela conseguiria numa situação destas. Provavelmente porque não ouviu a frase de engate que antecedeu o toque delicado na cintura.

Eu, pessoalmente, olhava para o chão para que, no caso de não conseguir conter mais as gargalhadas que acabariam por se soltar depois de atravessarmos a rua, me desmanchasse a rir na cara estupefacta do sem-abrigo.

Continuámos a andar com o passo um pouco mais acelerado, as lágrimas escorrendo pela minha face. O sem-abrigo ficou para trás boquiaberto e incrédulo. Permanecemos caladas durante uns metros, até que a X. comenta, filosoficamente:

- Esta Almirante Reis... é sui generis, não achas Mariana?

quinta-feira, 26 de março de 2009

O poder do vermelho - II

A capa do meu violoncelo é vermelha. Na verdade é bordeaux, mas está na gama dos vermelhos. Não sei se acontecem coisas estranhas a outras pessoas quando usam vermelho, mas comigo ocorrem invariavelmente episódios insólitos.

O meu violoncelo, sendo uma parte constituinte e importante do meu ser, tem um poder misterioso sobre seres vivos irracionais, especialmente bebés e cães, com toda a certeza relacionado com o vermelho da sua "vestimenta".

Os bebés têm a reacção pânico quando vêem o meu cello e põem-se a chorar desmesuradamente... Os pais, aflitos, tentam acalmar o pequeno humano com palavras carinhosas e explicativas:

"Oh filhote, é só um violão!... Não faz mal ao bebé! Não chora, não chora..."

Bah... Eu até me afastava, para não causar sofrimento ao bebé, mas sinto-me vingativa quando insultam o meu violoncelo.

Algumas crianças que ainda não se tornaram totalmente racionais, provavelmente devido à falta de vitaminas e ao excesso de televisão, gostam de tocar com as mãozinhas sujas de ranho e baba na capa do meu cello. Provocadoramente!, olhando-me directamente nos olhos quando o fazem.

Só chegam a tocar uma vez, porque imediatemente o meu olhar lhes diz, claramente:

*Tocas outra vez e vou ao teu quarto à noite e corto-te os dedos dos pés.*

E o assunto fica resolvido.

Outra realidade é a realidade dos cães. Gostam de ladrar ao meu violoncelo. Ontem um cão seguiu-me durante cerca de 100 metros e ladrou todo o tempo ao meu violoncelo. Virei-me para trás e sem parar de andar, olhei o cão nos olhos e telepaticamente disse:

*Que é?*

*Nada, estava só a chatear-te, mas estou a ver que não estás para aí virada...*

*Não estou mesmo.*

E o cão deu meia volta e foi à sua vida. E eu fui à minha. Tenho mais que fazer.

sábado, 21 de março de 2009

Quando chamam cretino a alguém estão, na verdade, a ofender a sua tiróide.
*

Flower Power das 2h47

quinta-feira, 19 de março de 2009

- En garde!
- Touché!
- Crème brûlée!

terça-feira, 17 de março de 2009

Desabafo frustrado

Ninguém acredita quando digo que na FMV nos mandam encher chouriços fora de horas. Literalmente.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O povo e os parasitas


"Ahhh! Está a estagiar em Parasitárias? Eu já vi esses bichos...acho eu! Não são aqueles que fazem auto-estradas dentro do bucho de uma pessoa?"

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

E... Algumas perucas de velha cheiram a casa de banho de centro comercial.

As dificuldades das minorias

Nenhum dos leitores pode imaginar a confusão que se gera na cabeça de uma criança quando esta é criada no seio de uma família com ideais alimentares opostos.
Quando um dos membros parentais é, hippie, yoga lover e macrobiótico e o outro é…bem…hippie, yoga lover e carnívoro (bastante!), um negro destino está traçado!
Ora, a pobre criancinha nasce na paz! Ouve mantras como canção de embalar, come papas de aveia e millet, recebe massagens energéticas (cheias de prana a fluir… só luzinhas azuis e laranjas weeeeeeeee) para alinhar os chakras e cresce feliz e sorridente (pelo menos q.b). Os anos passam e a criancinha tem de enfrentar a selva. (Vestir a tanga é sem dúvida a primeira dificuldade, usar as lianas também não é lá muito fácil, é necessário possuir força e destreza!)
A criancinha descobre a carne, acontecimento apenas comparável ao homem do paleolítico que descobre o fogo, e a sede de Caaaaaaaaarrrrrrrrrrrrne começa! Durante muitos anos a criancinha acompanha o membro parental carnívoro na sua afirmação de espécie superior devoradora de Animaizinhos comendo todos os tipos de carnes, cozinhadas das mais diversas maneiras, com diferentes teores em gordura e proteína, dando preferência, claro, ás imponentes costeletas de bovino grelhadas, daquelas que ocupam todo o prato e parte da área envolvente!
Um dia a criancinha acorda adolescente e segura de que ser vegetariana é o Caminho da Luz! Claro que esta tarefa não é fácil, a sociedade ainda não está totalmente preparada para isso e com pouca vontade de contornar as dificuldades e os malabarismos económicos (e sociais) a que isso levaria na altura, a adolescente resolve apenas restringir o consumo de grandes Animaizinhos mamíferos.
Um dia, já a adolescente é uma estudante universitária e frequenta a cantina da sua prestigiada e estimada Universidade, quando se depara com uma quarta-feira em que não há hipótese vegetariana, apenas existe carne disponível, carne essa de um grande animal mamífero. Todos os leitores sabem, com certeza, que os estudantes necessitam de se alimentar convenientemente para que os seus neurónios funcionem apropriadamente para conseguir ler 800 páginas num dia e debita-las ipsis verbis no dia seguinte conquistando a almejada nota de 10 valores.
A estudante resolve então ir até ao balcão e pedir a sua refeição:
-Boa tarde, queria, por favor, um bitoque sem a carne!
-Qué?
-Era um bitoque sem carne por favor.
-Não sei o que é isso! Ó Maria olha esta esquisitinha! Diz que quer um bitoque sem carne seja lá o que isso for!
Maria aproxima-se de colher de pau em riste e diz:
-Ah! Eu também não sei o que isso é!
-Olhe, é fácil, é fazer um bitoque normal, apenas não lhe pondo a carne…
-Explique-se lá que já lhe disse que não temos isso, não sabemos o que é!
- Era um prato com arroz, batatas fritas, ovo e salada por favor!
-Ahhhhhhhhhh! Por que é que não disse logo? Está aqui a empatar o negócio…vá andando vá andando!
A estudante respira de alívio e algum tempo depois chega o seu tão desejado inexistente bitoque sem carne. Mas………..
A estudante chega á caixa e a empregada questiona:
-Ai Jesus! O que tens aqui no prato? Eu não sei facturar isto! Tão estranho! Oh Maria anda cá!
Não lhe expliquei que era um bitoque sem carne, esperei que a Maria viesse e lhe explicasse que aquele prato era arroz, batatas fritas, ovo e salada…

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Algumas casas de banho dos centros comerciais cheiram a peruca de velha!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Insanidade Familiar - estudo de caso - I

Vivo em casa com gente insana.

Ainda hoje, ao observar o comportamento dos familiares do meu agregado familiar, tal Jane Goodall, me pergunto como conseguiram os meus pais gerar a pessoa normal que sou, ainda para mais inteligente, responsável, sensata, atenciosa, criativa e bonita acima da média.
Após pesquisa intensiva em livros e nos mais recentes artigos científicos de geneticistas conceituados mundialmente, concluí que a Insanidade é uma característica hereditária, provavelmente ligada ao cromossoma X, e a probabilidade de eu ter nascido perfeita foi de 25%. Reparem:


Como podem constatar, o meu pai, apesar de não-insano, tem o seu quê de loucura e o meu irmão realmente teve muito azar com os gâmetas que lhe deram origem.

Estes factos têm implicações no meu dia-a-dia, e se para muitos é motivo de risota, para mim não tem piada nenhuma.

A minha avó, por exemplo, é cleptomaniaca, mas só rouba papel higiénico. Com tanta coisa que podia roubar, bem que podia trazer algo mais valioso, mas a Cleptomania é mesmo assim. Enfim, como as coisas estão hoje se uma pessoa consegue poupar no papel higiénico ainda poupa alguma coisa e é aí que me afecta. Porque se a Cleptomania, sendo uma doença psiquiátrica, pode justificar o furto de papel higiénico, a partir do momento em que este se torna valioso, a minha avó passa a ser considerada criminosa. Outra prespectiva deste problema prende-se com o facto de a minha mãe (com o seu gen-ins) além de não estar sensibilizada para esta indiscrição da minha avó, sofre da conhecida patologia que se dá pelo nome de Irresistência a Promoções de Supermercado, ainda por cima complicada por Desconhecimeto Crónico dos Bens em Falta no Lar, o que resulta na compra semanal de "packs" familiares de papel higiénico ("para poupar dinheiro", são palavras da própria). E o balanço semanal de papel higiénico em minha casa é:


Ora, ao fim de um mês não há espaço para armazenar o excedente de papel higiénico devido ao carácter desproporcional da relação [número de rabos a limpar/quantidade de papel higiénico].

A minha mãe atinge outro patamar de implicação negativa no meu quotidiano. A título de exemplo, no sábado passado exigiu que removesse o gelo acumulado durante 5 anos no congelador, porque já estava incomodada com o facto de as gavetas não fecharem bem. Como sábado é dia de ir ao supermercado e havia uma quantidade impressionante de salada russa congelada (como lhe apetece muitas vezes salada russa, mas ninguém a faz, quando a vê no supermercado tem de a adquirir) desligar o frigorífico para que o gelo derretesse estava fora de questão. Assim, para que eu executasse a ingrata tarefa de remover o gelo deu-me uma colher de pau ("porque o picador de gelo risca-me o congelador todo!", explicou-me ela). Excusado será dizer que estive horas com as minhas delicadas mãos no gelo, de joelhos na tijoleira, com neve, gerada por mim, a entrar pelas mangas da camisola. A minha mãe, ao ver dois alguidares de gelo bem cheios decide ajudar-me. Infelizmente, era um dia de exacerbação do gen-ins e ela deitou os dois alguidares na sanita, admirando-se ao constatar que o gelo não progrediu pelo sistema de canalização. E isto afecta-me! - depois de uma tarde a tirar o gelo do congelador precisava de ir a casa de banho e não pude porque não conseguia sentar-me na sanita.


Episódios destes fazem parte do meu dia-a-dia, mas por factores genéticos relacionados com a ausência do gen-ins, simplesmente não me consigo habituar a eles.

Não me vou pronunciar relativamente aos casos de Insanidade do meu irmão (portador dos genes gen-ins e gen-Q-craze) porque ele é maior e mais forte que eu.

Manter-vos-hei a par de manifestações típicas de Insanidade Familiar que vou presenciando. Por favor divulguem-nas, pois infelizmente esta é uma doença pouco conhecida fora da comunidade científica e há certamente muitas pessoas normais que sofrem com familiares vítimas desta devastadora patologia do foro genético.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Road Trips & Road Strips

Tenho uma amiga que adora viajar!
Adora paisagens, novos destinos e diferentes culturas!
No outro dia lançou-me um desafio:
"Olha lá, nós quando fossemos assalariadas podiamos ir, as duas, fazer uma Road Strip! O que achas?"
Depois de deixar cair o queixo e franzir a testa, pensei por breves segundos e respondi:
-Tudo bem, MAS conduzo eu! As outras tarefas ficam por tua conta...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Um pneumomediastino pode causar um pneumotórax mas um pneumotórax não pode causar um pneumomediastino.
Na Hepatite Infecciosa Canina a maioria dos cães morre ou recupera.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Uma gadanheira simples é uma gadanheira que simplesmente gadanha.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Hermafroditas e Eremitas

-Aiii CReeeeeeeeeedo!!! Tu viste aquela senhora que nos atenteu? Nem percebi se era um Homem ou uma Mulher! Jasuss!! Parecia uma daquelas pessoas que, infelizmente, nasce com os dois sexos... um...andrógeno!
-Andrógeno?
-Ai! Não! Um...um...um Eremita!

Ética e Etiqueta

"E um docinho, não há?"
"Eu tenho ali iogurtes de tarte de bolacha e morango."
"O quê? Olha, comer um iogurte a seguir à refeição não é ético!"
"Ético? Mas qual é a falta de ética existente na acção de comer um iogurte? Alguém se sente invadido ou incomodado com isso? Vais contra a liberdade de algum individuo?"
"Ética é isso? Humm não sabia!!!"
"Ah! Estou a ver...Estás a confundir com a outra ética... A Ética da Paula Bobon[a]!"

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Os ovários são orgãos que (de momento) não me fazem falta nenhuma!


Há vários dias por mês que preferia ter nascido sobre a forma de um indivíduo do sexo masculino.
Não estou só a falar daqueles dias que deixam as mulheres piegas e nervosas, mas também esses entram na conta dos dias em que penso que afinal a próstata é capaz de ser um órgão que me faz uma certa falta.
Um dia destes, para não variar, uma vez que é a mesma cantiga todos os meses, acordei com dores no útero, daquelas dores que levam as mulheres a ter vontade de atirar a cabeça contra a parede em busca de Qb de analgesia. Tive a perfeita noção que era uma urgência tomar dois ibuprofenos 300 (no mínimo)... No mesmo momento pensei também: Ora que treta, estes comprimidos são AINES (pensamentos de uma aspirante a Médica Veterinária...frequentemente somos visitados pela esperteza e pela hipocondria). O melhor era sem dúvida comer... Levanto-me (com a sensação de ter 5kg em cada rim) e arrasto-me até ao frigorífico. Decido comer um daqueles maravilhosos iogurtes com duas camadas (frutos do bosque/iogurte açucarado). Acabava ainda de "lamber" a última colher...PimBA goela a baixo com os dois comprimidos mágicos, supressores de dores cruéis (que nos foram transmitidas geneticamente pela infelicidade de nascermos com a ausência do cromossoma y). Resultado fantástico, trinta segundos depois e durante uma hora convivi com espasmos gástricos e iniciei a obra criativa de pintalgar a sanita de dez em dez minutos com uma mistura rosa choque...Tudo isto aliado ao facto de serem quase 14h horas e eu ter MuiTAAAAA fome e não poder comer! Ahhh Odeio ser mulher :( Grrrrrr
Ora num estado moribundo destes facilmente se pensa no que ganharia se…. Se naquele momento fugaz da criação, da fertilização, o óvulo da minha mãe tivesse deixado entrar um Sr. espermatozóide Y em vez de um Sr. X espermatozóide.
Digo isto porque quero acreditar piamente que o óvulo, enquanto célula mãe, mais volumosa e com todas as reservas necessárias ao início da vida, tem a capacidade de decidir o tipo de monstrinho que vai originar (uma criancinha a maior parte das vezes pode transformar-se numa criatura do demo...).
Ora se o óvulo da minha mãe escolheu deixar entrar um espermatozóide X no seio da sua intimidade, deduzo que já aqui se expressavam os genes da miopia que carrego! Só podia ser míope a minha célula mãe! Só há vantagens em ser MACHO e logo me vai criar uma FÉMEA!
Se eu fosse Macho e mais uma vez com ajuda da genética em outros campos...poderia ser Fuzileiro, Piloto, Mecânico (ai gostava tanto...até já pensei em pedir para aprender aí numa oficina qualquer, mas claro que isso seria uma situação no mínimo bizarraaaaaaaa), Policia, Médico sem Fronteiras, Detective Particular, Cientista, (sim já sei que as mulheres também ah e tal), Mestre de Artes Marciais ou algo do género.
Sendo mulher... Ui...Nem vamos entrar por aqui que já avisto pilhas de roupa e tachos por lavar.

sábado, 31 de janeiro de 2009

As pessoas são como as batatas fritas e os Americanos são complicados.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O [nosso] blog dava um programa de rádio!


Para celebrar o nosso centésimo (!!!) post, convidamos os nossos leitores a ouvir o programa "O meu blog dava um programa de rádio".

Este programa vai para o ar na melhor rádio (pelo menos durante os minutos em que o nosso blog for para o ar ehehehe!) do País: A Rádio Comercial!

Podem ligar-se via rádio à frequência 97.4 ou ouvir na internet em http://radiocomercial.clix.pt/ no dia 31 (sábado) às 21h ou no dia 1 (domingo) às 9h.

Saudações bloguísticas

As autoras

sábado, 24 de janeiro de 2009

O facto de... não implica que...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Monumentos Londrinos

A Lalá anda tão eufórica com a nossa ida a Londres que no nosso encontro de 6ªfeira no bar do costume confessou:
-Estou ansiosa por tirar fotos ao pé do Big Brother!
-Hein?
-Ai que disparate. Aquele relógio! O...O...O Big Bang!
-Hein?
-Ai Rapariga! Ás vezes parece que sou disléxica! O Big Bell!
-Desculpa!?
-Epah! Já me enganei três vezes mas tu entendeste... eu estou a falar do Big Sam!!!
E ainda estavamos nós a falar português...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Assunto delicado

Como boa samaritana que (por vezes) sou, acompanho, fielmente, os meus estimados amigos nas suas pioneiras incursões por zonas de supermercados nunca antes por eles exploradas.
Tenho amigos que desconheciam a existência de peixe fresco (e eu estive lá na primeira vez que trocaram os croquetes e as pizzas pela bela da posta de salmão), outros desconheciam os produtos "anti-bolor" para limpar a zona do duche e eu partilhei com eles a minha sabedoria, alguns desconheciam a existência do tomate "cherry" (tão prático e apetitoso!) e eu estive lá quando exclamaram "Que fixe!"...
Ohhh! Posso relembrar tantas outras descobertas realizadas por inocentes temerários nesses corredores das grandes superfícies comerciais...
Num tempo não muito longínquo estava eu num centro comercial com um amigo e decidi explorar essas maravilhosas e nutritivas massas "tortelloni", uma vez que são possiveis os mais diversos recheios. Eis que o estimado amigo em questão me distrai e me chama com um ar compremetido.
De olhar maroto e face corada segreda: "Vem até aquela secção preciso da tua opinião!"
Solicita, eu fui (imaginando que quisesse uma opinião sobre os diversos tipos e graus de eficiência das diferentes esfregonas em exposição).
Quando chego ao corredor que ele almejava estudar (posso dizer que um dos mais concorridos do supermercado, a julgar pela quantidade de carrinhos estacionados em segunda fila) reparo que estávamos no corredor dos métodos contraceptivos e acessórios de diversão ah e tal...
Já lançada para discutir com ele os melhores artigos de acordo com as suas preferências, vejo-o vermelhaço e a dar meia volta: "Demasiado movimento, demasiado movimento...voltamos mais tarde!". Obrigada meu caro amigo, tarde demais, já estou sozinha a olhar atentamente para a dita secção! (Há lá coisa pior que ter a fama e não ter o proveito?).
Dei meia volta e repouso o olhar nos condicionadores capilares (sei que é uma coisa tipicamente feminina então deve disfarçar).
Minutos depois o amigo (o meu) puxa-me o braço e lá vamos direitinhos aos expositores, mas não sei porque precisou ele da minha companhia se foi directo aos objectos que queria comprar: uma caixa de preservativos (sensitive something) e uma embalagem de ************. E já está, não entendi o problema dele, foi rápido e indolor e assim prosseguimos as compras semanais.
Intermináveis minutos depois (e ainda dizem que as mulheres é que demoram horas no supermercado) rumamos finalmente á caixa (com o carrinho relativamente vazio e a metade dele muito mais cheia que a minha). Cuidadoso o meu amigo diz:
- Vai tu á frente, assim não precisas de ter vergonha por causa dos meus artigos... como dizer? humm... "especiais".
- Tanto me faz, vê lá, como preferires.
- Vai lá, vai lá!
Pago com o uma nota de dez euros os meus poucos artigos (sobretudo géneros alimentícios) e ainda recebo troco. Já estou a olhar para o multibanco e a pensar que provavelmente já não tenho saldo para levantar dinheiro quando ele diz á senhora da caixa:
"Não entendo, veja lá que ainda antes de aqui vir eu fiz uma compra e veja, tenho saldo, veja o meu extracto bancário!!!"
E lá vai ele ao multibanco tentar levantar dinheiro...ainda visitou três máquinas, mas devido a problemas de comunicação as tentativas não foram bem sucedidas....
E SIM! SIM ! QUEM PAGOU OS ARTIGOS ESPECIAIS DA CRIATURA??? Eu ! EU! "Deixa lá amorzinho (!!!!!!) eu pago!" E com Visa!
AGGGAHHAHAHHAHAH !Pior que não ter o proveito foi ter a fama e ainda arcar com a despesa! E com direito a discriminação de artigos no talão do crédito!!! Não se faz!
Pelo menos o tal amigo saiu precavido e satisfeito da história...


sábado, 17 de janeiro de 2009

Os homens gostam de mulheres com great body ou great personality. O busílis é atingir um destes estatutos e não ficar para Titi.
A pen dada não se olha os gigas!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Planeta com luz própria


As lojas dos chineses são aquela galáxia infindável de objectos úteis e (semi)preciosos. Sempre que entro numa, ultimamente, lembro-me de um excelso amigo meu que não entende a proximidade dos Estados Unidos em relação à China. Para ele, e desde tenra idade, devido aos métodos pouco explicitos da sua professora da escolaridade básica, a Terra é plana. Ele lembra-se claramente dos mapas em papel A4. Não há dúvidas, os Estados Unidos estão desenhados na zona da margem esquerda da folha e a China descansa sobre a margem direita da mesma folha. Para voar de um país ao outro são precisas demasiadas horas a julgar pelo facto de ser necessário percorrer todo um Mapa Mundo.
Desta forma, cada vez que entro numa loja de artigos chineses penso que efectivamente devia comprar-lhe um Globo Mundo para ver se ele abandona a medieval ideia do Mapa Mundo.
Pensei em dar-lhe um bem grande, bonito, podia até ser daqueles com luz incorporada que fazem companhia às crianças na hora de adormecer. Mas alguém me advertiu : "Não podes comprar um desses com candeeiro incorporado...Não vá ele pensar que a Terra é um planeta com LUZ PRÓPRIA!"
Pergunta: Desenhe um método de controlo de pragas.

Resposta:

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Como anestesiar um gato agressivo

Não há dia em que o comum veterinário de clínica de animais de companhia não se depare com gatos agressivos. As pequenas pestes não gostam de colaborar e a tradicional cacetada na nuca não funciona como indução anestésica (os sacaninhas são fugidios). Então, como anestesiar o demo?

Aqui vão os passos a seguir na indução da anestesia de uma mascote assassina:
  1. Abrir o caixote do lixo
  2. Atirar o gato para dentro do caixote do lixo e fechar a tampa
  3. Atirar rapidamente um pano embebido em éter para dentro do caixote do lixo (apenas entreabrir a tampa)
  4. Esperar que o caixote deixe de saltar
  5. Retirar o gato
  6. Levar o gato a um veterinário agradecido

É um processo aprendido em aulas de Anestesiologia e é totalmente científico.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

What do you say to a man with two black eyes?

Nothing he'd already been told twice.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Comer um Ferrero Rocher


Comer um Ferrero Rocher é uma arte que nem todos sabem apreciar. Para desfrutar verdadeiramente este singular bombom uma pessoa deve estar no conforto e intimidade do seu lar, pois comê-lo em público é considerado na sociedade ocidental um acto pouco fino, ou como muitos dizem hoje em dia, "um nojo". Excepto em Itália, onde já nascem a saber comer um Ferrero Rocher.

É que comer um Ferrero Rocher, apreciando-o como um perito, implica comer o bombom às camadas.

Assim, primeiro trinca-se a cobertura de chocolate e avelã aos bocadinhos, com o cuidado de não partir a delicada bolacha wafer que está por baixo. Nesta etapa caem muitas milgalhas de chocolate-avelã e é para isso que serve o papel castanho; não é um adorno inútil e imagem de marca deste famoso pecadilho da Ferrero.

Chega a vez de desfazer a concha crocante de wafer. O wafer pouco doce faz um "reset" às papilas gustativas, preparando-as para receber, em todo o seu esplendor, o chocolate, aquele nutella cremoso e mole que se cola nos dedos à medida que vamos desfazendo o wafer. É nesta fase que o indicador e o polegar ficam cheios de chocolate meio chupado e as comissuras labiais estão saborosamente castanhas. É precisamente neste momento que uma pessoa entre em delírio com o bombom e coincide com a fase menos aceite socialmente da degustação do chocolate.

E finalmente, depois de saborear o creme de chocolate vem o clímax - desfazer a avelã inteira e torrada nos dentes molares; e temos novamente a combinação divina de chocolate (residual na boca mas ainda com uma forte presença) e avelã, mas com uma nova e supreendente textura. Depois do êxtase, deixa-se repousar a boca durante uns momentos, enquanto se pensa no prazer que foi comer o Ferrero Rocher. Nestes instantes, a sala, esquecida por completo, torna-se de novo real e apercebemo-nos, então, que temos na mão o papel castanho com migalhas de chocolate e avelã. Com o indicador apanham-se delicadamente as migalhas e saboreiam-se as mesmas saudosisticamente.

Sugiro que experimentem comer um Ferrero Rocher como ele deve ser comido, como ele foi feito para ser comido, ao som do 2º andamento da 7ª sinfonia de Beethoven. Ponham a música a correr e iniciem o ritual, descascando lentamente o bombom, saboreando-o por etapas, sentados no conforto do sofá da sala de estar. Nunca mais quererão colocar um Ferrero Rocher inteiro na boca.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O chá é diurético e o café é laxante.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A vida só vale a pena se nos expusermos ocasionalmente a situções de perigo que a tornem emocionante.

Há quem faça bungee jumping. Há que atravesse a passadeira muito devagarinho quando está vermelho para os peões.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Esclarecimento

Muitos amigos meus não ligados à música me perguntam:

"Qual é diferença entre escrever dó # e ré b? Soa igual!"

Escrever um dó # em vez de um ré b é mesma coisa que escrever "Essa de Queirós, ora eça!"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Pergunta: Faça o fluxograma do surimi.

Resposta: O que é o surimi?...

Sonhos

Desde pequena que me dizem:
"Nunca desistas dos sonhos!"
Depois de anos a perseguir alguns (que se escapam pois são atletas de alta competição), encontrei uma explicação (bastante natalícia por sinal): nunca me disseram a frase até ao fim, e eu, qual sonhadora interpretei mal. O que realmente me queriam dizer era:
"Nunca desistas de um sonho, se não houver numa pastelaria, vai a outra!"
DECRETO-LEI Nº 276/2001

CAPÍTULO III
Normas para o alojamento de reprodução, criação, manutenção e venda de animais de companhia

Artigo 31º

b) Não é admitida a manutenção de peixes vermelhos em aquários de forma esférica.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Sistemas Binários


Hoje, decidi telefonar a um amigo para partilhar uma deliciosa descoberta...
Um outro amigo meu, que é Astrofisico, falou-me das estrelas binárias.
Segundo ele, de uma forma muito simples e para que uma criança de três anos possa entender, Estrelas Binárias são duas estrelas que orbitam uma em torno da outra, sendo uma sempre maior e que à vista desarmada podem ser vistas como uma só...
Comentava com o meu amigo ao telefone que este sistema tem algo de romântico, afinal estão ali as duas, a orbitar, como uma só... quando ele me diz:
"Ah pois é, muito romântico, mesmo.. afinal orbitam uma CONTRA a outra!"
Não há esperança...ligada ao amor, hoje em dia, vem sempre a violência doméstica!

Realmente a próstata é um orgão que não me faz falta nenhuma! - Parte II


Eu sou uma pessoa muito querida e adorada na minha rua! Tão adorada, mas tão adorada, que exerço em dias não previamente estipulados, consultas de terapia aos transeuntes, vizinhos e afins. (Uma terapia qualquer, é irrelevante qual!)
As consultas são dadas gratuitamente, sem acordo prévio com a minha pessoa e julgo que se iniciam espontaneamente devido ao meu olhar calmo e maternal…
Ainda a semana passada o arrumador mais competente da minha rua (não é ironia, ele é mesmo bom no que faz e é muito correcto e educado) iniciou o seguinte diálogo com a minha pessoa:
-Olá vizinha, ‘tá boa?
-Bem muito obrigada e você?
(ERRO! Se não queremos ouvir, não devemos perguntar…)
-Sabe, dia 18 de Novembro fiz anos…sabe, olhe 2 semanas no hospital! Ia-me morrendo!
-Ah sim? Então?
-Olhe, nesse dia vizinha comi tanto marisco e bebi tanta cerveja que me atacou aqui!
(coloca a mão sobre o “flanco direito” na zona da última costela)
-Ah estou a ver…atacou-lhe o Fíg….
-Como se chama este órgão pah! Aqui.Ai…atacou-me a próstata!
-Ui! (A minha cara maternal transfigurou-se e deu lugar a um esgar…um esgar de dor e contenção…não me podia rir ...afinal ele quase morreu!)
-Sabe vizinha, tenho que ter cuidado, porque eu já não tenho pai nem mãe.
Blá, blá, blá blá…mas eu só conseguia pensar na próstata… será que a pobrezinha ficou afectada porque os arrumadores não têm o hábito de ingerir marisco?
O Monsanto tem o seu encanto!

domingo, 14 de dezembro de 2008

domingo, 7 de dezembro de 2008

O poder do vermelho

Na sexta-feira fui ao Colombo em busca das prendas de Natal e aproveitei para ir ao supermercado porque precisava comprar leite e acetona.

E claro, coisas estranhas aconteceram, provavelmente porque vestia um casaco vermelho e as pessoas pensaram automaticamente: "Ora, aí vai uma menina com espírito natalício! Que bonito, tão querida." Nunca põem a hipótese de ser um casaco bloody.

Adiante. Passei pela secção de roupa de casa, a caminho do corredor dos produtos de higiene, e um senhor que tirava toalhas brancas de uma caixa grande e as atirava para o chão, ao mesmo tempo que gritava com a mulher ao telemóvel, dirige-se a mim:

- Oh menina, menina! Olhe aqui! - empunhava uma toalha verde na mão desta vez. - Olhe, menina, isto é verde-alface?

- Aaa... sim, acho que sim...

- Olha, melher, 'tá aqui uma menina que diz que é. ... Eu sei lá! ... Ela diz que é! ...

Se não for verde-alface acontece-me alguma coisa no futuro? Vêm atrás de mim? É que a senhora do outro lado do telefone parece perigosa.

- Olhe menina, obrigadinho hein? É que eu não sei o que é verde alface! ... O quê? ... Oh melher, eu já tenho uma, queres mais ou não? ...

Prossegui o meu caminho a pensar que as cores por vezes são subjectivas e lembrei-me das aulas de Patologia Geral, em que observava umas bolinhas ao microscópio e tinham várias cores e eu achava aquilo bonito. Tinha uma qualquer base científica por trás e o difícil mesmo era acertar na cor que o professor achava que era. Se eu classificava a bolinha como azul ele considerava incompleto porque era azul turquesa, mas se é para ir a esse nível, então permitam-me que discorde, porque aquilo era azul celeste.

Na secção da acetona procurava a mais baratucha e enquanto olhava para as várias acetonas à minha disposição com um ar entendido e concentrado, um senhor aproxima-se por trás e diz:

- Menina, desculpe, mas a menina... eu...

Era um senhor nos seus 40 anos e tinha um pacote de pensos higiénicos na mão. De todas as pessoas no supermercado, tinha de vir ter comigo, porque eu tenho um casaco vermelho.

- É que... a menina desculpe, mas pronto, a menina tem o período, não é?... é que não percebo nada disto...

Não sei como não me desmanchei a rir na cara dele. Fiz um esforço estóico, se calhar até estóico demais porque acho que consegui estar a falar com o senhor com a mesma cara, mas exactamente a mesma cara, com que avaliava as acetonas.

- Bom, eu... - comecei.

- É que é para a minha filha! - respondeu ele apressadamente, antes que eu pensasse que fosse ele próprio o utilizador - E ela, ela sai de casa com aqueles O.b.'s mas ela disse que em casa não usa isso e mandou-me comprar uns pensos e eu não percebo nada disto!... É que nunca comprei uns na vida...

Olhei com mais atenção para o pacote. Não conhecia a marca mas percebi que eram daqueles muito grossos, daqueles que nem se dobram na embalagem, tão grossos que são. Dizia à frente, em letras grossas, "noite tranquila".

- Olhe, estes realmente são dos que se usam para dormir, mas...

Fiquei indecisa... será que é apropriado ir com o senhor até à secção dos pensos higiénicos e dar-lhe uma palestra sobre as variedades, marcas e relação qualidade/preço dos ditos?

- É que há outras marcas, uns mais finos...

- São para dormir? Ora é isso mesmo! Olhe menina, muito obrigado, muito obrigado mesmo!

E foi-se embora feliz da vida, aliviado, sorridente. Missão cumprida.

Foi nesse momento que comecei a considerar seriamente envergar por carreira de apoio ao cliente em supermercados. Com certeza teria uma carreira de sucesso! Chegaria um nível tal que todos teriam respeito e admiração sem limites pela minha pessoa! Especialmente se a farda fosse vermelha.

sábado, 29 de novembro de 2008

Cada caso é um caso, e vale o que vale.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Se existir obstrução completa, há obstrução total.

domingo, 23 de novembro de 2008

Sonho de uma noite de invasão

Ontem, já a noite ia avançada, estava na cozinha a cortar cenouras para dar aos meus animaizinhos de estimação. Animaizinhos mesmo. Porque são miniaturas de gente, com mau feitio e apetite devorador.


De repente, ouvi vidro a partir-se nas escadas de emergência, nas traseiras do prédio. Ladrões! Bandidos! Drogados! Jovens delinquentes! Esquadrão de elite!

Armei-me com o rolo da massa na mão esquerda e a faca de trinchar na direita e espreitei pela janela da marquise.

Era o objecto do meu amor platónico, que tinha acabado de partir o vidro da porta que permite uma comunicação pouco segura entre a sua cozinha e as escadas de serviço. Estava com um ar admirado e confuso e colocou a cabeça pelo buraco recentemente criado, só para ter a certeza que estava mesmo partido.

É tão desajeitado. Temos tantas coisas em comum.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Manual de instruções

Quando pretenderem realmente cortar os pulsos verifiquem se:
- O objecto a ser utilizado é marcadamente cortante e eficaz!
- Os cortes são realizados em diversas direcções distintas!
- A profundidade do corte é suficiente para atingir veias, vasos e nervos.
- Realizam a vossa tarefa dentro da banheira para não manchar os tapetes de arraiolos nem a tijoleira.
Muito obrigada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Flores e Amores



Socorro!
Ofereceram-me uma flor! Não sei se é uma flor, se é uma planta, se é um arbusto ou se estes três são tudo a mesma coisa! Não sei!
A questão é…é que tenho sérias dificuldades em lidar com uma gigantesca panóplia de temas que normalmente fazem as delicias de qualquer mente feminina:
-Decoração
-Jardinagem
-Trabalhos Manuais
-Moda
-Culinária
-Etc…
Mas agora estou sobre pressão! Com os 24 anos biológicos chegou “uma plantinha” adorável, bela, fresca e… o pior de tudo: viva!
Já procurei todo tipo de informação: duas regras semanais e sol qb devem ser cuidados suficientes para mantê-la viva…Com um pouco de conversa e algumas palavras doces quem sabe até a faço feliz.
Esqueci-me de dizer que a plantinha é um Ciclame… li numa página web (enquanto procurava informações de como não a deixar morrer) que representa o ciúme…
Agora, perguntam os leitores, porquê tanta preocupação com o novo hóspede da minha humilde casa?
Está provado cientificamente (mas pouco!!!) que o individuo que é capaz de cuidar de uma planta está totalmente preparado para ter uma relação amorosa :) !

Tears and Rocks




Tomorrow there were no footsteps in my backyard,
Yesterday for sure they will be gone.
As I lay my body on the rocks,
Tears caressed my green dark eyes.

As the clocks start to take their places
As the hours have been set
The rocks replaced my heart
The tears were locked inside.

There are no bitter sweet mornings,
Just the usual unfinished nights
When rocks meet tears
Where tears melt rocks.

Yesterday I will be between bars
Tomorrow I was just euphoric
Today there are just tears and rocks,
Fingerprints [you] silently left on me.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Votação


Convoco todos os leitores deste magnífico blog a participar numa votação on-line.

Por favor classifiquem o rabo central da fotografia acima numa escala de 1 a 10.

Os votos convertem-se em dinheiro que reverterá a favor dos Amigos dos Amadores de Música.

Num futuro próximo, o respectivo dono do rabo será leiloado. O/a maior licitador/a poderá levar este belo espécimen de Homo sapiens consigo para casa pelo período não superior a 36 horas.

Obrigada

Semana Europeia Veterinária


Esta semana é genial!

Ele é dia de " we are so happy that you were born!", ele é dia Mundial do Diabetes, ele é dia de S.Martinho... e o melhor de tudo : Semana Europeia Veterinária.

Estou realmente feliz!

sábado, 8 de novembro de 2008

Existe sempre uma razão lógica

Uma das disciplinas base do curso de Medicina Veterinária é a Bioquímica. É uma cadeira tão fundamental que o regente da mesma considera-a mais importante que a Anatomia, razão pela qual dedicámos 3 (três) semestres do currículo académico, das nossas vidas e as nossas férias de Verão à Bioquímica.

É graças à Bioquímica que hoje sei pormenorizadamente (enfim, hoje se calhar já não pormenorizadamente) o processo de Fotossíntese, tema 12 do 3º Semestre, fulcral para o conhecimento geral do Médico Veterinário.


E a Fotossíntese é estudada porquê? Porque existem gatos com olhos verdes, ricos em clorofila. E não menosprezemos a importância crescente dos novos animais de companhia, como as iguanas, verdadeiros animais fotossitéticos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Divagações de bairro

Eu vivo no Bairro das Colónias. Coincidentemente, ou ironicamente, é um bairro onde vivem essencialmente pessoas oriundas da China, Índia, Brasil, alguns países Africanos e, claro, não podiam faltar, velhotes. É um bairro cheio de vida, de movimento e não é preciso ir longe para conseguir qualquer coisa de que se precise:

  • molas da roupa: loja do chinês
  • cera de depilação: drogaria indiana
  • manicure: cabeleireiro brasileiro
  • internet: loja especializada do chinês (mas atenção, o teclado e o Windows estão em chinês)
  • óleo para fritar as batatas: mercearia africana

Quando passeio pelo meu bairro ouço imensas línguas diferentes. Na verdade raramente ouço português, excepto alguma velhota testemunha de Jeová que não me larga o braço enquanto eu não aceitar um livro sobre sexualidade adolescente. Sinto-me tão cosmopolita nas minhas incursões à frutaria (também gerida por chineses).


Mas mais perto de mim, há os vizinhos do meu prédio: tal como em toda a parte há os vizinhos que gostamos e os que odiamos.
Por exemplo, os meus vizinhos de baixo são uns velhotes amorosos por quem eu tenho especial carinho pois pensam sempre em mim e dão-me mensalmente um enveolpe grande cheio de piri-piri. São atenciosos e dão-me meias nos anos e Ferreo Rocher no Natal. Depois há o meu vizinho da frente, o tal gadelhudo que para minha infelicidade é gay. Vive com outros estudantes do ensino superior e juntos gostam de fritar batatas às sextas-feiras.

Mas nem todos são nossos amigos. Existe um conjunto de pessoas que varia mensalmente no R/C esquerdo - é algo mafioso. Há a vizinha do 1º direito que boicota as tentativas de modernização do prédio, faz queixas injustificadas à polícia e à Junta de Freguesia e nem sequer paga condomínio.
Mas o pior é ele... o meu delinquente vizinho de cima, com o tal amigo mal-cheiroso. Esse teenager degenerado aparentemente é o Homem da casa porque vive com a mãe e a avó. É o tipo de miúdo que grita com a avó quando o almoço não está feito e que ouve música (de muito má qualidade) aos altos berros. E claro, como um adolescente normal passa horas no messanger; ainda não descobriu, coitado, que dá para tirar o som de recepção de mensagem instantânea. E isto dura até as 2h30 da manhã, hora pela qual, provavelmente por problemas logísticos, se põe a arrastar os móveis antes de ir dormir. Isto não me incomodaria muito, não fora o facto de o meu quarto ser exactamente por baixo do dele. Talvez seja por isso que me surgem tantos pensamentos às 2h47.

Ontem esqueci-me, mais uma vez, das chaves em casa. Pus-me imediatamente a mandar mensagens à minha mãe e ao meu irmão "A que horas chegas a casa??". Só chegavam às 20h... o que significa que estava dependente de... sim... exacto... da minha avó.

A minha avó gosta muito de conversar. Provavelmente porque o seu leque de histórias é bastante reduzido e como as quer contar e nós já as ouvimos vezes sem conta desde há 20 anos para cá, tem de encontrar novos ouvintes. Isto para dizer que é óbvio que fiquei à espera dela durante 2h porque, vim a perceber depois, ela conversou com toda a gente com quem se cruzou a caminho de casa.

Enquanto esperava, sentei-me nas escadas a ler. A porta dos vizinhos da frente abre-se e sai de lá o meu vizinho gadelhudo. Ao menos uma bela visão para alegrar a minha tarde, pensei.

- Boa tarde! - disse ele. Uma pequena dúvida... será que é para mim? Atrás de mim está a parede... Sim! É para mim! (ler o sim com entoação do anúncio do Herbal Essences)
- Olá!

Ele passou por mim e começou a descer as escadas. Cheirava a côco. De repente, pára e olha para mim com ar de dúvida. Aproveito para meter conversa, claro.
- Esqueci-me das chaves!...
- Ah... - murmurou pensativamente. Recomeçou a descer as escadas; ao mesmo tempo continuou - Pois, eles estão fartos de me dizer...

Quem?... A minha mãe? O meu irmão? Não sabia de tais socializações...

- Tenho mesmo de fazer a cópia da chave, mas ainda não fiz.

A chave? Da minha casa? Por mim tudo bem... Mas devia ser uma piadeca, então ri-me. Afinal não era, porque ele ficou com cara de parvo a olhar para mim e eu recomecei a leitura, com o nariz bem enfiado no livro, demasiado perto das páginas para conseguir ler realmente o quer que seja.

Entretanto o jovem terrorista entra no prédio e grita qualquer coisa à avó como "Olha, vou ao Minipreço!". O amigo stincky ficou à porta enquanto o puto subia as escadas. Quase a chegar ao 2º andar, onde eu estava a sentar, grita para o amigo: C@brões de merd@! Não dizem boa tarde, os filhos da put@!

De repente apercebe-se da minha presença, olha para o chão e diz baixinho "Boa tarde". Ele, normalmente não me fala (o nosso ódio é mútuo) mas desta vez não podia não cumprimentar. Respondi um triunfante "Olá" com o sorriso mais genuíno que alguma vez lhe lancei. Estava a deliciar-me com esta cena. O delinquente chega a casa e depara-se com a porta fechada (realmente, quem diria...). Em vez de usar a campaínha começa a esmurrar e pontapear a porta. A própria porta, que otário...

E por tanto o balanço final do dia foi:

Gadelhudo: +1 (eu vou considerar um avanço na nossa relação platónica o facto de termos trocado palavras)
Vizinho delinquente: - 19485

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Bife na pedra

Mandaram-me um e-mail com esta imagem:


Tinha o seguinte comentário: "Belo naco".

De facto. Mas não vejo gadelha nenhuma. Espero que esteja caída e esvoaçante atrás da pedra porque bife sem acompanhamento é como um cão sem pulgas.

Este espécimen e sua gadelha, sim, poderia chamar-me sardinha.

Ou qualquer outra coisa que ele quisesse.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Atracção específica

Às terças-feiras à tarde vou de carro para a faculdade. No carro do meu irmão, claro, que eu não possuo tal comodidade.

Certa terça-feira, ia eu a sair de casa quando reparo que faltam os documentos do carro! Furiosa, telefono ao meu irmão:

- Onde raio estão os papéis do carro?
- Uuuuuhps... esqueci-me e trouxe-os comigo... Olha, passa por aqui antes de ires para a faculdade!

Bom, não tive escolha, e passei pelo IST de carro, com uma guia provisória e sem documentos... Como se não bastasse, o ponto de encontro que o meu irmão escolheu era um local que estava em obras. Parei em cima de uma passagem de peões amarela, atrás das obras. Liguei os 4 piscas e esperei pelo meu irmão.

Ao olhar para a esquerda vejo um polícia mesmo ao pé de mim. Eu olho para ele, ele olha para mim (através de óculos escuros), eu fico quieta, ele continua a ronda.

Estupefacta por ele não me dizer nada, fico no mesmo sítio. Ele passa várias vezes por mim e não diz nada. Não sei bem o que fazer, por isso não faço nada.

O meu irmão surge calma e lentamente, com os documentos na mão, bem visíveis a 5 metros de distância. Quase a chegar ao carro ainda os abana para eu ver que estavam ali...

Refilo qualquer coisa com o meu irmão, mas ele não percebe qual é o meu problema e deixa-me a falar sozinha... Olho outra vez para o polícia, que olha para mim. Não tem um ar especialmente carrancudo. Eu tenho a certeza que estou a cometer umas quantas infrações. Como ele não diz nada, inicio a marcha o mais rapidamente possível para sair dali, passando um amarelo tinto.

Conclusão a que cheguei: sou uma gaja podre de boa, cheia de charme e com "great personality". Claro que estas qualidades apenas são detectadas e apreciadas por certos tipos de homem, nomeadamente blacks, indianos, velhos (mais de 75 anos), sem-abrigo e bêbados. E, aparentemente, certos polícias.

Dou já de seguida mais alguns exemplos:

  1. Ia eu, inocentemente, pela rua abaixo, quando um bêbado pára a sua caminhada ziguezagueante e me diz, olhos nos olhos, bafo ácido na sensível mucosa nasal: - Ésh a menina maish bonita que eu já vi...!
  2. Passei por um sem-abrigo na Baixa e ele olhou para mim, fez um esgar amarelo e cantou: -Oh linda, linda sardinha...!
Odeio as minhas ferormonas.

sábado, 1 de novembro de 2008

Dieta - Follow up I

Em resposta ao nosso activo comentador Thaeos (ver comentário aqui), quase mais activo que as próprias autoras, ou pelo menos com comentários maiores que os posts publicados, sentimo-nos coagidas a partilhar com os leitores a evolução da 2047ª dieta.

Ou não.

Talvez mais tarde.

As autoras